Jornal dos Desportos

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Reportagens

Reinaugurado Pavilhão Gimnodesportivo Engenheiro Miranda Guedes

Júlio Gaiano - 01 de Outubro, 2010

Infra- estrutura, com cara nova, é orgulho dos lobitangas

Fotografia: Jornal dos Desportos

As formações seniores masculinas do Hóquei Clube do Lobito e do Juventude de Viana (de Luanda) reinauguraram, de forma oficial, o remodelado Pavilhão Gimnodesportivo Engenheiro Miranda Guedes, afecto ao Clube Desportivo da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, três anos depois de encerrado para obras que resultaram na sua melhoria técnica e estrutural. Em 2007, o empreendimento encerrou as portas para dar lugar a obras de melhorias de que há muito tempo clamava, o trabalho durou perto de trinta meses.

Num ambiente festivo, com o jorrar de champanhe à mistura, a infra-estrutura foi entregue ao legítimo dono, Clube Desportivo da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, por uma empreiteira de direito nacional (não foi revelado o nome), em Março último. O pavilhão está com aspecto diferente, no que respeita a remodelação infra-estrutural física para desportos de salão, como o hóquei em patins, o andebol, o basquetebol, o voleibol e o futebol de salão.

Na verdade, constitui um orgulho a olho nu para os munícipes, não fossem algumas insuficiências, das quais ganha força o facto de ter apenas um portão de entrada. Os dois jogos realizados nas noites de sexta-feira e sábado foram válidos para as meias-finais da Taça de Angola deste ano, tendo o conjunto vianense triunfado nas duas partidas (9-2 e 6-3), com naturalidade, para  conformação dos lobitangas que acorreram ao local da festa em número considerável. Com esses resultados, o Juventude de Viana passou para a final e vai cruzar com o Petro de Luanda, que superou o 1º de Agosto, venceu o primeiro jogo por 7-2 e empatou o segundo a três golos.

Voltando à inauguração, no primeiro dia (sexta-feira, 24), o pavilhão albergou cerca de oitocentos espectadores, ao passo que no segundo (sábado, 25), foram ao local mais de 1.200 pessoas. Houve mais pessoas do lado de fora que queriam entrar, algo impossibilitado pela organização, dado ao reduzido espaço que o mesmo comporta. É que o pavilhão foi projectado para albergar menos de 1.200 pessoas sentadas, em cadeiras individuais.

Apesar de derrotada, a formação lobitanga deu mostras de melhorias em muitos aspectos, mas não pôde fazer mais do que aquilo que produziu, porquanto defrontou um adversário forte, somente a segunda melhor equipa do continente berço da humanidade. Daí a ovação e carinho que recebeu do público, após o término do embate, parecendo ter vencido o jogo, quando na verdade o resultado foi a seu desfavor (3-6).

Agora que venha a final, em que estarão frente a frente as formações do Petro Atlético de Luanda e o Juventude de Viana. De novo, o Pavilhão Gimnodesportivo Engenheiro Miranda Guedes será o albergue da festa do hóquei em patins, a acontecer no dia da Independência Nacional, 11 de Novembro.

Modalidade pode conhecer melhorias

O técnico da Digicom Hóquei Clube do Lobito, José Lourenço Sakuandela, assegurou que com a remodelação do pavilhão da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, a modalidade sai mais reforçada, pois dará azo à sua massificação e fomento no município que, nos últimos dias, regista crescimento no que toca à prática do desporto sobre patins. "Durante três anos o Lobito viu-se privado da prática do hóquei em patins, perdemos muito com a situação.

Agora, com a recuperação do pavilhão, temos as condições criadas para materializar o projecto de massificação da modalidade no município, à semelhança do que acontecia num passado bem presente na memória dos lobitangas", lembra. A par de Luanda, a cidade do Lobito foi, até finais da década de oitenta, considerada como uma das fortes praças do hóquei em patins. Despontavam na época clubes como a Casa do Pessoal do Porto do Lobito, Ferrovia, Sporting e União da Catumbela.

Em 1985, a Casa do Pessoal do Porto do Lobito conquistou o título de campeão nacional juvenil masculino. Com a recuperação do Miranda Guedes ficam criadas as condições básicas para se relançar a modalidade, de onde nunca teria saído não fosse a crise financeira que tomou conta do empresariado local. "O Lobito precisa de se reencontrar com o passado risonho em matéria de patinagem", reafirma o técnico do Hóquei Clube do Lobito, visivelmente optimista com um futuro melhor para a modalidade em terras do flamingo.

