Jornal dos Desportos

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Reportagens

Quero colocar a Baixa de Cassange no Girabola

Sérgio V. Dias, em Malange - 09 de Outubro, 2010

Equipa da Baixa de Cassange luta para a ascensão ao Girabola de 2011

Fotografia: Eduardo da Cunha

O técnico da Baixa de Cassange assegura que uma das exigências da direcção do clube prende-se com a tentativa de colocar a equipa no Girabola. Hoje, “a julgar pela posição em que estamos na Série A do Campeonato Nacional da Segunda Divisão, podemos lutar para a subida de divisão”, acrescenta Sérmio Moisés Massa. “Se vencermos a equipa Norberto de Castro, na deslocação a Luanda, nesse fim-de-semana, para o jogo da 10ª jornada, e repetirmos a proeza diante do Progresso do Sambizanga, na ronda subsequente, em nossa casa, podemos dar um passo decisivo para a consecução desse desiderato”, diz em gesto de confiança.

O jovem técnico diz estar ciente das dificuldades que as formações de Viana e do Sambila podem criar na Série “A”, mas ainda assim acredita que os seus pupilos vão dar uma grande réplica aos dois adversários. Bany lembra ainda que na primeira volta a Baixa de Cassange venceu em casa a equipa Norberto de Castro por 3-1 e, em contrapartida, perdeu pela marca tangencial de 0-1 com o Progresso, num duelo disputado em Luanda, onde a rapaziada demonstrou grande atitude.

“Por estes e outros factores, acredito que a minha equipa está em condições de vencer o Norberto de Castro, na deslocação a Luanda, e, igualmente, surpreender o Progresso do Sambizanga, quando se deslocar à Malanje”, afirma. Sérmio Moisés Massa lembra também que nessa altura o mais relevante é pensar apenas na prestação da Baixa. Apesar de reconhecer o Domant FC do Bengo, actual 2º classificado da Série A, como um dos fortes concorrentes da equipa malanjina na luta para o lugar que dá acesso à disputa da Liguilha, o técnico malanjino revela que está a fazer um trabalho aturado para a consecução do objectivo traçado.

Sérmio Massa destaca prestação do Progresso

O técnico Sérmio Moisés Massa “Bany” destacou, por outro lado, a grande capacidade que a equipa do Progresso Associação do Sambizanga está a evidenciar no Zonal de apuramento ao Girabola. O timoneiro da equipa da Baixa de Cassange reconhece que a turma do sambila demonstrou “ser um sério candidato à ascensão ao Girabola, na Série A”. Por isso mesmo, Bany diz que não constitui surpresa o facto de o Progresso do Sambizanga estar a liderar a Série. “De facto, o Progresso do Sambizanga está a justificar o estatuto de candidato à ascensão ao Girabola, numa prova onde ainda não teve qualquer deslize”, disse.

O técnico acrescentou que, apesar de tudo isso, a equipa vai continuar a trabalhar para materializar o objectivo de arrebatar o segundo lugar e disse estar pouco preocupado em relação à equipa do Domante FC do Bengo. Sérmio Moisés Massa disse que de momento está apenas preocupado com o conjunto que dirige. “Não vamos cruzar os braços perante a pressão dos nossos principais concorrentes. Antes pelo contrário, vamos trabalhar arduamente para lograrmos o nosso objectivo, que passa pela ascensão ao Girabola de 2011. Queremos, com isso, honrar o nome do nosso clube e, acima de tudo, o da província de Malanje que há muito tempo não tem um representante na fina-flor do futebol nacional.”

Grupo de jogadores
dá confiança ao técnico


Num outro ângulo da longa abordagem, Sérmio Moisés Massa mostrou-se confiante no grupo de atletas da Baixa de Cassange. O jovem treinador lembrou que muitos dos seus jogadores já evoluíram em diferentes equipas do Girabola e, por essa razão, como justifica, “dão garantias de desenvolverem um trabalho que pode conduzir a equipa ao segundo lugar e, consequentemente, disputar o acesso ao Girabola”. Do lote de 22 jogadores à sua disposição, Bany destaca os nomes de Basílio (ex-Clube Desportivo da Huíla), Patrice (1º de Maio de Benguela), Bico Diabo (Kabuscorp do Palanca), Kabala Dick (Académica do Soyo), Henrique, Tecassala e Kunssambo (Juventude do Moxico) e António e Mateco (Sagrada Esperança da Lunda-Norte).

“São jogadores que já evoluíram na maior prova do futebol nacional e fruto disso acumulam experiência suficiente para os objectivos que nos propusemos materializar, que passam pela discussão do segundo lugar e da ascensão ao Girabola de 2011”, reforçou. Porém, o treinador da Baixa de Cassange diz ser importante que se preste o devido apoio à equipa, face às dificuldades financeiras por que passa a direcção do clube. “Pelos resultados que até agora conseguimos alcançar, podemos sonhar com a ascensão ao Girabola. Por isso, julgo ser importante que se forme um grande cordão de apoio à equipa.

