Jornal dos Desportos

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Reportagens

Ruud Gullit astro holands que encantou os estdios

24 de Janeiro, 2011

A classe e talento de Gullit constitua um verdadeiro encanto

Fotografia: AFP

Ruud Dil, nome de baptismo de Ruud Gullit ex-futebolista holandês, um dos maiores do país e do mundo nos anos 80. Actuava tanto como libero ou médio ou atacante,demonstrando sempre amor à camisa em todos os clubes que passou, sendo ídolo e campeão em todos eles como jogador. Começou no pequeno Haarlem,após ser descoberto quando jogava numa equipa de jovens do bairro de Yordam, em Amsterdão, o Meerboys. Foi nessa época que ele deixou de usar o sobrenome Dil, herdadode sua mãe. Pediu autorização ao seu pai para usar o sobrenome deste, Gullit, considerado por ele mais imponente.

Havia jogado apenas cinco partidas e o clube foi despromovido.Na segunda divisão,conseguiu o título e foi eleito o melhor do campeonato. Na temporada que se seguiu, o Haarlem conseguiu, pela primeira e única vez, um lugar entre os classificados para uma copa europeia, ao alcançar vaga para a Copa da UEFA. Despertou a cobiça de um dos grandes clubes do país, o Feyenoord, após chegar em 1981 à Selecção holandesa, em virtude do título do Haarlem na segunda divisão do país.

Já exibia a personalidade forte e os dreadlocks nos cabelos que o caracterizariam. No clube de Roterdão, teve a companhia de ninguém menos que seu grande ídolo, Johan Cruijff, que veio jogar na equipa a sua temporada de despedida, a de 1983/84. Foram juntos campeões holandeses e da Copa dos Países Baixos.Minha primeira recordação real no futebol foi no mundial de 1974, o golo de Johan Cruijff sobre o Brasil. É algo que sempre levo em mente. Cruijff me ensinou muitíssimo. Coincidi com ele na sua última temporada
como jogador (...). Era inteligentíssimo.

Taticamente estava acima do resto.(...) Eu o olhava e pensava: 'Tem 38 anos e é muito bom. O que deve ter sido jogar com este homem quando tinha 24? Após duas temporadas no Feyenoord, foi transferido ao PSV Eindhoven, então a terceira
equipa do país emtítulos. Ficaria dois gloriosos anos no clube da Philips, sendo em ambos campeão nacional, quando recebeu
proposta da Juventus.

Ele, que jogou em dois dos três grandes do seu país, jamais voltaria a actuar em clubes holandeses.Declararia que poderia ter jogado no que faltou - o Ajax -, mas os dirigentes teriam arrogantemente manifestado odesejo de que Gullit fosse até o clube, e não o contrário. "Todavia, quando me cruzo com dirigentes do Ajax daqueles anosme pedemperdão por comome trataram", disse.

Recordações do Milan

Embora o PSV quisesse o negócio,Gullit não gostava da difícil missão de ser um substituto de Michel Platini e preferiu acertar com outra tradicional equipa italiana, oMilan, que na mesma época contratou o seu compatriotaMarco van Basten.Chegou à Milão por nove milhões de dólares, e não precisou de muito tempo para se consagrar também no clube, participando da campanha que deu ao Milan seu 11º título na Serie A, encerrando onze anos de jejum.

Durante a sua primeira temporada,receberia a Bola de Ouro da France Football, à qual dedicou ao líder negro sul-africano Nelson Mandela, que ainda estava preso. “Foi algo natural, mas causou mais surpresa do que esperava.Naquele momento, todos na
Holanda seguíamos o que se passava na África do Sul com o apartheid, era normal. Um país dividido pela raça. Mas na Itália,não se sabia. (...) Muitos anos depois, visitei a prisão na Ilha Robben e falei com excompanheiros de Mandela. Mecontaram a explosão de júbiloque tiveram ao saber da minha dedicatória, mas um me disse:

'A primeira coisa que pensamos é que te tirariam o prémio'. (...)Pensavam que a UEFA iria me retirar o prémio por tê-lo dedicado
a um negro. (...) Quando por fim o conheci pessoalmente,me disse: 'Agora muitos asseguram ser meus amigos, mas naqueles anos, tinha muitos poucos. E você era um dos meus soldados'". Na temporada seguinte, a dupla om Van Basten virou um trio com a chegada de outro compatriota, Frank Rijkaard, todos recém-campeões do Euro-88. E o sucesso só aumentou:

credenciada a disputar a Copa dos Campeões da UEFA, oMilan reconquistou seu terceiro troféu no torneio, vinte anos após o seu último, firmando-se como o clube italiano que mais venceu a mais importante competição de clubes europeus, de quebra deixando para trás aí a rival Internazionale (que, como o Milan, possuía dois).

Final da carreira

Na temporada seguinte, a de 1993/94, resolveu mudar-se para a Sampdoria, sendo logo campeão da Copa da Itália, o que lhe ocasionou um breve retornoao Milan, voltando à Samp ainda em 1994. Deixou o clube de Gênova em 1995.Apegado aos holofotes, resolveu transferir-se para o futebol inglês, acertando com o Chelsea a fim de mudar de vida.

"Eu tinha um estilo de vida como o de David Beckham e só queria voltar a ser o bom e velho Ruudi. Queria poder andar na calçada e não ser perserguido toda hora. Eu queria aquela vida de volta e não havia lugar melhor do que Londres", declarou. Apesar de assustar-se inicialmente com a estrutura precária e então vivida pelos Blues e pelo baixo nível do elenco, Gullit logo apaixonou-se pelo ambiente.

Na sua segunda temporada em Stamford Bridge, passou a ter também a função de técnico, e nela levaria a modesta equipa -que na época não desfrutava dos badalados investimentos do milionário Roman Abramovich -ao título da FA Cup. Reconheceria,entretanto, que a saída do Milan lhe custaria mais títulos na carreira:"Era difícil divertir-se (no Milan),mas também era difícil não ganhar.(...) Quando saí do Milan para a Sampdoria e depois ao Chelsea, desfrutei muito mais do futebol, me diverti mais, tive mais liberdade, me expressei
muito melhor em campo. Maspor sua vez, nunca voltei a ganhar como no Milan. Ganhei partidas, ganhei em diversão,mas nunca voltei a ganhar em alto nível”.AFP AFP A classe e talento de Gullit constituía um verdadeiro encanto