Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Quero resgatar a mística do ASA"

Avelino Umba - 04 de Março, 2010

José Diniz, novo técnico do atlético sport aviação

Fotografia: Jornal dos Desportos

Assumiu recentemente o cargo de treinador da equipa do Atlético Sport Aviação. Qual é o objectivo para o Girabola-2010?
De uma ou de outra forma, é acima de tudo contribuir, da melhor forma, com coisas positivas para que o ASA atinja os patamares desejados neste Girabola. Creio que, como jogador internacional de juniores e de esperanças que fui, também joguei alguns anos na Primeira Liga, no Leiria e no Espinho, posso fazer um bom trabalho. Iniciei cedo a minha carreira de treinador, aos 32 anos de idade, no Belenenses, que a partir daí, foi um percurso feito, quase na maior parte, na Liga de Futebol Português.
Há dois ou três anos fui convidado a treinar na Primeira Liga, mas acabei por não aceitar porque financeiramente não me justificava a mudança. Hoje, nas vestes de treinador do ASA, trago o meu saber para aplicar na equipa de forma a voltar à mística que a agremiação ostentou anos atrás.

Que filosofia de trabalho pretende utilizar para a concretização desta promessa?
Tive muito trabalho, graças a Deus, nesses anos todos, ao longo da minha carreira. Tenho maturidade suficiente para abraçar qualquer tipo de projecto e, como tal, espero com esta minha vinda ao ASA contribuir com algo positivo, até porque me parece que este Girabola será o mais competitivo. Assim sendo, no futebol as promessas são sempre complicadas. E explico: é preciso reunir primeiro as condições necessárias para os bons resultados. Há uma coisa que garanti ao presidente do clube e garanto também aos jornalistas e ao povo angolano: o meu comportamento vai ser de ansiedade, seriedade, responsabilidade e respeito por toda a gente. Aí posso garantir, porque passa por mim e pela minha personalidade. 
 
Que razões o levaram a escolher Angola, em particular o ASA, para trabalhar?
A ideia de vir para Angola trabalhar, é de há alguns anos, a esta parte. O desporto angolano despertou-me alguma atenção, pois me parece também que o mesmo precisa de algumas reestruturação e um certo apoio nas camadas jovens, com um forte trabalho. Foi assim que, de certo modo, ganhei vontade de vir trabalhar para Angola, embora há dois anos tivesse já algo preparado nesse sentido, mas infelizmente não se concretizou, tendo apenas feito este ano. Portanto, tudo aconteceu com a apresentação do meu nome ao presidente do ASA, que tentou saber informações a meu respeito. Este foi a Portugal, onde conversamos três ou quatro vezes e acertamos a minha vinda para Angola, no sentido de trabalhar com a equipa principal do ASA.

Para quantas épocas assinou?
Tenho um contrato de três anos, renováveis por igual período caso as parte se interessarem. 

O contrato o satisfaz?
Acredito que sim, caso não me satisfizesse, não teria vindo. Não esteve em causa razões financeiras, mas sim, acima de tudo, o profissionalismo. O futebol português atravessa a nível de treinadores uma certa crise. Há dificuldades em termos de trabalho, os clubes vivem situações financeiras extremamente difíceis e pagar para trabalhar não é meu apanágio.

Equipa tem um bom
balneário


O que diz sobre as condições de trabalho?
Das condições de trabalho, no que tange às infra-estruturas do clube, o presidente falou a verdade. Elas precisam de ser melhoradas. Existe uma grande vontade sobre este facto. Há garantias, por parte do presidente, de conseguir dar melhores condições, ainda este ano e no próximo, para o ASA estar mais próximo das outras equipas mais conceituadas do Girabola. Julgo que não é trabalho fácil, há coisas que precisamos, mas, de qualquer modo, e como referi, estamos cá para tentar ultrapassar as dificuldades e dizer mais uma vez que quando fomos contratados nãos nos prometeram os céus, mas sim a realidade do clube.

Como avalia o ambiente no clube?
Estou cá há pouco tempo. Conversei com pessoas que conhecem a equipa e me disseram que o ASA tem uma vantagem de ter um bom balneário. Tem seis ou sete jogadores que já estão há muitos anos na equipa, levaram o ASA a ser campeão do Girabola e sentem o clube como o seu local predilecto. Claro que tenho tido algumas dificuldades, no cumprimento de horário, na presença aos treinos, situação que desconhecia. Há algumas dificuldades em Angola, em especial em Luanda, que na Europa não existe, sobretudo no que se refere ao trânsito automóvel. Sabemos que, quando chove, a situação fica mais caótica. Há ruas que ficam intransitáveis, o que acaba por dificultar a vida profissional e muitos atletas aproveitam a situações, o que não é bom para eles. Acho que devia haver mais profissionalismo por parte de alguns atletas.

Muitos jogadores atrasam-se sem uma justificação plausível?
É precisamente isto! Há jogadores que chegam muito atrasados aos treinos, embora reconheço o trânsito infernal de Luanda, extremamente complicado, sem dúvida alguma. Isso deve merecer mais cuidado, porquanto, normalmente são sempre os mesmos. Se quisermos cumprir com as nossas obrigações, temos de levantar da cama o mais cedo possível. Estamos a trabalhar para isso, com muito diálogo, no sentido de ultrapassarmos as situações que nada tem a ver com o profissionalismo dos jogadores. Espero que no futuro o balneário seja melhor.