A classe empresarial de Malange e o próprio Governo da Província não podem estar à margem desse objectivo traçado, e devem prestar o apoio que for possível. Se a Baixa de Cassange conseguir ascender ao Girabola, isso eleva também o nome da nossa província.  É importante que se faça um cordão de apoio para a consecução do desiderato”, justificou Sérmio Moisés Massa.

“Girabairro marcou
a minha carreira”

O momento mais marcante da carreira profissional de Sérmio Moisés Massa ocorreu em 2000, quando ao serviço da formação das Estrelas da Madeira venceu a edição do Girabairro, competição também designada “Taça do Presidente”. “A conquista da maior prova de bairros do país traduziu, até agora, o momento mais relevante da minha carreira como treinador de futebol”, recordou. Para além da experiência acumulada na equipa das Estrelas da Madeira, Bany recorda outros clubes em que trabalhou antes de selar o contrato com a Baixa de Cassange, a 7 de Fevereiro de 2009. Trata-se das Estrelas de Angola (de 2001 a 2007), Juventude do Palanca (2007 a 2008) e Kabuscorp do Palanca (2005 e 2007).

No clube de Bento Kangamba trabalhou como técnico-adjunto de Afonso Nkondi. Nascido a 6 de Junho de 1966, no Chitato, Lunda-Norte, Sérmio Massa sublinha que independentemente de passar por essas formações do Girabairro, “Provincial” de Luanda e 1ª Divisão Nacional, frequentou alguns cursos de treinadores de futebol. Entre esses, destacou os feitos na região brasileira de Curitiba, em 1994, no Centro de Formação Guang Dong, na China, em 1998, e outro em Luanda, no ano de 2007, que contou com o apoio da Casa Real. De resto, hoje, nas vestes de treinador da Baixa de Cassange, Bany espera fazer história colocando-a na maior prova no Girabola, um objectivo que encara como difícil, “mas que não se traduz com impossível”.

Selecção Nacional
obrigada a vencer

A campanha da Selecção Nacional de futebol em honras na corrida ao Campeonato Africano das Nações (CAN) de 2012, que a Guiné Equatorial e o Gabão vão albergar conjuntamente, também mereceu o comentário do técnico principal da equipa da Baixa de Cassange. Sémio Moiséis Massa projecta uma campanha “extremamente complicada”, sobretudo pela derrota consentida no desafio da primeira jornada, em que os Palancas Negras baquearam aos pés do Uganda, por 0-3, em Kampala, no mesmo reduto onde tinham já sido humilhados por 1-3, em 2008.

Em consequência do deslize diante dos ugandeses, na primeira jornada do Grupo J, Bany diz ser importante conquistar uma vitória no jogo de hoje, no Estádio 11 de Novembro, diante da Guiné-Bissau, para se reavivar as hipóteses de qualificação à Taça de África das Nações de 2012. “É um jogo deveras complicado para a nossa selecção, porque hoje a Guiné-Bissau tem muitos talentos a evoluir em França, Espanha e Itália. São países com campeonatos bem disputados e, por arrasto, jogarão em Luanda com o propósito de contrariar os Palancas Negras. Estão moralizados, depois de entrarem com o pé direito nas eliminatórias, ao vencerem em casa a similar do Quénia.”

Para Moisés Massa é importante que Angola alcance, hoje, uma vitória, porque “a acontecer o contrário, pode-se começar a desenhar mais um insucesso da equipa nacional”. O técnico da Baixa de Cassange assegurou ainda que face ao seu melhor posicionamento no “ranking” FIFA/Coca-Cola, os angolanos podem chamar a si o triunfo no jogo de hoje. No entanto, adverte que a Selecção Nacional deve precaver-se dos confrontos que vai ter nessa campanha diante do Quénia (em Nairobi e Luanda) e do Uganda (igualmente em casa), por serem conjuntos muito fortes. “Os atletas destas duas selecções têm grande resistência, porque jogam em altitude elevada e isso pode também dificultar a nossa selecção”, disse o jovem.

Não obstante, Bany tem confiança no trabalho de Zeca Amaral, à frente dos destinos dos Palancas Negras. “É um treinador experiente. Já o demonstrou em diferentes equipas do Girabola. Acredito que vai formar um conjunto coeso e capaz de ultrapassar todas as possíveis adversidades.” E para que tudo corra a preceito, o jovem técnico diz ainda ser importante que a selecção angolana vença os três jogos que vai realizar em casa e tente, no mínimo, conquistar um ponto nos restantes dois desafios extra-muros.