Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

"Queremos um plantel super-competitivo em 2010"

Matias Adriano - 18 de Novembro, 2009

Queremos um plantel super-competitivo em 2010

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Libolo termina o campeonato em segundo lugar, mas com a triste novidade de não poder jogar nas “Afrotaças”. Dias depois veio a boa nova. Qual foi a reacção no seio da equipa?
“Obviamente, ficamos todos muito felizes por nos ter sido devolvida a possibilidade de participar na Liga dos Campeões, sendo afinal esta a melhor forma de compensar todo esforço desenvolvido, quer pela equipa técnica, atletas, direcção e patrocinadores do clube.”

Depois de anunciada a redução para dois participantes angolanos nas competições africanas teve crença na inversão do quadro ou era já um homem deprimido?
Quando se anunciou que Angola iria apenas com duas equipas nas competições sob a égide da Confederação Africana de Futebol eu fui sempre afirmando que este era um dossier que não estava encerrado. Acho que houve um determinado momento, já na parte final do campeonato, em que eu era talvez a única pessoa que acreditava que o Libolo iria à Liga dos Campeões.”

Mas até aqui acabamos por não apurar o que aconteceu exactamente. Foi uma desinformação ou um mal entendido?
“Penso que o que se passou ou se passa neste âmbito é um conflito de interesses entre países. E se Angola perdesse dois representantes haveriam outros países que tirariam benefício disto.”

Agora que está assegurada a vossa participação, há perspectiva de inovar o plantel, visando uma melhor participação?
“Iremos reforçar a equipa em todos os sectores. Vamos criar no fundo um plantel que tenha dois jogadores a competirem por um lugar em cada sector. Este é o nosso objectivo. Significa dizer que vamos contratar guarda-redes, defesas, médios e atacantes.”

Haverá mercado para tanto presidente?
“Deixam-se dizer que os jogadores que queremos contratar já estão praticamente todos contratados. Faltam dois pequenos detalhes que, acredito, ficarão ultrapassados dentro dos próximos dias.”

Podia revelar-nos pelo menos um nome destes jogadores?
“Não posso e nem devo faze-lo, porque todos eles têm ainda compromissos com os seus respectivos clubes. Mas o Libolo para fazer face às obrigações do Girabola e da Liga dos Campeões precisa ter um plantel de quase duas equipas. Vamos fazer um investimento neste sentido.”

Estas aquisições são maioritariamente do mercado estrangeiro ou nacional?
“Até ao momento foram totalmente jogadores angolanos. Uns estão cá outros a jogar no estrangeiro. Temos agora uma situação que é de um jogador ghanense, meio-campista, que poderá vir, mas só nos próximos dias é que poderemos decidir o seu caso. Trata-se de um atleta que esteve na Selecção Olímpica do Ghana no mesmo tempo de Essien. ”

 Jhonson Makaba vai continuar na equipa ou tem outras perspectivas?
“O Jhonson é um bom jogador. É um jogador que foi relevante na nossa prestação e com quem queremos continuar a contar. Fizemos uma proposta a ele, porque tem contrato com o Goias, esteve por empréstimo de um ano e na base da proposta feita ele negoceia com o Goias a sua continuação no Libolo. Neste momento estamos à espera, não temos pressa. Pois, temos até Dezembro para definir a situação. Queremos deixá-lo tranquilo, e ter uma boa prestação nestes jogos preparatórios da Selecção Nacional, e que conste entre os que venham ser qualificados para o CAN.” 

“Não temos dinheiro
para aliciar jogadores”

Comenta-se à boca pequena que o Libolo, tirando partido da sua capacidade financeira, alicia jogadores de outros clubes. Como tem reagido a direcção e até que ponto isto corresponde à verdade?
“Penso que alguns clubes tentam esconder a sua incapacidade de gestão e vêm a público dizer que o Libolo e o Petro aliciam jogadores e inflacionam o mercado de contratações. Mas isto não é verdade. Não temos dinheiro para fazer isto. Se tivéssemos este dinheiro teríamos o Drogba e o Essien a jogarem no Libolo. Já ouvi isto no basquetebol e no futebol porque o Libolo faz contratos milionários. Se assim fosse teríamos também jogadores milionários. Vocês são jornalistas, conhecem por acaso algum jogador milionário em Angola? Se houvesse contratos milionários teríamos também jogadores milionários, mas não os temos.”

Mas de qualquer forma o Libolo tem um bom orçamento…
“O que nós fazemos no Libolo, estabelecemos os nossos plafond, criamos o nosso orçamento que não é o maior de Angola. Há clubes que têm orçamento que se eu o tivesse era campeão de África em cada cinco anos três vezes. Bom, cada um gere a sua casa, mas o Libolo não é o maior orçamento que está no Girabola nem de perto nem de longe.”

Devemos agradecer a Justino Fernandes

O mérito de Angola se fazer representar na próxima edição das “Afrotaças” com quatro equipas, depois que se ventilou a possibilidade de uma redução para  duas é atribuído a várias pessoas, sendo o presidente Rui Campos uma delas. É verdade que foi a sua intervenção que levou a FAF a reconsiderar a sua posição?
“Colocam-me uma questão extremamente pertinente. Pois, de há algum tempo a esta parte que eu esperava por uma oportunidade de clarificar as coisas. É assim: o que houve foi uma coincidência da presença do presidente da FAF, Justino Fernandes e do presidente do Libolo, Rui Campos em Lumbumbashi.”

