Jornal dos Desportos

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Reportagens

Recreativo do Chinguar está mergulhado em dificuldades

José Chaves, no Chinguar - 17 de Setembro, 2010

Reabilitação das infra-estruturas trará fundos para a agremiação

Fotografia: José Chaves

O Clube Recreativo do Chinguar foi fundado a 15 de Agosto de 1945. Mesmo após a Independência Nacional, era representada, em várias provas provinciais e nacionais, nas modalidades de futebol, basquetebol e desportos motorizados. Nos dias que correm, vive imensas dificuldades. O clube era o orgulho dos munícipes desta parcela do território nacional. Situado entre a cidade do Huambo e do Kuito, o Chinguar é privilegiado com a passagem dos Caminhos-de-ferro de Benguela.

Actualmente sobrevive debaixo dos escombros. A guerra que assolou o país, o município em particular, reduziu as principais infra-estruturas desportivas do clube e sociais em escombros. A recuperação das mesmas é tida pelos adeptos do clube, sócios, dirigentes e habitantes como uma via para garantir o desenvolvimento do município. Elas foram parcialmente destruídas pela guerra, deixando marcas profundas. O clube começou a viver um período marcadamente negro a partir de 1992, cujas consequências ainda são visíveis.

Depois de um longo período inactivo, a agremiação foi revitalizada graças ao programa gizado pela Direcção Provincial da Juventude e Desportos do Bié, que em 2008 conseguiu reactivar nove clubes da província. O Recreativo do Chinguar possui um grande património que está quase que totalmente inoperante, mas que já fez inveja à maioria dos clubes angolanos. Possui uma sede social que se encontra em escombros, (ex-Associação Beneficente Clube Recreativa do Chinguar), um complexo desportivo que comporta um restaurante, salão de eventos culturais, sala de cinema, diversos compartimentos, parque de estacionamento.

O edifício onde se encontra a sede tem as paredes partidas, compartimentos sem tecto, sem portas nem vidros. No edifício social, a situação não foge à regra da sede: o restaurante, a sala de cinema e outras áreas estão em estado de abandono.Possui ainda um campo polivalente e outro para futebol. A quadra polivalente é aproveitada pelas crianças para realizarem jogos entre bairros. 

Actualmente o Recreativo do Chinguar possui 132 atletas, distribuídos entre as modalidades de futebol e o karaté-dó, as únicas em movimento. A direcção tem na forja a reactivação do andebol, do basquetebol e do atletismo.Caso sejam reabilitadas as infra-estruturas, construídas ao longo dos 65 anos de existência da agremiação, permitirá a obtenção de receitas para o clube.

Recuperação
urgente impõe-se

Vários jogadores que militavam no clube foram contratados por outras colectividades do país. Elias, mais conhecido nas lides desportivas por Songo, um futebolistas polivalente que representou o clube na década de 80, transferiu-se para o Vitória Atlético Clube, em seguida para o União Petro (ambos do Bié) e mais tarde para o Desportivo de Benguela, onde terminou a sua carreira. Até sair do clube, foi o seu principal esteio.

Torrado, um defensor destemido, jogou pelo clube e depois se transferiu para o Vitória do Bié. É outro nome sonante do conjunto da terra da bata rena e do repolho. Fernando Mota, presidente de direcção do Recreativo do Chinguar, defende a reabilitação do clube. Afirma que o seu "staff" tem na forja um projecto para recuperar o património do clube, mas a falta de verbas condiciona a implementação do mesmo.

Recuando na história, há algumas décadas, os comerciantes locais apoiavam o clube. Assumiram o compromisso de contribuir a favor do desenvolvimento do desporto e da promoção da juventude local. Com a situação sociopolítica que se verificou no país, no princípio da década de 90, e com o recrudescimento da guerra, tudo voltou à estaca zero. De igual modo, há alguns anos, a agremiação contava com o apoio de empresários e da administração municipal.

Com as condições de que dispunha, conseguiu resultados positivos não só em termos de massificação como na alta competição, tendo sido um autêntico "celeiro" de muitos craques que despontavam na província. Durante as décadas de 50,60 e 70 até o ano de 1992, o clube tinha as modalidades de futebol, andebol, basquetebol e motocrosse.

Infra-estruturas
em avançado estado de degradação


As diversas dependências como a sede social, o restaurante, o bar, a sala de cinema, de festa, a quadra de modalidades de salão e o campo de futebol estão em estado avançado de degradação, necessitando urgentemente de reabilitação. Este é um quadro que o presidente de direcção do clube pretende mudar.

"Pensamos recuperar todas as nossas infra-estruturas desportivas, mas apenas o nosso esforço não basta. Pedimos a ajuda de todos, especialmente o governo provincial, através da administração municipal, que tem sido um parceiro ideal na resolução dos vários problemas que afligem esta colectividade desportiva", disse Fernando Mota, acrescentando que o clube tem um grande património que não pode continuar no estado em que está.

