Jornal dos Desportos

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Reportagens

Real e Barcelona no topo de receitas à escala mundial

12 de Janeiro, 2012

Cristiano Ronaldo tém um peso importante para o PIB espanhol

Fotografia: AFP

O ano de 2011 foi marcado por um número grande de confrontos entre os rivais Real Madrid e Barcelona, graças aos jogos da Liga Espanhola, Taça do Rei e Liga dos Campeões. As duas equipas são as que mais geram receitas no desporto global, incluindo as formações dos EUA. A BDO, empresa inglesa de consultoria, utilizou, para realizar a análise, as demonstrações financeiras históricas publicadas pelos clubes. O futebol espanhol é um mercado com características bastante particulares, já que em poucos mercados do futebol global há tamanha concentração de receitas geradas nas mãos de apenas dois clubes.

As receitas de Real Madrid e Barcelona, principais clubes do país representam cerca de 52 por cento da receita gerada pela Liga Espanhola, um dos maiores índices do futebol mundial. Os dois clubes, além de serem os maiores representantes do futebol espanhol e europeu em geração de receitas, apresentaram uma evolução contundente nos seus recursos gerados, sobretudo com o desenvolvimento comercial das suas marcas. Em 2011, os clubes apresentaram receitas consolidadas de 829,7 milhões de euros. Nesse valor, estão incluídos os recursos gerados com marketing, sócios, exploração do estádio, direitos de transmissão e jogos amistosos.

A receita consolidada não é apenas representativa para a Liga Espanhola, mas também para a economia do país. A receita gerada pela dupla representou 0,079 por cento do PIB da Espanha em 2010. Em 2001, esse valor era de 0,038 por cento, e segundo a projecção da BDO RSC a expectativa é que até a temporada de 2012/13, as receitas da dupla representem 0,10 por cento do PIB do país. Isso significa que, para cada mil euros produzidos em Espanha, um euro vai ser gerado de forma directa por Real Madrid e Barcelona.
Por outro lado, das 42 equipas que fazem parte da Liga BBVA (primeira liga espanhola) e Liga Adelante (segunda liga espanhola), 30 chegaram a um acordo que prevê uma forma mais equitativa para a partilha das receitas provenientes dos direitos de transmissão televisiva da liga, reduzindo o fosso que separa as grandes das pequenas equipas.

Em 2010/2011, a venda dos direitos de transmissão televisiva dos 42 clubes da primeira e segunda ligas espanhola, cifrou-se em cerca de 625 milhões de euros. Desse valor, Real Madrid e FC Barcelona arrecadaram cerca de 22,5 por cento cada, enquanto por exemplo os clubes mais pequenos da primeira liga arrecadaram pouco mais que 1,5 por cento. Embora o acordo não seja unânime, Real Madrid e FC Barcelona concordaram em reduzir as suas percentagens nas receitas televisivas de 22,5 para 17 por cento, significando que em vez de arrecadaram em conjunto 280 milhões de euros, passam a ganhar 212,5 milhões de euros anuais, levando em conta o valor das receitas TV de 09/10. Este acordo prevê também a redução nas receitas TV conjuntas de Atlético Madrid e Valencia de 13 para 11 por cento, enquanto as 22 equipas da segunda liga, têm direito a nove por cento da receita, mais do dobro da receita actual. No entanto alguns clubes, como o Sevilha, At. Bilbao, Villarreal, Espanhol, Zaragoza e Real Sociedad, consideram insuficiente este acordo.


As finanças
do novo campeão francês

Após o OSC Lille se ter tornado o novo campeão francês e vencido a Taça de França, pode dizer-se que o sucesso desportivo e comercial da equipa começou em 2004, quando o empresário e produtor de cinema Michel Seydoux se tornou o maior accionista e presidente do clube. Seydoux, ao contrário da maioria dos novos proprietários de clubes de futebol, adoptou uma estratégia de longo prazo em detrimento de fortes injecções de capital. Em sete anos, os resultados são visíveis, com duas participações na Champions League e arrecadando os dois maiores troféus de França. O Lille em termos económicos, não é uma das maiores potências do futebol francês, mas é o perfeito exemplo da importância dos direitos televisivos para o equilíbrio das contas, com um peso de 69 por cento nas receitas totais do clube.


Posição financeira do clube

No final de 2009/10, o Lille era apenas o quinto clube francês em termos de receitas (55,2 milhões de euros), cerca de três vezes menos que Lyon (146 milhões de euros) e Marselha (143 milhões de euros), duas vezes menos que o Bordéus (116 milhões de euros) e atrás do Paris SG (83 milhões de euros). As receitas do Lille eram repartidas da seguinte maneira: 69 por cento de direitos televisivos (38 milhões de euros), nove por cento relativos à bilheteira (4,9 milhões de euros) e 22 por cento em receitas comerciais (12,3 milhões de euros).

O Lille obteve a quarta maior receita televisiva dos 20 clubes da liga francesa, gerando 38 milhões de euros, dos quais 35 milhões provenientes da venda colectiva da Ligue1 (onde todos os clubes tiveram 12 milhões garantidos) e três milhões da Liga Europa. Os custos do clube em 10/11 cifraram-se em 78,1 milhões de euros, com a massa salarial a atingir os 48,6 milhões de euros (a quinta maior da liga), mais do dobro do valor do que em 2005, onde o clube gastava em salários 18,7 milhões de euros. No entanto, a compra/venda de jogadores gerou lucros de 22,7 milhões de euros, gerando um resultado operacional antes de impostos de 500 milhões de euros. Em termos de endividamento, o Lille pode orgulhar-se de ser um dos cinco clubes franceses sem dívidas bancárias.