Jornal dos Desportos

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Reportagens

Real Madrid fez história no relatório de contas

04 de Março, 2010

famosa Liga do dinheiro Real Madrid não ficaram muito longe desse número

Fotografia: AFP

Uma semana depois de a UEFA ter apresentado um estudo, segundo o qual os 732 clubes das primeiras divisões europeias gastaram, em 2008, mais 600 milhões de euros do que ganham, a Deloitte actualizou a sua famosa Liga do Dinheiro com a novidade de que as receitas do Real Madrid não ficaram muito longe desse número, provavelmente já com uma ajuda de Cristiano Ronaldo. Segundo a empresa de auditorias, os madrilenos tornaram-se o primeiro clube de um desporto colectivo a ultrapassar os 400 milhões, apesar de nada terem rendido no relvado.

Nesse particular, sobressai o Barcelona, guindado ao segundo lugar por um aumento dos ganhos na ordem dos 57 milhões, proporcionado, claro, pelo pleno de vitórias em 2009: Liga espanhola, Liga dos Campeões, Taça de Espanha e Mundial de Clubes. Ainda assim, a receita do Manchester United seria suficiente para incomodar a dupla espanhola, se a desvalorização da libra não a mingasse para os 327 milhões.

Como quase sempre, no ranking só há clubes dos cinco principais campeonatos e são os ingleses e alemães e dominá-lo, mas mesmo entre eles há discrepâncias interessantes. A Deloitte aponta como exemplo os 161 milhões de euros recebidos pelo Real Madrid na coluna dos direitos televisivos, um valor superior aos ganhos homólogos dos dez clubes que estão fora do top 10, embora dificilmente esse lote possa queixar-se: segundo o estudo da UEFA, 88 por cento das receitas televisivas são geradas pelas cinco maiores ligas, de cujas fileiras se destaca um grupo de vinte clubes que concentram 54% das dívidas bancárias de todo o futebol europeu e 64% dos bens patrimoniais.

1 Real Madrid (ESP) 401, 4
2 Barcelona (ESP) 365, 9
3 Man. United (ING) 327,0
4 B. Munique (ALE) 289,5
5 Arsenal (ING) 263,0
6 Chelsea (ING) 242,3
7 Liverpool (ING) 217,0
8 Juventus (ITÁ) 203,2
9 Inter de Milão (ITÁ) 196,5
10 Milan (ITÁ) 196,5
11 Hamburgo (ALE) 146,7
12 Roma (ITÁ) 146,4
13 Lyon (FRA) 139,6
14 Marselha (FRA) 133,2
15 Tottenham (ING) 132,7
16 Schalke 04 (ALE) 124,5
17 Werder Bremen (ALE) 114,7
18 B. Dortmund (ALE) 103,5
19 Man. City (ING) 102,2
20 Newcastle (ING) 101,0

FC Porto gasta 3,2 milhões
de euros com intermediários


O FC Porto gastou quase 3,2 milhões de euros com intermediários na compra e venda de futebolistas durante o primeiro semestre da época 2009/10, segundo o relatório da SAD portista, enviado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). O tetracampeão nacional despendeu 2,13 milhões de euros com custos de mediação nas alienações de passes de jogadores e 1,06 milhões de euros nas aquisições, de acordo com o documento publicado na página oficial na Internet do regulador do mercado. No capítulo das vendas, o valor resulta, essencialmente, das transacções de Lisandro Lopez, Cissokho, Ibson e Bolatti, que proporcionaram um encaixe de 32.759.403 euros líquido de vários encargos, entre os quais os custos de mediação.

As entidades beneficiárias dos 2,13 milhões desembolsados pelo FC Porto foram a Robi Plus Ltd (no caso de Lisandro), a Idoloasis - Soc. Unipessoal Lda (Cissokho), a Brazil Soccer Sports Management Ltda (Ibson) e a Natland Financieringsmaatschappij B.V. (Bolatti).
Os processos de contratação de jogadores foram intermediados pelas entidades Gol Football, Convergence Capital Partners, Natland Financieringsmaatschappij B.V., Deaubert B.V. e pelo agente Ciro J San+chez, que receberam 1,06 milhões de euros pelos seus serviços. O relatório e contas do FC Porto é o único dos três grandes que especifica as entidades beneficiárias dos custos com a intermediação na contratação e alienação de futebolistas

Camisolas de milhões

Michael Jordan foi um dos melhores jogadores de todos os tempos na NBA e LeBron James, uma das actuais grandes imagens de marca da competição, decidiu prestar-lhe tributo de uma forma original: a partir da próxima época, o astro dos Cleveland Cavaliers vai deixar de envergar a camisola 23, a mesma utilizada por "Air" Jordan nos seus tempos áureos dos Chicago Bulls, e passar a vestir o 6, número que já utilizou com a equipa olímpica dos Estados Unidos e que é também o do dia de nascimento do seu primeiro filho.

"Tomei a decisão e já enviei o pedido à NBA. Vou ser o 6", afirmou "King" James, para muitos o melhor jogador da actualidade, mas que, em Novembro último, já havia referido que ninguém, nem mesmo ele, era "digno de carregar aquele número nas costas".
A NBA ainda não se pronunciou sobre o pedido do jogador dos Cavs, mas os elevados rendimentos que se estimam com a venda de camisolas com o novo número de James serão demasiado interessantes para uma eventual negativa. Isto porque as receitas de merchandising, que se esperam enormes nesta operação, serão bem-vindas para a liga, sendo posteriormente distribuídas por todas as equipas.

Este "acto generoso" de Lebron James já começou a ser criticado por alguns especialistas, que acusam a Adidas, marca que detém a exclusividade dos equipamentos na NBA, de estar a fazer mais uma operação de marketing. Por exemplo, em 2006, quando Kobe Bryant passou do número 8 para o 24, a sua nova camisola rapidamente se tornou número um de vendas por todo o mundo, gerando receitas na ordem dos biliões de dólares. E LeBron James, a estrela meteórica da liga, ainda não conseguiu impor-se em todos os mercados, continuando a ficar atrás de Kobe Bryant no que toca a vendas. Além do tributo a um dos grandes jogadores da história, esta é realmente uma excelente acção de publicidade.