Jornal dos Desportos

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Reportagens

Roger Milla, ex-jogador camaronês

19 de Dezembro, 2011

No final da década de 90 Roger Milla começou a trabalhar como embaixador

Fotografia: AFP

“Sabe tudo de bola o Roger Milla!”, gritava Galvăo Bueno, celebrando o assombro que dominava o Giuseppe Meazza naquele 8 de Julho de 1990. Era o jogo inaugural do Mundial da Itália, e Milla, que entrara no lugar de Makanaky no segundo tempo, comandava a zebra histórica: Camarões um, Argentina zero.Diego Armando Maradona declarara dias antes: “Quem quiser a taça vai ter de a tirar a Maradona e seus companheiros.” Mas era Milla quem tinha a bola, e os companheiros de Don Diego corriam atarantados na vã esperança de a tirar dos pés do número nove camaronês.

Gabriel Humberto Calderón, como um touro enraivecido, investiu contra Milla na altura do grande círculo. Milla escondeu a bola com o pé direito, arrumou o corpo como se fosse rumo ao campo de defesa, mas girou velozmente e arrancou para o campo de ataque deixando Calderón batido. Artisticamente fintou mais dois adversários e rolou para Omam Biyick, que quase marcou o segundo. Não precisava, os campeões mundiais estavam batidos. Quem foi rever Maradona, Caniggia e Burruchaga, viu Roger Milla.

No jogo seguinte, contra a Roménia de Popescu, Hagi e Lacatus, a selecção dos Camarões provou que tinha mais para mostrar. Dois a um para os africanos, dois golos de Milla. No primeiro, dividiu com o defesa e deslocou o guarda-redes com o pé esquerdo. No segundo, um adversário com toque rápido de pé esquerdo, invadiu área e chutou forte com o pé direito, no ângulo. O Mundial da Itália tornava-se o Mundial de Milla.

Nos oitavos-de-final, um confronto contra a escola sul-americana. A Colômbia de Higuita, Valderrama e Rincón já não era a favorita, embora dela se esperasse muito no início da competição. Mas quem pode com Roger Milla, que tabela com Omam Biyick, dá um corte seco para passar entre Óscar Perea e Escobar para ficar cara a cara com Higuita e chutar de pé esquerdo, no alto, indefensável? Talvez pensando em dar o troco, Higuita tentou fintar Roger Milla na intermediária pouco depois. Perdeu a bola e viu o camaronês entrar sozinho na área para rolar a bola para o golo vazio.

Na comemoração dos golos contra a Colômbia, como um menino, Roger Milla correu até à bandeirinha. À sua volta, ensaiou um samba esquisito, consequência da sua alegria indisfarçável. Há três anos, abandonara a selecção do seu país, por se considerar velho demais.Pareciam distantes os anos de glória no futebol francês. Agora defendia o Saint Pierre, nas Ilhas Reunião. Atendeu, no entanto, a um pedido do Presidente camaronês, Paul Biya, que clamava pela sua presença para ajudar a selecção no Mundial da Itália. Aos 38 anos, aceitou a convocação e agora via que valera a pena.

Milla acabara de transformar a geografia do futebol mundial. Fizera do até então simpático e inofensivo futebol africano uma ameaça às forças tradicionais. Pela primeira vez na história, uma equipa daquele continente chegava aos quartos-de-final de um Mundial.No final da década de 90, Roger Milla começou a trabalhar como embaixador africano e foi eleito o melhor jogador da história deste continente. Homenagens justas ao homem que romantizou a história moderna do futebol.

Aldair decepcionou
nas olimpíadas de Atlanta


Aldair Santos do Nascimento, mais conhecido por Aldair, foi um futebolista brasileiro que actuava como defesa no Flamengo, Benfica e Roma. Nestes três clubes, Aldair construiu uma bela carreira durante as décadas de 80 e 90.Contudo, Aldair também será para sempre lembrado pela sua participação na conquista do tetracampeonato do Mundo nos Estados Unidos, com a selecção brasileira.

Aldair começou a sua carreira no Flamengo, em 1985, quando teve a oportunidade de jogar ao lado de ídolos rubro-negros como Zico, Andrade e Leandro. Vestindo a camisola do Fla, participou nas conquistas do campeonato carioca de 1986 e do Brasileiro de 1987.Negociado com o Benfica, em 1989, foi titular da equipa portuguesa até ao ano seguinte, quando despertou o interesse do Roma, clubepara o qual se transferiu e que defendeu nos 13 anos seguintes da carreira. A história de Aldair com a Selecção Brasileira teve início em 1989, sendo que, 11 anos mais tarde, o defesa despediu-se da Selecção com 93 jogos e três Campeonatos do Mundo.

Em 1990, no Mundial de Itália, Aldair era reserva e não participou em nenhum jogo. Quatro anos mais tarde, nos Estados Unidos, após as contusões de Ricardo Gomes e Ricardo Rocha, Aldair e Márcio Santos formaram a dupla de defesa tetracampeã mundial. Por fim, em 1998, fez companhia a Júnior Baiano.Aldair também participou nas olimpíadas de Atlanta, quando o Brasil decepcionou e conseguiu apenas a medalha de bronze.Em 2004, aos 39 anos de idade, Aldair encerrou a sua carreira no Genoa, outro clube italiano. Entretanto, aos 41 anos, acabou por ser persuadido pelo velho amigo Masssimo, a actuar pelo Murata, principal clube de San Marino, participando nos jogos da fase preliminar da Liga dos Campeões da UEFA em 2007 e 2008.