Jornal dos Desportos

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Reportagens

Queremos ter atletas nas grandes provas mundiais

Manuel Cardoso - 07 de Agosto, 2010

Shaily Daniel Capindissa

Fotografia: Santos Manuel

Quais os objectivos do Estrela Sport Clube?
Levar o xadrez angolano ao mais alto nível, começando pelo atleta Adérito Pedro, que está atrás do título de Grande Mestre. Temos ainda os xadrezistas Tito Agostinho, Joaquim Assis, Erickson Soares, Aristóteles Ramos e o Adriano Pacavira, que procuram a norma de Mestre Internacional, categoria que, posso adiantar, o Erickson Soares está mais próximo de a conseguir. O Estrela Sport Clube pretende, para a próxima época, ter um jogador de nacionalidade russa, cujo nome vou revelar em Novembro, pois os contactos já estão em marcha. Quando chegar a altura, todos saberão, na medida em que “o segredo é alma do negócio".

O que é necessário para os nossos xadrezistas terem melhor qualidade e atingirem grandes patamares?
O investimento é prioridade. Sem ele, nada absolutamente se faz. Actualmente, o Estrela Sport Clube investe na melhoria de vida de alguns atletas. Temos de os levar a participar em mais provas no estrangeiro. Internamente, temos várias provas durante o ano, mas, ainda assim, não são suficientes. É necessário mais competição e mais agentes privados a participarem na organização de provas.

Que tipo de investimento é necessário?
Se, por acaso, algumas empresas dessem a sua colaboração, em número de quatro pelo menos, o xadrez teria outra dinâmica. Os jogadores precisam de jogar, pois conhecimentos teóricos têm. Da parte do Estrela, vamos à Espanha para, em 45 dias, participar em quatro grandes torneios, mais um de menor expressão.

Fale do projecto "Uma esquina um tabuleiro"...
Actualmente, o Estrela Clube contribui para o xadrez recreativo. O nosso projecto é "Uma esquina um tabuleiro" e visa melhorar a prática da modalidade na vertente recreativa. Desenvolvendo o xadrez recreativo, com certeza que com o associativo e com o federado acontecerá o mesmo. É esse contributo que damos à modalidade, tanto na nossa província, quanto para todo o país. Em breve, terei um encontro com o presidente da Federação, em que vamos abordar o nosso projecto. Acredito que o doutor Aguinaldo Jaime me vai receber e falaremos da possibilidade de o projecto se estender a outras províncias de Angola.

A criação de pólos em bairros e escolas não seria uma via para a descoberta de talentos?
Lembro-me perfeitamente que, nos anos 80, havia xadrez nas escolas. Era outra coisa, na medida em que a modalidade desenvolve a mente. Quando se retira o xadrez das escolas, é complicado. É importante retomarmos a modalidade nas instituições escolares, no ensino de base, talvez. Começar por aí, poderia ser difícil e, se assim for, tentaríamos a partir do Ensino Médio e dos colégios. Pelo menos, uma hora de participação por semana seria suficiente.

Por falar em Nação, como caracteriza o movimento noutras províncias com quem competem?
Há algumas mais activas do que outras. Benguela, Malange e Uíge mostram trabalho. A Associação Provincial do Lubango não se fez presente no campeonato feminino, que decorreu no Namibe, nem sequer houve comunicação por parte deles. Recordo que o Lubango já foi um celeiro do xadrez angolano, mas, de momento, está moribundo.

Como se concretizou a ida de Adérito Pedro para Espanha?
Faltam poucos pontos para ele ser Grande Mestre. Se jogar bem em dois dos cinco torneios, pode atingir a norma que falta. Foi para Espanha com esse propósito.

Número de Mestres
Internacionais é reduzido

Como caracteriza o xadrez angolano nos dias que correm?
Não atingiu o auge, na medida em que poderíamos ter um número maior de Mestres Internacionais. Temos, além do Adérito Pedro, mais três. Depois da independência nacional, não se investiu muito no xadrez, como aconteceu com outras modalidades. Anteriormente, haviam mais clubes que, aos poucos, foram desaparecendo. Mas Angola é uma nação do xadrez e estamos a regressar aos tempos antigos. O presidente da Federação tem feito um grande trabalho e esperemos que continue na mesma senda para o bem da modalidade.
Três mestres internacionais é um número bastante reduzido...
É verdade que há poucos mestres. Isso não depende apenas dos clubes, das associações ou da federação. Os atletas também têm um papel importante a desempenhar. Por exemplo, para participarem na Taça Cuca, têm de estar bem preparados e, em consequência, obterem bons resultados. Os nossos jogadores têm de jogar de igual para igual com os estrangeiros e a Taça Cuca tem de ficar no país. Ela não pode sair daqui.

