Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

"Quero ser o melhor xadrezista de Angola nos próximos tempos"

João Francisco - 04 de Outubro, 2013

Cláudio Félix, Venceu este ano o seu primeiro torneio internacional denominado SARPCCO

Fotografia: Eduardo Pedro

O campeão nacional júnior de Xadrez de 2001, Cláudio Félix Sebastião, 28 anos, venceu este ano o torneio internacional de Xadrez da SARPCCO, que se disputa anualmente entre os representantes dos Ministérios do Interior dos Países da região austral do continente. Agora, quer ser o número um do ranking angolano.

Um dos novos valores do xadrez da actualidade quer concretizar o seu grande sonho: ser o melhor jogador de Angola de xadrez nos próximos tempos.

Mas, para isso, ainda vai ter de “comer o pão que o diabo amassou” e destronar o Mestre Internacional Adérito Pedro, que regressou este ano à ribalta, com a obtenção de mais um título no Campeonato Nacional Individual Absoluto.

A favor de Cláudio Félix, que se classificou na 11ªposição na prova recentemente disputada no Instituto Médio Industrial de Luanda (IMIL), joga o facto de estar na “idade das ambições” e se sentir inspirado com o seu primeiro e mais recente êxito internacional.

Cláudio Félix pratica xadrez desde os 9 anos, incentivado pelo tio Reis Campos, no Bairro Sambizanga na “Moea”. Em 1996, começou a construir a sua carreira de xadrezista federado, ao ingressar no Grupo Desportivo da Nocal, na companhia do primo Daniel Tomás, “outro dos meus incentivadores”, refere, ao explicar o início da sua trajectória no xadrez.

Daí para a frente, foi só foi  gerir o “vício” até se sagrar campeão nacional de juniores, em 2001.

“Os momentos que considero mais importantes nesta minha carreira, onde ainda espero vir a dar mais, foi quando fui campeão nacional de juniores em 2001 e, muito recentemente, ao vencer o torneio internacional da SARPCCO, que decorreu em Windhoek (Namíbia), entre 16 e 30 de Agosto deste ano”, sublinhou.

No Torneio Internacional da SARPCCO, integrou a Selecção Nacional do Ministério do Interior de Angola (Polícia Nacional), da qual também fizeram parte o Mestre Internacional Armindo de Sousa, Adriano Pacavira e José do Rosário.

A prova internacional individual SARPCCO da Namíbia, que teve ainda a participação de representantes da África do Sul, Botswana, Lesoto e Zimbabwe, foi ganha pelo xadrezista angolano, com seis pontos em nove possíveis. Em termos colectivos, Angola ocupou a segunda posição, atrás do Zimbabwe e à frente da África do Sul, terceira classificada. Para Cláudio Félix, “quando fui indicado como representante de Luanda no Campeonato Nacional Individual Absoluto para jogar pela primeira vez a prova, em representação da Associação Provincial de Xadrez de Luanda (APXL)”, viveu um dos momentosmais marcante.sua vida.


GERAÇÃO

“Jogadores que começaram comigo
já foram campeões absolutos”


Na história do Xadrez angolano, são raros os jogadores que se sagraram campeões nacionais juniores e não chegaram ao título absoluto, pelo que Cláudio Félix não deve fugir a regra.

Por isso, o jogador defende que quem neste momento dá as cartas no xadrez nacional são os xadrezistas da sua geração, como Eduardo Pascoal (que também foi campeão nacional de juniores e já duas vezes campeão nacional Absoluto), João Simões, Casimiro António, Jesus Pimentel (ambos ex-campeões nacionais juniores) Jesus Pimentel e Júnior da Silva.

Cláudio Félix, que actualmente representa o Colégio Polivalente Aldanuel, além de ter passado pelo GD Nocal, jogou também pelo Atlético Sport Aviação (ASA) quando a modalidade foi extinta na agremiação do Aeroporto, com a saída da direcção de Branco Ferreira e a entrada de João Andrade, em 2001. Foi um dos jogadores fundadores da Escola de Mestres, onde todos os xadrezistas do ASA foram parar, passando ainda pelo Colégio Herinália Janeth e pelo Núcleo de Xadrez da Viana.

O ex-campeão nacional de juniores também dá aulas de xadrez nos tempos livres, com base em seminários realizados pela APXL, o que o matém ligado a esta instituição através da formação específica como professor da modalidade.


PONTOS FORTES E FRACOS
“Enviar atletas
às melhores escolas”


Para Cláudio Félix, os pontos fortes do xadrez angolano aconteceram quando, nos anos 80 e 90, Angola se sagrou campeã africana de juniores durante cinco anos consecutivos.
 
“Como inconvenientes temos a falta de apoios e acompanhamento dos escalões de formação que, no futuro, vão ser o verdadeiro viveiro da modalidade, e a ausência de clubes com potenciais patrocinadores”, referiu.

O jogador destacou, igualmente, o excelente trabalho que tem vindo a ser efectuado pela Escola MACOVI, que tem sido considerada a grande vanguarda nos escalões de formação.

“Se quisermos ter grandes Mestres no futuro, a Federação Angolana de Xadrez (FAX) tem de voltar a enviar os melhores xadrezistas angolanos para as melhores escolas de xadrez a nível mundial, como aconteceu no passado, com o envio dos Mestres Internacionais Adérito Pedro e Eugénio Campos, na Escola do Grande Mestre Russo Anatoly Karpov, na Suécia”, afirmou.


POR DENTRO


Nome completo:
Cláudio Félix Sebastião
Filiação: Aníbal Moreira e Madalena Vieira Lopes de Aguiar
Nascimento: A 28 de Novembro de 1984
Estado Civil: Solteiro (vou fazer o pedido à Cristina Luís no dia 30.11.2013)
Filhos: Uma (Josefa Sebastião)
Peso: 62 kg
Altura: 1,70 m
Prato Preferido: Funji de Calulu
Bebida: Sumo
O que faz nos tempos livres: Leitura
Número de Calçado: 41
Clube Preferido: 1º de Agosto e Barcelona
Cidade: Londres
País: Angola
Perfume: Boss
Religião: Pentecostal
Ídolo: A minha Mãe
Alguma vez mentiu:
Sonho/desejo: Ser engenheiro químico e o melhor xadrezista de Angola