Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Seleco Nacional est bem formatada"

Silva Cacuti - 28 de Outubro, 2013

Capito do conjunto de Angola encontrou paz e tranquilidade no desporto

Fotografia: Jos Soares

Apaixonou-se cedo pelo basquetebol e desde então começou a praticar, sem levar em conta o facto de ter deficiência nos membros inferiores. Após 19 anos de prática, António Baltazar “Toni” é o capitão da selecção nacional de basquetebol em cadeira de rodas. O jogador vive maritalmente e é pai de dois filhos, um casal.

Toni quer o apoio da esposa, familiares e todos os adeptos da nossa selecção e sabe da sua responsabilidade dentro do grupo e, para mais, quando o nosso país é anfitrião.

“Não é fácil, porque cada atleta vem para o grupo com os seus hábitos, a sua maneira de pensar, o jogo e posto aqui, tenho de ajudar a equipa técnica a auxiliar este grupo a pensar o jogo da mesma maneira. Agora, o trabalho está concluído, o grupo está formatado e tenho falado muito com os meus colegas. Nestes dias especiais, era óptimo contarmos com o apoio de toda gente.”

Fã de Michael Jordan, seu grande ídolo, jogou com os amigos não-portadores de deficiência, mas nunca foi marginalizado. Pelo contrário. Toni diz que foi sempre acarinhado pelos amigos, no bairro da Cuca, de onde é originário.

Um sorriso nos lábios mostra a satisfação do capitão da selecção nacional ao abordar a prontidão do colectivo em relação ao campeonato.

De excluídos
para a selecção


“O nosso grupo está forte, coeso e há muita união, estamos sempre a sorrir. No campo, há aquela seriedade própria, mas fora dele somos todos irmãos, passamos o dia a contar piadas.”

No grupo da selecção nacional há história de atletas que foram marginalizados por parentes, excluídos socialmente e que viveram situações de sobrevivência difíceis, até na rua, como pedintes. Hoje, a realidade para muitos é outra. Toni realça estas mudanças que decorrem do facto de ser atleta federado.

“Esta modalidade provocou mudanças na minha vida, deu-me outros horizontes, outros hábitos, ajudou-me a tirar o complexo de ser portador de deficiência. Sinto-me menos marginalizado, embora fosse sempre bem tratado, nunca vivi episódios de exclusão como alguns dos meus companheiros.”

O jogador, que começou a dar os seus primeiros passos no basquetebol com cadeira de rodas no núcleo do Hospital Militar para onde um amigo o conduziu, guarda gratidão, por muitos técnicos e dirigentes. Toni chegou a desistir da carreira desportiva, mas a vontade de jogar acabou por ser mais forte e ditou o seu regresso.

“Tenho de agradecer ao professor Lino Chimuco, o dinamizador do núcleo, o técnico Moniz Marques e outras pessoas que foram persistentes em falar comigo.”
Aos adeptos, António Baltazar apela a irem ao campo apoiar, na certeza de que vão fazer o melhor: “Primeiro para manter o quarto lugar, depois, ir até onde deixarem Angola chegar”.