Apesar de reconhecer que a saúde financeira não é a melhor, Mota acredita que o clube pode continuar a desenvolver as suas actividades na medida do possível. "Os problemas financeiros não são apenas do clube. São conjunturais, abrangendo o país todo. Vamos procurar um patrocinador no mercado nacional para ajudar a reerguer o clube, sem descurar a ajuda do governo, sobretudo do Ministério da Juventude e Desportos", avança.

Falta de verbas impede
implementação de projectos

A falta de recursos financeiros impede a implementação de alguns projectos. Apesar disso, um projecto de recuperação está a ser gizado pela direcção do clube e vai ser apresentado, nos próximos dias, ao Governo da Província. Segundo o presidente, Fernando Mota, o projecto visa dotar o clube de diversos serviços para a sua sustentabilidade e permitirá o relançamento do andebol e do basquetebol que não fazem parte do clube há mais de duas décadas.

"Pretendemos recuperar o património do clube, nomeadamente o campo de futebol, o campo polivalente, a sede social, as estruturas hoteleiras e outras dependências", explicou, sublinhando que o objectivo é o relançamento do Recreativo do Chinguar.
O dirigente reconheceu que a recuperação das estruturas permitirá ao clube ter um crescimento que será uma referência nacional.
"São estruturas que vão criar novos postos de trabalho e dar uma bela imagem ao município. Por isso, necessitam de um grande investimento", acrescenta.

Equipa de futebol compete no campeonato provincial

O Clube Recreativo do Chinguar compete no Campeonato Provincial de Futebol em seniores masculinos, prova disputada no sistema de todos contra todos, a duas voltas. Participam da mesma seis equipas, designadamente Sporting Clube Petróleos, Vitória Atlético Clube, Desportivo do Kunhinga, Desportivo Geodésico de Kamacupa, o Sporting de Katabola e o Recreativo do Chinguar. Esta é a segunda participação do Chinguar no campeonato provincial, depois de o ter feito na temporada passada.

Concluída a primeira volta, a equipa ocupa o último lugar, com apenas um ponto. Por outro lado, o campo municipal, propriedade do Recreativo do Chinguar, está em mau estado de conservação. O recinto carece de recuperação urgente para contribuir no desenvolvimento da modalidade tanto no clube quanto no município. O campo era o orgulho dos futebolistas e adeptos da vila do Chinguar, mas hoje corre o risco de passar à história.

O recinto não possui vedação nem bancadas. Carece de um eficiente trabalho de terraplanagem, de lhe ser retirado o capim que invade a quadra, de vedação, de colocação do sistema de abastecimento de água (e a colocação do sistema de irrigação), arrelvamento do piso, construção de bancadas, de balneários para os atletas e árbitros, a colocação de torres de iluminação para o aproveitamento do mesmo no período nocturno.

Munícipes preocupados com a situação

Os munícipes do Chinguar estão preocupados com actual situação do clube. Edson Arantes, morador da vila do Chinguar afirma ser preciso alterar o actual quadro da principal agremiação desportiva local. "A direcção do clube tem de procurar apoio para retirar a colectividade do marasmo em que se encontra e assim contribuir para o desenvolvimento desportivo do município”, advoga.

Lourença Nachimbuc é adepta do clube. Diz ser necessário que o mesmo ganhe outra imagem e que isto passa pela reabilitação das suas infra-estruturas desportivas. Outro aspecto que Lourença foca, tem a ver com o surgimento de um "patrocinador". "O clube deve bater portas de vários organismos estatais e privados, com o fito de conseguir um patrocinador para recuperar o seu vasto património", disse a entrevistada.

Domingos Chilonga, outro adepto, lamenta a actual situação do clube e pode que as entidades de direito ajudem na sua recuperação.
"Peço às entidades governamentais e privadas para ajudarem o Recreativo do Chinguar a recuperar a sua mística, principalmente no que diz respeito à reabilitação das infra-estruturas sociais e desportivas", apela Chilonga.

À procura de um patrocinador

O Clube Recreativo do Chinguar está à procura de patrocinador no mercado nacional e internacional. "Vamos procurar patrocinadores para o clube. Para tal, vamos bater à porta de várias entidades nacionais e estrangeiras", disse o presidente de direcção. O responsável máximo do grémio disse igualmente que vai ser difícil, mas não impossível conseguir um patrocinador. Fernando Mota acredita que com um patrocinador, o conjunto bieno poderá recuperar o seu estatuto no panorama desportivo nacional.

Por outro lado, a direcção do clube pretende assinar um acordo de cooperação com o Recreativo da Caála (da província do Huambo) e com o Recreativo do Libolo (do Kwanza-Sul), segundo apuramos junto de uma fonte ligada à direcção da agremiação azul e branco. O objectivo é pedir apoio institucional, material, desportivo e ajudar na aquisição de um patrocinador oficial. Nos próximos dias serão encetados contactos com as direcções das duas agremiações, cujas equipas de futebol militam no Girabola.