Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Queremos voltar a ser fortes"

Manuel Neto - 11 de Fevereiro, 2014

Antigo capitão da Caála satisfeito com as condições na fase de pré-temporada

Fotografia: Jornal dos Desportos

Jorge Vidigal, director para o futebol do Recreativo da Caála disse ontem em entrevista ao Jornal dos Desportos, que a equipa do Huambo vai lutar até à exaustão na época em curso, no sentido de superar a classificação obtida no Girabola do ano passado.“Concluímos que na época passada as coisas não correram bem, tivemos alguns percalços ao longo da prova e isso fez que não atingíssemos os objectivos traçados, o que levou-nos a fazer uma análise profunda para identificar as razões que estiveram na base do fracasso. Queremos voltar a ser uma equipa forte e pronta a elevar bem alto o nome da província”, disse.

Em face disso, Vidigal advoga que o grupo está a trabalhar com “ rigor”. Começou por reforçar todos os sectores da equipa, nomeadamente a defesa, meio campo e o ataque, para melhor levar a bom porto os intentos que se propõe atingir. “Todos os sectores foram reforçados. Aliás, uma equipa é um sistema de serviços e quando um destes falha toda ela fica afectada. É por esse motivo que quando estamos mal numa prova, não culpabilizamos ninguém. Achamos que todos devem assumir, por isso, no final de cada época fazemos sempre uma análise para rapidamente superar as possíveis dificuldades detectadas”, sustentou.

O dirigente do CRC pede paciência aos adeptos da equipa. Jorge Vidigal acredita em dias melhores, tendo em conta a qualidade competitiva que se procura dotar o conjunto.“Não mexemos muito no grupo, mas é certo que lançamos alguns jogadores que podem acrescentar maior dinâmica ao plantel, como seja na defesa Hugo Costa e Carlos André. No meio campo Ruben Gouveia e Nuno Silva e no ataque foi preenchido com Baptista Fayer e David. Achamos que temos um plantel à altura dos nossos objectivos e o resto vamos ver com o tempo”, salientou. Vidigal sublinhou que até ao ­momento a equipa demonstra alguns índices de entrosamento que acredita consolidar a breve trecho, porque a seu ver os reforços estão a dar boa conta de si.

“Até ao momento, noto muita entrega por parte dos atletas, com destaque para os reforços. Isso leva-me a concluir que estão preocupados em convencer o técnico para a titularidade na equipa principal. Embora estejamos ainda no inicio da preparação, prevejo uma luta renhida nos dias subsequentes”, referiu.

ENTUSIASMO
Regresso à Caála motiva plante
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O regresso da equipa do Recreativo da Caála ao município com o mesmo nome onde está situado o seu Estádio Mártires da Kanhala motivou o grupo de trabalhos, entre técnicos, atletas, dirigentes, pessoal médico e de apoio, de acordo com o director-geral do clube, Jorge Vidigal.  Para Jorge Vidigal qualquer filho sente-se bem na sua terra pelo que espera brindar os seus adeptos com bons espectáculos no Girabola que se avizinha.“É certo que temos adeptos em toda a parte do Huambo. Mas devo dizer que na Caála, temos os nossos verdadeiros adeptos. Digo sem medo de errar, que cá pode vir o Petro, 1º de Agosto ou Kabuscorp, equipas com maior número de adeptos no país, vamos superá-los em termos de adeptos e mesmo de resultados. Isso é fruto da avaliação que fizemos nos dois primeiros jogos que realizámos no ano passado”, disse. O dirigente do CRC sublinhou que o jogo com o ­Kabuscorp do Palanca referente à primeira jornada do Girabola 2014, está a ser aguardado com grande expectativa pelos adeptos do futebol no Huambo. 

“O povo do Huambo gosta de futebol e quando se trata de jogos com as referidas equipas grandes, comparece em massa. Por isso, com a recepção ao campeão em título, já notamos algum entusiasmo quer da parte dos atletas, como das pessoas que gostam desse desporto”, sublinhou.  Jorge Vidigal diz respeitar muito a equipa do Palanca, dado o palmarés que apresenta, mas acredita que a sua equipa tem valores suficientes para ombrear com os ­palanquinos.

PLANTEL
Estágio no Huambo
facilita integração


O trabalho de pré-época para a equipa do Recreativo da Caála estava inicialmente marcada para Portugal, mas o programa foi alterado pelo que  a actividade ficou confinada  à cidade do Huambo.Ainda assim, o dirigente diz ter sido uma decisão unânime e afirma que até hoje a direcção presidida por Horácio Mosquito mantém fiel a sua palavra, justificou que o estágio no Huambo é “mais-valia” para o grupo, por que acrescenta novos elementos importantes.

“Temos novos jogadores com necessidade extrema de adaptação ao clima, assim como temos os antigos atletas que devem rapidamente conhecer o nosso novo estádio. Tudo isso levou-nos a concluir que estes elementos eram muito importantes para estabilização do grupo. Estas são algumas razões que nos levaram a desistir do estágio em Portugal”, disse. O antigo defesa direito do Caála assegurou que a equipa tem todas as condições de trabalho à disposição, que deixa muito radiantes os atletas e os adeptos do clube. Excelentes condições de trabalho jogam um papel preponderante na obtenção de resultados positivos, que qualquer grupo traça para atinjir os seus objectivos e nós não fugimos à regra. Por isso, estamos a caprichar na melhoria de tudo para um melhor rendimento do grupo nas competições que nos esperam”, sublinhou.

 Huambo
“Futebol está a morrer”


Jorge Vidigal, director-geral do Clube Recreativo da Caála afirmou que o futebol na província do Huambo está a morrer, por falta de políticas concretas e credíveis por parte das pessoas que superintendem a modalidade na região.“É uma província fértil em matéria humana. Aliás, todos sabem que o Huambo foi sempre um dos viveiros do futebol nacional. No passado teve grandes equipas, como o Petro do Huambo, Mambroa, Educação, que deram muitas alegrias às pessoas da região e não só. Mas infelizmente, nos dias de hoje tudo está parado, trabalha-se apenas na formação mas também sem a acutilância habitual”, disse.Por isso, Vidigal apela às pessoas de direito no sentido de fazer alguma coisa para tirar a província do marasmo em que se encontra.

“Sei que ainda podemos fazer alguma coisa para salvar a província. Não podemos aceitar que o Huambo tenha apenas uma equipa no Girabola, uma vez que existe  muito boa gente com vontade da prática deste desporto”, referiu. Vidigal lamenta o facto de a Federação Angolana de Futebol (FAF), até ao momento ainda não ter divulgado o nome do novo seleccionador nacional.“Isto é triste, existe morosidade na escolha do seleccionador nacional, o que é mau, porque nesta fase que o Girabola está prestes a começar, era bom porque possibilitava ao técnico acompanhar o campeonato para uma melhor noção dos atletas com quem pode contar, sob pena de fazer tudo às pressas e no final colher maus resultados”,  sublinhou.