Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Sinto-me bem no Libolo"

Avelino Umba - 02 de Setembro, 2014

“Camisola 10” do líder do Girabola 2014 está motivado para ajudar o Recreativo do Libolo a alcançar os objectivos traçados pela direcção do clube para esta temporada

Fotografia: Jornal dos Desportos

O desempenho do médio Silas Daniel Satonho “Dani” no Girabola 2014 ao serviço do Recreativo do Libolo tem surpreendido muitos aficcionados do desporto-rei. Formado nas escolas do Petro de Luanda, o jogador de 24 anos de idade diz sentir-se bem na equipa de Calulo, com quem tem dois anos de contrato, este é  o primeiro. Para o “camisola 10” da equipa treinada por Miller Gomes, os incentivos no clube de Calulo fazem com que o jogador esteja satisfeito, a julgar pelas condições de trabalho à disposição do grupo.A sua ida para equipa do Recreativo do Libolo surgiu por meio  de um convite feito pela direcção da agremiação liderada por Rui Campos e em função da proposta, não teve alternativa que não fosse abraçar o projecto.

“O jogador procura sempre o melhor, tal como qualquer um que trabalha. A minha saída do Petro de Luanda não teve qualquer problema, senão mesmo à procura de melhores condições de vida, pois à dada altura, o presidente Rui Campos ligou para mim na perspectiva de negociarmos a proposta que tinha e aceitei”, disse. Questionado se em função aquilo que são as exigências de Libolo, já atingiu a maturidade para corresponder com as expectativas do clube, Dani respondeu que sim, pois a cada dia que passa procura fazer melhor.

“Pode haver alguma reclamação quanto a mim, pois todo o ser humano erra. Qualquer um que trabalha está sujeito a cometer um erro, mas devo aqui dizer que pode haver alguma reclamação, mas muito poucas”, sustentou.  Algumas vezes as pessoas criticam-no por em determinadas alturas do jogo se perder em fintas, uma situação que Dani minimiza, pois para ele as criticas quando construtivas são sempre bem-vindas para o melhoramento do desempenho dentro do campo.

“Estamos condenados a este tipo de críticas, pois, todos nós temos quem acompanha o nosso trabalho. E é claro que os nossos erros são severamente criticados pelo nosso público, que se desloca ao campo para assistir aos espectáculos. Desta feita, é normal que estejamos sujeitos a criticas”, disse. Dani acrescentou que todas as vezes, depois de uma partida, junta alguns amigos e  colegas de profissão para saber como foi o seu desempenho em campo. “Destes encontros, nem sempre recebemos elogios, mas também reclamações de que ali ou acolá se  devia  trabalhar mais. Mas o mais importante é aceitar a critica quando se está errado, uma virtude que nos tornar mais maduros, fazer com que de ano a ano as coisas melhorem”, frisou.

MUDANÇA
“Tive dificuldades para me impor”


A mudança de um sitio para outro nem sempre é bem sucedida, devido as características que cada lugar apresenta. Com o médio Dani do Recreativo do Libolo aconteceu o mesmo, pois estava bastante acostumado à cidade de Luanda, assim como com o clube Petro Atlético onde nasceu, passou toda a sua infância e iniciou a carreira futebolística.  Dani confessou  ao Jornal dos Desportos, que no início teve dificuldades para se impor na equipa do Recreativo do Libolo, em função do balneário que encontrou com muitas caras novas.

“É normal quando vamos para um clube pela primeira vez, pois encontramos novos colegas, mas ao longo do tempo a pessoa vai se familiarizando com o novo grupo de trabalho que encontrou. Foi o que aconteceu comigo”, disse.Ainda de acordo com o jogador, os métodos encontrados na altura também fizeram com que tivesse passado por pequenas dificuldades, assim como a cidade em si, pelas suas características. “São poucas as dificuldades que encontrei, mas com andar de tempo consegui  adaptar-me , isso também em função dos compromissos que me levaram ao Clube Recreativo do Libolo”, salientou.                                          
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TRABALHO
Médio elogia
Miller Gomes


A contratação de Dani pelo Recreativo do Libolo teve seguramente a mão do técnico Miller Gomes, com quem trabalhou na equipa do Petro Atlético de Luanda na temporada passada.  Dani destacou a importância e a experiência do técnico a favor da equipa do Libolo e considera o mesmo de competente no papel que desempenha para com os jogadores.“Todos conhecemos bem o professor  Miller Gomes,  inclusive os adeptos, em função daquilo que fez nos vários clubes por onde passou. É um técnico com vasta experiência, simples, objectivo e exigente no trabalho”, realçou.O jogador referiu que o facto de Miller Gomes ser igualmente rigoroso no trabalho faz com que seja um homem de sucesso.

“O professor Miller é rigoroso no tocante ao trabalho. Coloca o indivíduo no seu devido lugar. Está  disponível para ouvir sempre os jogadores. Aconselha sobre a vida e sobre os procedimentos a ter fora e dentro do campo”, sublinhou.Ainda de acordo com Dani, Miller Gomes é um técnico com confiança na aplicação das diversas situações trabalhadas. “Tem confiança no conhecimento e aplicação dos vários factores para um atleta, daí que posso mesmo dizer, sem medo de errar, que é um dos melhores técnicos que o país tem”, assegurou.   
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Dani acredita nos Palancas Negras

O médio Dani do Recreativo do Libolo está convencido que o trabalho desenvolvido pela equipa técnica liderada por Romeu Filemon vai dar  seus frutos e que a Selecção Nacional vai garantir a qualificação para o Campeonato Africano das Nações, CAN,  que se disputa em 2015, em Marrocos.O jogador fez parte das primeiras convocatórias de Romeu Filemon, assegura que nada está perdido e promete muito mais trabalho para materializar o sonho de fazer parte dos Palancas Negras em competições oficiais nos próximos compromissos.

