Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Queremos ganhar tudo o que estiver pela frente"

Valodia Kambata - 08 de Março, 2010

João de Oliveira, treinador de basquetebol do Interclube

Fotografia: Domingos Cadência

O que diz sobre as condições oferecidas pelo Interclube?
Penso que são as melhores. Em termos de infra-estrutura há um pavilhão extraordinário, com um piso em que os jogadores podem treinar à vontade. Mas podemos as melhorar. Vamos todos trabalhar para que este clube seja  campeão em termos de jogo, de organização e de infra-estruturas.

Que objectivos tem para a pressente temporada?
O meu objectivo é tornar o basquetebol do Interclube mais sustentável, contribuir para que haja mais jogadores a praticar a modalidade em Angola e para a formação de treinadores. Em termos profissionais, queremos ganhar tudo o que estiver pela frente.

Que mudanças efectuar para que o objectivo seja cumprido? 
Nunca se consegue chegar e fazer logo mudanças. A única coisa que fizemos, foi apresentar quatro projectos que são o centro de formação de treinadores, cuja a primeira acção vai se realizar este mês e estará aberto à todos os treinadores de basquetebol do país. Outro é a reestruturação do modelo de funcionamento do departamento a três sub-coordenações; uma outra tem a ver com a iniciação e a captação de atletas para o mini-basquetebol e a quarta tem a ver com os iniciados.
Agora, estamos a trabalhar no diagnóstico das carências e dificuldades para depois propormos à direcção para que as mesmas sejam atenuadas. 

Como descreve o início da época para a equipa que dirige?
O inicio foi incrível. É incrível como uma instituição como esta, chegou ao estado a que chegou! A gestão dos clubes deve ser acompanhada, responsabilizada e inspeccionada. Para o bem dos jovens e do basquetebol, por muita gente que contribuiu para este clube, que deram parte da sua vida, e pelos valores que me transmitiram, iniciamos a época.
Como é evidente, cheios de dificuldades em construir o plantel, em pôr a formação a funcionar (graças aos treinadores) que por muitas críticas que lhes façam da forma mais injusta, só posso estar grato e solidário.

Que perspectivas tem em termos desportivos?
A  nossa perspectiva era bem escura, mas com uma vontade do tamanho do mundo e com o grupo possível que se predispôs a avançar por amor ao clube e à modalidade, decidimos avançar em termos desportivos de jogo a jogo, discuti-los, tentando dar o nosso melhor. Tendo consciência das dificuldades reais na formação do plantel, sabemos que este não é um qualquer grupo. São verdadeiros atletas, com potencial e qualidade, capazes dos maiores sacrifícios e exemplos.
Iremos até onde nos for possível, com o apoio de todos, até com aquela maravilhosa claque que nos acompanha. Pode ser que sem grandes investimentos venha a ser possível devolver ao Iinterclube, no mínimo, o lugar que merece.

Que avaliação faz do nível competitivo do campeonato nacional de honras?
Acho que o campeonato é muito competitivo e de muita qualidade, facto que acredito poder ajudar muito na nossa maneira de ver as coisas. Já as infra-estruturas, ajudarão a dotar as nossa equipas de maior qualidade.

De modo geral, qual é a sua opinião sobre o basquetebol nacional? Está em progressão ou em retrocesso?
Está em progressão, pois há jogadores com grande qualidade.
O basquetebol angolano está muito elevado de uma maneira geral, em relação ao português. É muito mais atlético e agressivo, explosivos e, naturalmente, jogam de acordo com estas características. É isso que faz a diferença, pois tornam mais agressivos e explosivos nos desenvolvimento das suas particularidades quer ofensivas quer defensivas. Há aqui boa matéria-prima.

"O meu projecto a medio prazo
visa a conquista do campeonato"

O que o levou a aceitar o convite para treinar o Interclube?
Na realidade, o que me motivou a vir a Angola foi o projecto que me foi apresentado pelo director de basquetebol do Interclube. Tenho um projecto de médio prazo, que visa a conquista do campeonato nacional. Este desafio é aliciante e, por isso, concordei em vir a Angola. Outro motivo foi o intusiasmo com que os dirigentes do Interclube me apresentaram o projectos e mostraram-se confiantes naquilo que eles querem para o clube.

A ideia de trabalhar em Angola passou-lhe algum dia pela cabeça?
Nunca me passou pela cabeça trabalhar em Angola. Gosto de trabalhar em cilclos de quatro anos. No momento em que fui abordado pela direcção do Interclube, tinha terminado um ciclo com um clube e então decidi entrar noutro projecto, no caso o do Interclube.

Conchecia a realidade do basquetebol angolano?
Acompanho o basquetebol no geral. Li algumas vezes sobre o basquetebol angolano. Em Portugal, treinei algumas equipas em que haviam atletas angolanos e foram me dizendo como eram o basquetebol daqui.

As informações que obteve correspondem à realidade?
Encaro de um modo positivo a nivel dos jogos, dos jogadores e, por isso, Angola é deca-campeã africana e estão em quase todas as competições internacionais como Jogos Olímpicos e Mundias.

Como caracteriza o basquetebol angolano?
É  é muito rápido. De maneira geral, a defesa está num nível elevado e o ataque está menos evoluído. O pouco tempo que estou aqui, vi muitos treinos dos escalões de formação e parece-me que este é um problema que vem logo do início. Para superar esta questão, vai ser necessário investir mais nos fundamentos do ataque para equilibrar o jogo. Posso dizer que nesta altura a defesa ganha o ataque.

"Há falta de quadros técnicos em Angola"

Como vê a vinda, cada vez mais acentuada, de jogadores e treinadores estrangeiros ao campeonato angolano?
Hoje, o mundo globalizado e Angolano não podia ficar à leste desta situação. Não basta encarar depreciativamente esta situação. Já fui emigrante e, ao contrário de Portugal, onde há uns anos se podia chegar a ter até 8 jogadores não portugueses em campo, em Angola isso não sucede, podendo-se jogar apenas com dois estrangeiros.
O que há em falta em Angola são quadros técnicos e, para isso, tem de haver formação, coisa que ainda se está a dar os primeiros passos. Falta uma escola nacional de basquetebol, onde possam se explorar todas as potencialidades da massa humana existente em Angola.

Quais são as diferenças entre o campeonato angolano e o campeonato português?
Trata-se de dois campeonatos completamente diferentes, pois também se tratam de culturas diferentes. No basquetebol português, assim como no europeu, os colectivos evidenciam-se, ao contrário do angolano onde a técnica individual vem ao de cima.

Quais são as perspectivas futuras do Interclube?
Acredito que, como as coisas estão a ser feitas, o Interclube, nos próximos anos, vá lutar pelo título ou mesmo ganhar um. A nível individual, todos os treinadores sonham em chegar à seleccionador nacional e eu não sou diferente deles.

Perfil
Nome: João  Carlos Pereira Guedes de Oliveira
Nacionalidade: Portuguesa
Data de nascimento: 20- 09-1967
Estado civil: Casado
Altura:1.80 metro
Peso:82
Desporto favorito: Basquetebol
Prato preferido: Linguas estufadas
Bebida: Água
Cor: Azul
Relegião: Catolica
Clubes onde passou
UAAA, Oliverense
Academica
Maya basket
Vasco da Gama
Desportivo da Polva
Selecção Portuguesa
de Sub-16
Formação académica
Licenciatura  em Educação Física
Mestrado em Ciência do Desporto
Doutoramento em Psicologia das Organizações