Que importância pode ter o mecenato nesse sentido?
Hoje em dia, para o desporto se desenvolver, não se deve esperar tudo do Estado. Cada cidadão deve dar o seu contributo à Nação. Em tempo de guerra, muitos contribuíram para que houvesse paz. Agora que a conseguimos, temos de investir no desporto, tanto as pessoas colectivas quanto as singulares.

Associações provinciais
não têm trabalhado

É o segundo mandato de Aguinaldo Jaime à frente da Federação Angolana de Xadrez. Nota evolução em relação ao elenco anterior?
Feliz ou infelizmente, não conheci o anterior elenco. Conheço a nova direcção e acho que contribui para o melhoramento de infra-estruturas. Acredito ainda haver coisas por se fazer em prol do xadrez, mas é um excelente presidente. Sei que tudo tem corrido bem a nível da Federação, apareceu mais um clube, o Estrela Sport Clube, e outros reforçaram-se, como o Polivalente e o Rodoviário.

O que mais se deveria fazer?
O grande trabalho tem de ser feito a nível de associações provinciais. Elas não têm trabalhado. Por isso, alguns clubes de Luanda assinaram uma menção de censura contra actual Associação Provincial de Xadrez, que não foi dirigida para uma só pessoa, mas sim a toda a sua direcção.

Explique-se melhor...
O documento diz que os clubes de Luanda já não desejam a actual direcção da Associação. Oitenta por cento das agremiações assinaram-no, com destaque para o Estrela Sport Clube, o Progresso-Macovi, a Macovi do Golfe e do Bairro Popular, a Escola de Mestres João Francisco, o Núcleo de Viana, o INE Marista, o Núcleo da Vila Alice, etc. A Associação Provincial Xadrez de Luanda é eleita pelos clubes locais e, como estes já não desejam o actual elenco, tem de se conformar.

Não é algo a ser decidido em assembleia?
Na menção de censura, pedimos a realização de uma assembleia extraordinária. Estamos à espera da resposta. Uma primeira reposta foi dada pelo presidente da Mesa da Assembleia da Associação e falta agora marcar a data.

Um dos objectivos da federação é recuperar a sede. Foi cumprido?
Sim. Tenho de louvar o presidente da federação por cumprir com a sua palavra, apesar de ter mais algumas coisas por concluir, à luz do que prometeu. Todos acreditámos na palavra dele e que cumprirá, brevemente, com a parte que falta.

Novos talentos garantem futuro brilhante

Nas décadas de 80 e 90, havia grandes xadrezistas. Nestes dias, a realidade é diferente...
O Alexandre de Nascimento não desapareceu. Pelo contrário, continua no activo. Ele é dirigente do Recreativo do Libolo, para a área do xadrez e faz um excelente trabalho, que muita gente está a gostar. Contamos com ele para outros desafios na modalidade. O período a que se refere foi, de facto, de glória para a modalidade.

Os talentos da actualidade garantem continuidade e o regresso aos velhos tempos?
Há bons jogadores e aparecem regularmente. Hoje, temos jovens promissores como o Erickson Soares (o segundo maior Elo de Angola depois do Adérito Pedro), o Sílvio Famoroso (uma grande aposta do xadrez nacional), o promissor Geovany Santos, que está a fazer uma boa época pelo Polivalente, assim como o António de Sousa do mesmo clube. Angola tem sorte. Possui um reservatório que se chama Escola Macovi, clube que mais massifica, em número de 100 a 200 jovens por ano. É esse reservatório que garante o futuro do xadrez angolano.
Uma mensagem para a juventude angolana...
Cada um de nós deve dar o seu contributo à província, ao município ou à sua comuna. Existem várias formas de contribuir, como acordar sábado de manhã e, com o vizinho, limpar a nossa rua, comprar uma bola para os miúdos do largo jogarem, etc. As pequenas acções repetidas valem mais do que uma.

>> Por dentro...

Nome – Shaily Daniel Capindissa da Silva      
Data de Nascimento - 28 de Junho 1979
Naturalidade - Luanda
Nacionalidade - Angolana
Peso - 110kg
Altura - 1,90 metro
Modalidade que gosta - Basquetebol e boxe
Clube - Estrela Sport Clube
Tabaco – Fuma 
Bebida - Vinhos franceses
Prato preferido - Carne seca com funje de milho
Número de calçado - 46
Hobby - Leitura
Cor - Vermelho
Livros - Prosa
Filmes - Históricos
Música - Jazz e Rock
Esplanada ou discoteca -Esplanada
Droga - Contra
País - França
Cidade – Bordeaux (França)