Jornal dos Desportos

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Reportagens

Recebeu po com refresco no primeiro prmio

30 de Janeiro, 2012

O bonito do desporto lutar pela vitria

Fotografia: AFP

Um dos passatempos predilectos deste espanhol é, sem dúvida, o ciclismo. De diversão, Indurain encarou o desporto profissionalmente e é, hoje, o único ciclista a ganhar a Volta a França e a consagrar-se pentacampeão. A postura elegante e a força ao pedalar tornaram-se a sua imagem de marca, rendendo-lhe o respeito dos adversários e a admiração do público.

Na década de 90, participou em corridas em todo o mundo, vencendo praticamente todas graças à sua invejável condição atlética, transformando-se, sem dúvida, num ícone do século XX. Nascido a 16 de Julho de 1964, Idurain começou a praticar desporto ainda em criança, entrando para o ciclismo em 1976, no clube de Villava, cidade onde deu continuidade aos estudos.

Contrariado com a mudança, o garoto canalizou a sua energia para o ciclismo. Antes, porém, praticou esqui, lançamento de dardo e disco, salto em comprimento e salto à vara. Ganhou a sua primeira bicicleta aos nove anos, com os irmãos Prudêncio, Isabel e Maria. Aos 12 anos, numa povoação vizinha de Elizondo, ganhou a primeira corrida, a segunda em que participava, e como prémio recebeu pão com refresco.

Mas o reconhecimento profissional aconteceu em 1983, quando venceu os campeonatos de Navarra, em Espanha. “Nunca pensei que ia dedicar-me ao ciclismo profissional. Quando cheguei a Aficionados, comecei a perguntar-me se ia ou não ganhar a vida em cima de uma bicicleta”, comentou o atleta. Em 1985, foi contratado pelo Reynolds, o que significou um salto na sua carreira. A prova de fogo foi a Tour de França.

Nas duas primeiras disputas, 1985 e 1986, abandonou a prova. Ficou em 97º lugar no ano seguinte, 47º em 88, 17º em 89 e décimo em 90, anos de fiel escolta de Pedro Delgado. Os cinco anos seguintes foram definitivos para projectarem o atleta entre um dos mais consagrados na categoria, juntamente com Jacques Anquetil, Eddy Merckx e Bernard Hinault, todos campeões internacionais. Na década de 1990, recebeu o patrocínio da Banesto, o que lhe permite disputar provas que lhe renderam prestígio.

O italiano Cláudio Chiappucci, contemporâneo de Indurain, costumava chamar-lhe “O Extraterrestre” e Gianni Bugno, da mesma geração, chamava-lhe “A Moto”, o “Miguelão”. A resposta era sempre a mesma: “Não sou nenhum extraterrestre, ainda que às vezes esteja na lua”. Alguns rivais, como o próprio Chiappucci, Franco Chioccioli e Marco Giovanetti, chegaram a reconhecer que, em mais de uma ocasião, o atleta cedeu o pódio elegantemente.

Essa mesma elegância permitiu-lhe não perder o seu semblante, mesmo nas subidas mais íngremes e nas exigências do contra-relógio durante uma competição. “Vem aí a atacar, com o sorriso nos lábios, e não se sabe se está esgotado, se está a dissimular ou a rrir-se de nós”, comentava Chiappucci. Muito antes de ganhar o seu quinto Tour consecutivo, Indurain já estava a preparar-se para deixar as pistas.”Cheguei ao máximo. O bonito do desporto é lutar pela vitória. Se outro atleta é melhor que nós, não podemos fazer nada. Sempre aceitei as derrotas. Levar a glória muito a sério faz com que a derrota seja muito forte”, costumava dizer nos dias de vitória.


Klaus Dibiasi
O atleta do século


Klaus Dibiasi tinha 17 anos de idade quando ganhou a sua medalha de prata na plataforma de 10 metros nos Jogos Olímpicos de Tóquio em 1964. Para a Itália, a medalha de Dibiasi representava muito. Pela primeira vez na história da disciplina, um italiano subia ao pódio, cedendo o lugar de honra por apenas 1,04 ponto.

Foi tão grande a repercussão da obtenção dessa medalha, que ao regressar à localidade de Bolzano as autoridade decidiram investir no desporto da nova estrela. Como a pista em que treinava Dibiasi era ao ar livre, optaram por cobri-la, para que o medalhista pudesse treinar durante o duro Inverno. Assim, não ia ver as suas hipóteses de futuras vitórias diminuídas. A manobra deu os seus frutos. Com o passar dos anos, Dibiasi deu à Itália três medalhas de ouro e duas de prata em diferentes edições dos Jogos Olímpicos.

Não é nada fácil um atleta manter-se em cima nesta modalidade, na qual a idade desempenha um papel fundamental perante as limitações físicas e de coordenação que o próprio corpo humano vai impondo, mas Dibiasi superou-as. O destino quis que Dibiasi nascesse em Solbad Hall, Austrália, a 6 de Outubro de 1947. A sua passagem para a galeria de atletas do século pode ser considerada lógica, já que o seu pai Carlo tinha sido um campeão nacional em Itália, de 1933 a 1936. Sempre sob as ordens dele, desde jovem Dibiasi foi moldando o seu estilo e a técnica que o caracterizaram, adquirindo também a disciplina necessária para a prática desportiva.

A capacidade de Dibiasi não se manifestou somente na obtenção de ouro, mas também na grande diferença de pontos que conseguia em relação aos rivais. No México, em 68, o italiano venceu com pouco mais que 10 pontos o mexicano Álvaro Gaxiola; em Munique 72, impõe-se novamente, desta vez com quase 24 pontos, sobre o americano Richard Rydze. Em Montreal, Dibiasi teve de se empenhar mais. Se queria o seu terceiro título consecutivo devia arriscar tudo.

A principal causa dessa pressão estava num novo talento que, como ele 12 anos antes, aspirava a abrir caminho rumo ao ouro: Greg Louganis, dos Estados Unidos. Apesar da pressão, Dibiasi conseguiu o seu terceiro título olímpico na plataforma e outra vez com uma margem cómoda de 23 pontos sobre o seu concorrente mais próximo, Louganis. O Trampolim não era o seu forte. Todavia, conseguiu uma medalha de prata nos Jogos Olímpicos do México em 68. Assim entrou Dibiasi para o círculo dos atletas do século.