Jornal dos Desportos

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Reportagens

Roggi Moore fala de si e do recreativo do Libolo

Valódia Kambata - 24 de Março, 2010

Reggie Moore, americano do Recreativo do Libolo

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como aparece no Recreativo do Libolo?
Foi o Luis Costa quem facilitou a minha transferência para o Recreativo do Libolo, pois jogamos juntos no Belenenses de Portugal, em 2003. Ele soube que a equipa precisava de um atleta  americano, com as minhas características, chamou-me e perguntou se queria jogar pelo clube.

Onde jogava antes de vir para Angola?
Jogava em Espanha, mas a equipa começou a ter problemas financeiros e achei melhor mudar de  clube. Foi daí que decidi vir para o Libolo.

Algum outro clube angolano mostrou-se interessado em contratá-lo?
Que saiba, não. Não sei de outra equipa.

Que motivo o levou a optar por jogar em Angola?
Foram diferentes factores. A minha equipa, em Espanha, estava a ter problemas de dinheiro, queria voltar a ver o meu amigo Luís Costa, aliado ao facto de querer experimentar um novo lugar e uma nova liga.

Conhecia o basquetebol angolano?
Sabia de algumas coisas. Fiz alguns jogos de exibição contra o Petro e contra o 1º Agosto, quando estaviveram em Portugal. Jogava na mesma liga que o Kikas Gomes, na universidade. Ele estava em Valparaiso e eu no Oral Roberts. A par disso, tive a oportunidade de ver a Seleção de Angola nos dois

últimos Jogos Olímpicos.

Agora que aqui está, com que impressão fica?
Esta liga é diferente de qualquer outro campeonato em que joguei. Na Europa, faz-se um jogo por semana e aqui dois. Fisicamente, é muito exigente e o atleta tem de realmente cuidar do seu corpo.

É algo novo para si…
O campeonato é bom e, como a maioria das ligas, pode melhorar. Acho que as equipas vão tornar-se mais competitivas com o passar do tempo. Quando contratarem jogadores estrangeiros, haverá mais competitidade. Tornará o campeonato mais bem disputado de cima para baixo.

O que se deve acrescentar ao nosso basquetebol?
Acho que seria bom criar uma academia de básquete para jovens jogadores e assim surgirem talentos.

Adaptação ao clima
é a maior dificuldade


Enfrentou alguma dificuldade para se impor no basquetebol angolano?
Para um jogador estrangeiro, a maior dificuldade é a adaptacção ao calor. No início, é muito difícil jogar, principalmente por causa do calor, mas como em qualquer actividade, a pessoa aprende a adaptar-se a esse factor, aos hábitos e aos custumes.

O que se pode esperar de si na competição?
Farei o que for preciso para vencer.

Acha que a sua equipa tem capacidade para lutar pelo título?
Temos tudo para fazer uma boa época. Acredito nos meus companheiros e treinadores. Penso que podemos ter uma prestação especial, se continuarmos a trabalhar duro e mantermos o foco nos nossos objetivos.

Petro de Luanda, 1º de Agosto, ASA, Interclube e Recreativo do Libolo. Em quem aposta para vencer a prova?
Sempre acreditei na possibilidade de a minha equipa ser a campeã. Se não acreditasse, nada estaria a fazer aqui. Respeito todas as outras formações, mas acredito na minha, pois temos bons jogadores.

Com que equipa sentiu mais dificuldade de jogar até ao momento?
Talvez seja uma surpresa, mas o Promode de Cabinda é a mais difícil. Eles jogam extremamente bem. São duros e resistentes. Nunca desistem! Têm amor pela equipa.

"Aqui o jogo é muito rápido"

Que diferença nota entre o basquetebol angolano e o europeu?
Cada campeonato tem a sua especificidade. Aqui, corre-se muito; os jogos são muito rápidos. Nas outras ligas, por onde passei, em Portugal e em Espanha, trabalha-se muito a técnica.

Há bons jogadores em Angola?
Há muitos bons jogadores.

Acredita na capacidade deles poderem jogar na NBA?
A NBA é um campeonato muito difícil de se entrar. Penso ser necessário estar no lugar e na hora certa. Há alguns jogadores que têm habilidade, como o Olímpio Cipriano e o Carlos Morais. Se calhar, podem estar lá, pois são atletas com carisma, bem dotados física e tacticamente, com prestígio a nível nacional e internacional.

Caso fosse convidado a representar a Selecção de Angola aceitaria?
Sou americano e não penso que por agora seja possível. Se um dia tiver a nacionalidade angolana, talvez pensasse nisso.

Em linhas gerais, que avaliação faz do basquetebol angolano?
Parece caminhar na direção certa. O campeonato deste ano é mais forte que o anterior. Espero que continue a crescer. Quanto melhor for o campeonato, mais jogadores estrangeiros virão.

Como caracteriza o balneário da sua equipa?
É bom. Somos como uma família.

Qual é o jogador angolano que admira?
Admiro todos os companheiros de equipa, por motivos diferentes. Gosto dos jogadores que fazem de tudo para ganhar.
Por aquilo que ouvi, o Jean Jacques enquadrava-se nesse perfil. O Leonel Paulo também e, por isso, admiro-o. O jogador mais talentoso com quem joguei é Olimpio Sipriano, pois sabe fazer de tudo na quadra de basquetebol.

Empenhado em ganhar
o campeonato


Que outro clube representaria em Angola além do Libolo?
Tento não pensar nisso durante a época. Neste momento, estou apenas concentrado no Recreativo do Libolo. Estou feliz no Libolo e empenhado em ganhar o campeonato.

É um jogador versátil, podendo jogar como poste e como extremo. Qual é a sua posição favorita?
É a de extremo, porquanto me sinto mais entrosado no jogo. Para já, jogar em mais de uma posição é fudamental no basquetebol.

O que lhe dá mais prazer, marcar um triplo ou ressaltar?
Qualquer das duas situações são importantes, pois ajudam a atingir o objectivo da equipa, mas, pessoalmente, prefiro fazer muitos pontos e não importa se são três ou dois.

Acredita na qualidade dos estrangeiros que actuam no nosso campeonato?
Acho que são úteis, pois ajudam a dar qualidade à prova e maior competividade aos jogadores locais. Acredito que muitos estrangeiros virão, pois aqui o campeonato é forte.

Contrato é satisfatório

O salário que aufere permite viver com tranquilidade no país?
O mais importante é o Libolo pagar-me na hora. Jeguei em vários países do mundo e Libolo é a única equipa que faz isso. Essa é uma das razões por que assinei por duas épocas. É muito fácil fazer o trabalho com estas condições.

Neste particular aqui é melhor...
Não vou dizer quanto ganhei, mas aqui honra-se os compromissos.

Quer dizer que o contrato o satisfaz...
Quando assino um contrato de trabalho é porque é bom. A partir daí, só tenho de cumprir a minha parte, que é fazer um bom trabalho, potencializar a equipa e lutar para que os objectivos traçados pelos treinadores, atletas e dirigentes se cumpram.

Perfil
Nome:
Reggie Moore
Estado Civil: Casado
Idade: 29 anos
Altura: 2.02 metros
Peso: 120 quilogramas
Calçado: 46
Música: Todo o tipo
Bebida: Coca-Cola
Jogardor favorito: Kobe Bryant