“Estou com esperanças em ver a selecção fazer bons resultados.  É a selecção de todos nós por isso, devemos apoiar os nossos companheiros, de formas a fazerem bons resultados e darem alegrias a todos nós. Acredito no trabalho da nova equipa técnica, liderada pelo professor Romeu Filemon, assim como tenho fé que vai conseguir a qualificação para o CAN de Marrocos”, disse.

Questionado sobre o grupo convocado pelo seleccionador Romeu Filemon, Dani disse que é formado por jogadores muito fortes e competentes, capazes de fazerem melhores resultados para o apuramento ao CAN do próximo ano.“O seleccionador tem um grupo muito forte. Todos os jogadores estão lá para dar o melhor e fazer chegar o nome de Angola o mais longe possível”, assegurou. De acordo ainda com o jogador, os objectivos traçados engajam não só os atletas que estão em campo, mas também os cidadãos em geral.

“Temos bons jogadores. Os que actuam no Girabola e no estrangeiro provaram que podem conseguir um lugar nos Palancas Negras, por isso, espero ver uma equipa a vencer o primeiro jogo diante do Gabão, mesmo  fora de casa”, sublinhou.  Dani elogiou os colegas do Libolo convocados e solicitou muita  atitude e vontade para ver a equipa qualificada para a maior cimeira do futebol africano, que se realiza no próximo ano, pois como disse, “estou  a gostar do desempenho do grupo pelo facto de ter feito bons amistosos do qual aguardo pelo primeiro jogo oficial da competição”.

AVALIAÇÃO
“Girabola está
mais competitivo


O Recreativo do Libolo lidera o Campeonato Nacional com 53 pontos, quando restam apenas oito jornadas para o seu término. Ainda assim, o médio Dani  uma das “peças” fundamentais da equipa  contratado ao Petro de Luanda não lança “foguetes” para o ar, quanto à eventual conquista do título. À semelhança do que tem sido o discurso do  técnico Miller Gomes e de outros integrantes da equipa  do clube de Calulo, para Dani o Recreativo do Libolo está a fazer o seu “campeonato normal” e só no fim vai fazer as contas.

“É nosso objectivo ganhar jogo a jogo no campeonato. As contas finais vamos fazer no fim da prova”, asseverou. O Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão, o Girabola está na visão do médio Dani cada vez mais competitivo, a julgar pelos investimentos feitos pelos clubes, quer em termos de condições de trabalho, como na contratação de jogadores (nacionais e estrangeiros).

“Antes eram equipas como o 1º de Agosto, Petro de Luanda, ASA, Interclube e outras, mas hoje a realidade é diferente. Isso mostra que quase todas elas que competem na prova (campeonato) estão ao mesmo nível. Ou seja, o Girabola está cada vez mais competitivo e difícil para todos”, sustentou.Ainda assim, o jogador do Recreativo do Libolo reconhece que existem clubes que estão acima de outros, devido aos valores que investem para a melhoria das condições de trabalho e da contratação de atletas.  “Quero também dizer, que apesar dos valores que os clubes que competem no Girabola investem há clubes que o investimento é superior aos dos outros, como a contratação de jogadores estrangeiros, o que tem trazido grande qualidade à prova”, sustentou.                                        
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TALENTO E EXPERIÊNCIA
Atleta libolense realça potencial dos angolanos


O médio Dani acredita que todo o jogador que passa pelo futebol nacional tem experiência suficiente para actuar em qualquer campeonato do mundo, mas para tal tem de ter atitude, humildade e dedicação.  “O nível de competitividade do Girabola está cada vez mais elevado. Isto está a dar mais  experiência aos jogadores, o que faz com que possam actuar em qualquer parte do mundo. No meu  caso pessoal,  não digo que já tenho 100 por cento de experiência, mas acima dos quarenta”, frisou.

Com uma trajectória aceitável desde 2002, no Petro de Luanda, em 2009, Dani ascendeu ao escalão sénior com o professor Bernardino Pedroto, representou os tricolores até no ano passado. Este ano, o jogador  transferiu-se  para o Recreativo do Libolo, equipa em que espera ser “muito feliz”.
O jovem natural do município do Cazenga em  Luanda lembra a sua estreia como profissional num jogo em que opôs a sua equipa à  do 1º de Maio de Benguela, no estádio da Cidadela, a quem venceu por uma bola a zero.

“Foi um momento  marcante para a minha carreira. Estava preparado porque o técnico tinha  conversado comigo em relação à minha estreia naquele jogo”, disse Dani e acrescentou  “lembro-me  como se fosse hoje. O técnico chamou-me e disse tens de estar preparado para fazer uma boa partida, que vai ser a tua estreia, e psicologicamente fiquei preparado, sem medo e receio de entrar nas quatro linhas. Não foi muito fácil, a julgar pelo número de espectadores presentes no estádio e que estiveram a puxar por mim. Fiz um bom jogo e  sinto-me  feliz”, argumentou.
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