Nem tudo é perfeição
na obra  apresentada

Na verdade está um pavilhão bonito, com algumas melhorias. As bancadas foram renovadas com cadeiras plásticas, há um espaço VIP, a cabine de imprensa foi melhorada, tal como o vestiário e balneários para os árbitros e para as equipas. Todavia, a infra-estrutura peca no que toca ao acesso ao seu interior. É que existe apenas um único portão para a entrada do público e dos intervenientes ao espectáculo, no caso atletas, árbitros e convidados, o que constitui a grande brecha da obra que, ainda assim, continua a maravilhar alguns prosélitos do desporto local e do país que o visitaram.

Em conversa com alguns responsáveis afectos a Casa do Pessoal do Porto do Lobito, para além de lamentar o facto, foram peremptórios ao culpabilizar a empresa (mantida no segredo dos deuses) que fiscalizou a referida obra. A mesma mostrou total desconhecimento em matéria de infra-estruturas desportivas. Foi impotente para impedir que as obras terminassem em "borrada" desnecessária, fechando o segundo portão que existia.Esforços envidados no sentido de apurar os valores financeiros envolvidos na remodelação do pavilhão redundaram em fracasso.

Pessoas afectas à direcção do clube contactada pela nossa reportagem negaram pura e simplesmente falar sobre o assunto. Nem sob condição de anonimato quiseram pronunciar-se. "É segredo e nada mais", comentaram as fontes contactadas, justificando a atitude por recearem que qualquer revelação viesse a traduzir-se em matéria de especulação na imprensa desportivo do país. Tanto medo para esconder uma verdade que a todos interessa, é no mínimo, covardia.

Dirigente contente com a obra

O secretário-geral da Federação Angolana de Patinagem, Luís Octávio, manifestou-se maravilhado pela remodelação do Pavilhão Gimnodesportivo Engenheiro Miranda Guedes, tendo na ocasião anunciado que o mesmo tinha sido escolhido para albergar o jogo da final da pressente edição da Taça de Angola, que oporá as formações do Petro-Atlético de Luanda e do Juventude de Viana, também de Luanda. De acordo com Octávio, a imponência que o empreendimento apresenta permite organizar eventos de carácter nacional, como é o caso de uma final da Taça de Angola, já a acontecer em Novembro próximo.

"Estamos diante de uma infra-estruturas invejável. A cidade do Lobito e o país ganharam um empreendimento desportivo que muito servirá para desenvolver os desportos de salão, sendo o hóquei em patins o grande beneficiário", referiu o dirigente federativo para de seguida parabenizar a direcção da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, pelo feito alcançado em prol do desporto na província.

Executivo promete continuar a apoiar
o desporto no município

O chefe de sector para os Assuntos Sociais da Administração Municipal do Lobito, Alberto Ngongo, disse ser um ganho para o município do Lobito ter uma importante infra-estrutura desportiva para desenvolver o desporto de salão, dentre os quais o hóquei em patins.
O governante reiterou a vontade do executivo municipal em apoiar o desporto em toda as suas vertentes.

Investir na construção de infra-estruturas desportivas, proporcionando desta feita um espaço para a juventude mostrar os seus dotes consta do programa do executivo local, que tudo faz para ver o desporto crescer no município. "O executivo continuará a trabalhar no sentido de melhorar as condições de trabalho das agremiações desportivas do município. Tal como no passado, vamos apoiar as boas iniciativas que nos forem apresentadas, pois estamos abertos a apoiar todos aqueles que pretendem ver o desporto evoluir no município", explica.

Sobre o Pavilhão Gimnodesportivo Engenheiro Miranda Guedes, o professor Ngongo enalteceu a importância que o mesmo representa para o desporto na sociedade lobitanga. Na sua óptica, apesar de ser pertença da Casa do Pessoal do Porto do Lobito, o mesmo vai beneficiar todos os munícipes, pelo que convida os mesmos a terem cuidado na sua utilização. Preservar e mantê-lo bem cuidado é o que o interlocutor pede aos seus utilizadores.