"Há muita coisa que deve ser melhorada"

A sua estreia foi coroada com um empate frente ao Recreativo do Libolo. Foi o resultado mais desejado para início de prova?
Queria que fosse melhor, claro. Gostaria que tivéssemos ganho o jogo de estreia no Girabola. Quem não gosta de ganhar? Mas prontos... Vou fazer uma análise do jogo. Pelas informações, pelos conhecimentos, pelo jogo que o Libolo fez, pelo treinador que tem, pelo trabalho que fez na época passada, pelos jogadores que contratou, era uma equipa extremamente difícil, acrescido de algumas limitações por parte do ASA. Por conseguinte, os aspectos meramente ofensivos, sem descurar, como é óbvio, as transições ofensivas. Houve efectivamente grande respeito pelo adversário. Penso que temos de ter isso por toda gente e tentar fazer uma leitura correcta, sem perder a humildade.

Depois do empate, com que impressão fica dos adversário?
Temos adversários uns que teoricamente são mais difíceis e outros mais acessíveis.

Como avalia a equipa nesta fase?
A equipa está boa, pois não temos muitas lesões. Temos alguns problemas em termos de plantel, mas que são para se resolver. Fico mais confiante, embora já o tivesse no início do meu trabalho.

Encontrou algumas dificuldades que mereçam intervenção imediata?
Uma equipa que renova o grupo técnico tem a necessidade de rever algumas situações de ordem organizacional. O ASA não é uma excepção. É neste sentido que estamos a trabalhar, sobretudo ao nível das infra-estruturas. Temos estado a conversar muito com a direcção, mormente com o Joaquim Diniz, que foi meu colega em Portugal, e não há duvida alguma que estamos bem. Se foram buscar um treinador português, não é ele que vai fazer as obras nem tão pouco gastar o seu dinheiro para o efeito. Agora, como treinador, tenho outras obrigações, e, na verdade, o ASA tem muita coisa que tem de melhorar. Este melhorar não pode ser porque o Diniz manda ou quer. Não é bem assim! As duas partes têm de sentar e ver o que deve se fazer. Existem dois aspectos que são o querer e o poder.

"Não falo sobre arbitragem no sentido negativo"

Sempre que o ASA possui bons jogadores, aparecem outras equipas interessadas e muitos acabam mesmo por se mudar. Um comentário...
É mau para o ASA, pelo facto deste não poder aproveitar os jogadores de formação. Como treinador, não gostaria que isso no futuro viesse acontecer. Acredito que isso tem a ver com valores financeiros, porque de outra maneira não acho que o clube dispensasse os seus atletas por opção técnica, sem qualquer dividendo, o que de certa forma prejudica consideravelmente a sua equipa. É de opinião que o sucesso e a qualidade de uma equipa dependem da organização interna do clube. Muito. Não há dúvida alguma que as condições, organização e os papéis não jogam mas ajudam. Um clube que não tem organização, os seus atletas não se sentem bem. Logo, a equipa tem um futuro ameaçado.

Muitos técnicos queixam-se da arbitragem. O que acha disso?
Já li e ouvi muita coisa contra a arbitragem e garanto-lhe o seguinte: sempre que eventualmente um arbitro ajuizar o jogo do ASA, enquanto eu for técnico, nada vou comentar contra o árbitro. É uma promessa, um juramento que faço. Por outro lado acredito que a arbitragem angolana já está dotada de conhecimentos suficientes, pelo que deve se respeitar o trabalho destes. Todo o ser humano falha. Se houver a necessidade de elogiar o trabalho de alguém farei de coração aberto, mas se for para falar da arbitragem no sentido negativo não contem comigo.

A formação de juízes é o antídoto para melhorar a sua qualidade?
Perfeitamente. Tudo aquilo que passa pela actualização, que envolve quer a nível oficial quer a nível particular e mesmo até á nível de avaliações física e técnicas, pode contribuir para uma melhoria na arbitragem. Se quisermos um Girabola sério, as arbitragens também devem acompanhar as emoções, até porque eles fazem parte dos espectáculos.

Ping Pong

Nome: José António
Diniz Pereira Ferreira
Data de Nascimento:
11.1.1956
Naturalidade: Vieira de Leiria
Nacionalidade: Portuguesa
Estado civil: Divorciado
Filhos: Quatro
Altura: 1,69 m
Peso: 72 Kgs
Clube do Coração: Sporting  
Clube de Portugal
Desporto ideal: Futebol
Tabaco: Fuma 
Bebida alcoólica: Consome
Número de calçado: 42
Princesa encantada: A filhas
Música: Fado
Verão ou Inverno: Verão
Cor preferida: Preto
Religião: Católica
Esplanada ou discoteca?
Esplanada
Boleia ou volante: Volante
Droga: É contra
Poligamia: É contra
País: Portugal
Província: Algarve