Jornal dos Desportos

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Reportagens

Sebastian Vettel garante pole position

Francisco Carvalho - 14 de Março, 2010

Sebastian Vettel parte na pole position em Bahrein

Fotografia: AFP

Longe dos escândalos, o Grande Prémio do Bahrein reúne grande expectativa sobre o vencedor da primeira competição do ano. Cravado no médio oriente, o Bahrein constitui no barómetro de lançamento. O equilíbrio de forças das quatros principais equipas vai ser notável durante os nove meses de competição. Ferrari, McLaren, Mercedes e Red Bull partem como os principais candidatos à coroa de construtores. É difícil definir a equipa com melhor performance, apesar dos treinos indiciarem números questionáveis. Só no fim da primeira prova, a tabela classificativa vai apresentar números oficiais da competição. Então se saberá quem vai terminar em primeiro.

A luta pelo título estende-se também às duplas de pilotos. A equipa inglesa McLaren aposta em dois britânicos: Lewis Hamilton e Jenson Button. A alemã Mercedes aposta em dois alemães: Michael Schumacher e Nico Rosberg. A "guerra" entre os compatriotas está mais propensa na McLaren, na qual alguns experts prognosticam uma relação difícil entre os pilotos. O campeão em título, Jenson Button, corre o risco de viver o "inferno" de Fernando Alonso, em 2007. A inexperiência de Button vai facilitar a Lewis Hamilton continuar a dominar a escuderia, porque a conhece bem há muitos anos. Apesar de haver respeito entre os britânicos, Hamilton é um piloto rápido que pode "enfurecer" o seu colega.

Por essa razão, as "antenas" estão viradas e concentradas na dupla Hamilton /Button. Uma outra "guerrilha" pode nascer na Mercedes. A equipa alemã está a ser acompanhada por todos os adeptos desde que "um certo velho alemão decidiu voltar". O interesse dos aficcionados (público e imprensa) gira à volta de Michael Schumacher, sete vezes campeão mundial. Uma vitória de Nico Rosberg vai colocar palha na fogueira.


Sebastian Vettel 
na pole position 
O circuito de Bahrein arranca com um novo nome à frente da grelha: Sebastian Vettel, da Red Bull. O alemão foi mais rápido nos treinos oficiais de sábado e é o primeiro a obter a pole position. O vice-campeão mundial aposta na conquista do título. O brasileiro Filipe Massa, da Ferrari, é o segundo classificado, depois de levar de vencida o espanhol Fernando Alonso, o parceiro, que parte no lugar imediato.

A equipa encarnada de Itália apresenta-se em melhor condições de colocar os dois carros no pódio. Com o fim de reabastecimento, Ferrari é o carro mais rápido na prova. Aliado à experiência dos seus pilotos (Massa e Alonso), o embate é a doer. Advinha-se o ano da Ferrari. O mesmo não acontece com as McLaren. O jovem Lewis Hamilton vai partir (quarto lugar) à frente do seu colega Jenson Button (oitavo). A diferença é enorme. Chegar ao pódio vai exigir correr acima dos limites dos Ferrari e da Red Bull.

McLaren e Mercedes
em ajuste de contas

Após o regresso ao "paraíso" das velocidades, Michael Schumacher ocupa a sétima posição da tabela geral na grelha de partida no circuito de Bahrein. E para melhor "sorrir", o alemão da Mercedes vai travar luta com o actual campeão mundial, o britânico Jenson Button, da Mclaren. O espectáculo promete boas exibições em estilo de campeões, mas não termina nesse dueto. A sorte foi grata para as escuderias alemã e britânica. Uma outra luta vai opor Lewis Hamilton, da McLaren, e Nico Rosberg, da Mercedes. O quarto e quinto classificados estão mais perto do pódio e pretendem pontuar. A Mercedes renasceu na extinta Brawn GP, campeã em título.

Humildade de Vettel

Sebastian Vettel é filho de um carpinteiro que o transmitiu lições de humildade. Durante a sua infância, ocupava as férias com corridas de kart em família. Essa influência tornou-lhe no ser que é hoje. Acredita nas capacidades pessoais e tudo gira à volta do seu desejo, porque o mais importante é pilotar. Sem agente para fazer crescer os negócios, Sebastian Vettel "ignora" o dinheiro e aposta na família. "É mais honesta". O presságio está a ser cumprido, embora detesta o nome "bebé Schumi", apelidado no início da carreira. É vice-campeão mundial e começa a época na liderança. A fama não mexe com a sua cabeça e nem o faz andar mais rápido. Apenas "temos de acreditar em nós".

A personalidade que ostenta é fruto de uma passado humilde e as pessoas devem respeitá-lo. Dificilmente vai ser uma pessoa "mais popular", porque as culturas não se alteram com o desejo. É um alemão que corre numa equipa britânica e o estereótipo nacional que representa é normal. Apesar da fama, Vettel assiste aos jogos de futebol e a senta-se na bancada, no meio dos adeptos comuns e longe da protecção dos camarotes. Jamais teria comprado um lugar desses, porque quer estar no meio dos admiradores a cantar, a gritar e, no intervalo, ir ao bar buscar uma salsicha como toda a gente.

Fantasma de discórdia
amedronta Fórmula-1

O fantasma de discórdias na Fórmula-1 começa com a nova época. Entre o elogio e a ciência, os "donos" das velocidades buscam protagonismo mundial. Jean Todt, o actual presidente da Federação Internacional de Automobilismo (FIA), está descontente com os pilotos lentos nos treinos oficiais. Adepto ferrenho de "grandes disputas", Jean Todt quer ver os carros mais próximos uns dos outros.
Para acabar com a lentidão, o presidente da FIA é favorável ao retorno à Fórmula-1 da regra que desclassifica das corridas os pilotos, cuja melhor volta nos treinos oficiais for 107 por cento mais lenta do que a do polé position.

Jean Todt sustenta a sua cogitação no desempenho dos últimos colocados dos tempos livres na última sexta-feira. O brasileiro Bruno Senna, sobrinho de Ayrton Senna, posicionou-se a 11 segundos do tempo do alemão Sebastian Vettel. É um tempo que retira a qualidade da competição. A desclassificação dos pilotos foi banida em 2002 e para que volte precisaria de ser aprovada por unanimidade pelas equipas. Numa fase de abandono de equipas, adoptar essa medida é "matar" a Fórmula-1. Em contraste com o desejo de aplicar a regra de desclassificação, Jean Todt evita quaisquer críticas pesadas às novas equipas chegadas à Fórmula-1. O presidente da FIA disse que era preciso respeitar as equipas que chegaram nesse período de crise e investiram dinheiro para entrar na Fórmula-1. O momento é para lhes dar o apoio e não de criticá-las.

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