Ambos foram para tratar do mesmo assunto ou estavam ai para compromissos diferentes?
“O que me levou a Lumbumbashi foi um outro assunto. Deixam-me dizer que havia um caso que a direcção do Libolo tinha de dar solução, que consistia na interdição da vila de Calulo para jogos internacionais.”

Interdição por quê razão?
“Em Abril do presente ano o Setif da Argélia fez chegar à Confederação Africana de Futebol uma exposição/queixa em que dizia, entre outras coisas, que Calulo não reunia condições para acolher jogos internacionais. No entanto havia muitos excessos, muitas inverdades e o que nós fizemos foi contestar, fazendo uma exposição no sentido de repor a verdade, produzindo um DVD para mostrar o que eram, realmente, as infra-estruturas em Calulo. Enviamos um álbum fotográfico com a ilustração de todas as nossas infra-estruturas etc, tec.”

Então não foi a Lumbumbashi em busca de solução do problema que ameaçava a redução da representação angolana?
Não senhor. Até porque não tenho capacidade para isso, nem cabe ao Libolo interagir directamente com a CAF. Quem interage com a CAF são as federações nacionais. Mas estando para ver a final da Liga dos Campeões, soube que no dia anterior tinha havido uma reunião do Comité Executivo da CAF aproveitar para falar com pessoas amigas que estão bem posicionadas neste órgão e reafirmar o assunto. Foi meramente isto. Aliás, quero desde já agradecer ao presidente Justino Fernandes que lá encontrei, pela intervenção que teve junto das instâncias da CAF no sentido de reforçar e levá-la a manter as quatro equipas angolanas na competição de clubes de 2010. Em nome do Libolo o meu muito obrigado ao presidente da Federação Angolana de Futebol.”

“Estamos a construir um aeroporto
para facilitar a nossa locomoção”


As dificuldades de deslocação da equipa para outros pontos do país e de outras para Calulo têm os dias contados. A vila vai contar com um aeroporto proximamente, cujas obras já se encontram na fase terminal.
“Estamos a construir um aeroporto com uma pista de mil e 700 metros, uma placa de estacionamento para aviões de médio porte, uma gare de embarque e desembarque e respectiva torre de controlo. Trata-se de um investimento privado, pertencente ao clube no quadro da melhoria das suas infra-estruturas”.

Quando é que estará operacional?
“A pista está praticamente pronta. Amanhã mesmo(15 de Novembro) serão feitos os voos de teste, vai ter até a próxima semana iluminação para permitir os voos nocturnos. Para o Libolo isto é muito bom, pois aproximamos a vila de Calulo de todos outros pontos do país.”

Fica resolvido assim a partir de agora um dos grandes problemas que a equipa vinha enfrentando…
“Claro, que a partir de agora a equipa poderá sair daqui directamente para as cidades onde for jogar, particularmente nas deslocações do Girabola. Se antes para irmos jogar ao Lubango ou Namibe tínhamos de viajar até Luanda para tomar o avião, agora poderemos sair directo para o Lubango, directo para o Namibe, directo para Cabinda, directo para o Luena, directo para o Dundo etc, etc.”

Quando começam em concreto operar os voos normais para Calulo?
“Daqui a quatro meses o Recreativo do Libolo e outros interessados poderão já beneficiar do Aeroporto. Mas a inauguração é já daqui a um mês.”

Significa que qualquer operadora aérea que queira operar para Calulo poderá faze-lo?
“Evidentemente. A pista é homologada, está sob supervisão da Enana e poderá ser usada por todas operadoras de aviação que queiram escalar a vila de Calulo.

Quem constrói garagem tem previsão da compra de um carro; que constrói aeroporto de certeza que pensa na aquisição de uma aeronave. É o caso do Libolo?
“Penso que não. Temos no nosso leque de patrocinadores algumas companhias de aviação o que facilita de algum modo a nossa transportação. Sendo assim, não vejo necessidade de fazermos tamanho investimento na aquisição de uma aeronave. Canalizaremos os esforços de investimento para outras áreas de infra-estruturas.

Clube continua investir
nas acções de formação

Independentemente de ter os olhos postos nos peixes graúdos, a direcção do Recreativo do Libolo não descura a vertente formativa. O clube continua a investir nas acções de formação, visando a criação de talentos que possam vir futuramente suavizar os seus cofres com as contratações de atletas.
“Nós temos as escolinhas e trabalhamos em Luanda nas estruturas dos Flaminguinhos, que alugamos para fins de formação, depois temos os juvenis e juniores, que trabalham também nos Flaminguinhos e realizam os seus jogos no campo do ASA.”

Há falta de condições aqui no Libolo para estes escalões trabalharem em Luanda?
“O objectivo final é estar tudo em Calulo, porque nós somos daqui. Os juvenis e juniores estão em Luanda para poderem competir, porque infelizmente no Kwanza-Sul não temos outras equipas para disputarem um campeonato, assim proporcionamos aos jovens um temporal de competição. Os clubes de Luanda estão todos de acordo com excepção de um ou dois que incompreensivelmente reclamam o facto de o Libolo estar a participar. Nós não vemos a razão de tanta preocupação, porque se o Libolo participa não tira lugar de ninguém.”

Qual é o horizonte temporal para transferência dos escalões jovens de Luanda para Calulo?
“É um processo que faremos de forma faseada. Nós vamos começar o próximo ano, até porque vamos ter pronto o relvado número dois. Começaremos pelas escolinhas, sendo que os juniores e juvenis por enquanto continuarão em Luanda, porque o processo será dinâmico. Ou seja, quando os juniores ascenderem a seniores passam para Calulo e os juvenis para juniores assim sucessivamente.”