Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Quero chegar à Fórmula-1 antes dos 21 anos"

Hélder Jeremias - 01 de Março, 2010

Luís Sá Silva, vice - campeão asiático de Fórmula Renault 2.0

Fotografia: Jornal dos Desportos

Sagrou-se vice-campeão de Fórmula Renault 2.0. Que significado tem para si?
O facto de conquistar o segundo lugar entre pilotos de grande nível técnico é um incentivo à minha carreira, pois me permite acreditar ainda mais no meu potencial e lutar por maiores conquistas. É claro que depois de tudo o quanto fiz durante a temporada, o primeiro lugar seria um motivo de maior felicidade para mim, mas, infelizmente, por motivos mecânicos, aconteceu o inesperado. Contudo, sinto-me satisfeito pela conquista de tão prestigiado lugar.

Está a caminho da Europa, onde vai competir num campeonato muito forte e numa categoria superior que é a Fórmula-3.
 Como vê esta mudança?
Esta mudança tem para mim um significado de extrema grandeza, pois ela se traduz na confiança que os técnicos do automobilismo têm no meu potencial, algo que tenho a obrigação de corresponder para que os meus objectivos possam ser concretizados dentro dos tempos fixados por mim e pelos meus representantes. Quanto a mudança para a Europa, acredito que não será muito difícil por se tratar de um continente que oferece melhores condições de trabalho e pelo facto de ter familiares a residirem naquele continente.
Falou em objectivos traçados, quais são?
Qualquer desportista entra para a competição com metas a alcançar e no automobilismo não poderia ser diferente. Todos preconizamos alcançar o mais alto patamar do automobilismo que é a Fórmula 1, onde pretendo chegar antes dos 21 anos.
Acredita que este objectivo está mais próximo de ser alcançado?
Tenho recebido muitos elogios pelo trabalho que venho desenvolvendo de há algum tempo à esta parte. Só por isso é que fui convidado a fazer parte da escuderia da Motorpark, a par de outras equipas da Europa e algumas brasileiras. Contudo, ainda estou dependente de patrocínios, sem os quais pouco ou nada pode ser feito, mas garanto que, caso tiver os apoios necessários, poderei ser o primeiro piloto angolano a representar o país na maior competição dos desportos motorizados, a Fórmula-1.
Fale dos seus momentos
alto e baixo?
O meu momento mais alto foi quando venci cinco corridas consecutivas, um sentimento que irei guardar para toda a minha vida, pois pude colocar a bandeira do meu país no lugar que ela merece, entre adversários de grande gabarito, representantes de países como a França, o Israel, a Suíça, entre outros. O meu momento mais baixo foi quando na penúltima prova do ano passado, surgiram problemas mecânicos no meu carro que me impediram de vencer a temporada, tendo que me contentar com o segundo lugar. Consegui superar este infortúnio com a força que os amigos e familiares me foram dando.
Depois de se consagrar vice-campeão asiático, qual foi o posicionamento das autoridades angolanas?
As autoridades nacionais deram-me todo o calor. Notei que o governo angolano encara o desporto com muita seriedade, pois fui recebido pelo ministro e pelo vice-ministro da Juventude e Desportos, Gonçalves Muandumba e Albino da Conceição, respectivamente, que me elogiaram e me garantiram apoio.

Piloto à procura de patrocinadores

Por falar em falta de patrocínios, você não continua a ser apoiado pala Sonangol e pela ChinaSonangol?
Estas duas empresas têm sido muito importantes na minha carreira, pois foi graças ao seu apoio que consegui me impor num campeonato tão disputado como é o \\\"Asiático\\\". Ainda assim, o seu patrocínio era restrito para aquela competição. Agora que vou para a Europa, necessário se torna que façamos novas projecções. Ainda nada existe de concreto. Continuamos a aguardar que estas e outras empresas se manifestem quanto aos apoios, pois quanto maior for o número de patrocinadores, maiores probabilidades teremos de chegar ao nosso objectivo final.
Como vai sair deste empecilho, uma vez que o início das competições está para breve?
Fico realmente um pouco preocupado. Não posso ficar parado, senão corro o risco de \\\"colar\\\". Sabemos que os apoios vão surgir, cedo ou tarde, pois se trata da representação do país no mundo do automobilismo e não vamos desperdiçar a oportunidade de Angola ter o seu nome representado ao mais alto nível. Por isso mesmo é que sigo já esta quarta-feira para a Alemanha a fim de iniciar os treinos. Espero que até antes das competições tenhamos já os apoios necessários.

O sonho de correr na Fórmula-3

Fale da sua adaptação com o monolugar da F 3?
O \\\"F 3 World Series by Renault\\\"é um carro com uma potência extraordinária e que qualquer piloto que ascenda de categorias inferiores sente uma abismal diferença, uma vez tratar-se de um motor muito próximo ao da Fórmula-1. Fiz os primeiros treinos em Portugal e na Espanha, durante os quais os engenheiros deram excelentes referências sobre a minha capacidade de adaptação, a julgar pelos tempos em que estive a andar, que se situavam muito próximo dos pilotos mais rápidos e que já estavam bem familiarizados com os respectivos circuitos.
O facto de ter de competir com pilotos mais experientes não lhe cria algum receio quanto ao resultados a alcançar?
Se formos a ter em conta que a Europa é o centro do automobilismo internacional, poderemos ter uma ideia da projecção que os patrocinadores podem ter, à dimensão mundial, isso em termos publicitários. Quando um piloto chega à Fórmula-1começa-se a ganhar muito dinheiro e prestígio, o que se traduz em benefício para todos os intervenientes. O automobilismo é um dos desportos em que se ganha mais dinheiro no mundo inteiro.
Caso não tiver os apoios necessários, como pretende dar sequência à sua carreira?
(Risos). Seria triste, pois temos agora a oportunidade de fazer com que Angola esteja representada num campeonato que capitaliza uma audiência astronómica e acredito não ser política do nosso Estado descurar oportunidades de tal magnitude. Mas, se fosse o caso, optaria por procurar uma equipa com menos cotação, na qual poderia competir sem os custos das grandes equipas. Só para não ficar parado, ainda que tivesse de voltar para o campeonato asiático, na minha antiga categoria, faria se fosse necessário. Estou confiante que a nossa aposta na Europa será bem sucedida e o país sairá a ganhar.