Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Sonho ver o Interclube novamente campeão nacional"

Paulo Caculo - 06 de Outubro, 2009

Valdano Gomes revela integração de psicólogo nos clubes

Fotografia: M. Machangongo Jd

Jornal dos Desportos (JD) – Volvidos anos, como explica esse regresso ao clube que o ajudou a formar-se como futebolista?
 Valdano Gomes (VG) - Depois de ter regressado da Inglaterra, vim de férias e manifestei a minha intenção de regressar ao país, numa conversa mantida com o mister Cuca, o meu treinador nos escalões jovens do clube, e propôs-me a regressar. Na altura, disse que iria ponderar o convite, na medida em que tive de regressar a Inglaterra. No meu retorno ao país, fui outra vez contactado e acedi ao convite.

JD – A opção inicial de trabalhar para os escalões de formação do clube partiu de quem?
VG – Como todos os anos, enquanto joguei fora do país, sempre que viesse para Angola, acompanhava os jogos do Interclube, procurava dar o meu apoio moral à equipa sénior, sempre me preocupava em assistir aos jogos dos miúdos e demonstrei um particular interesse em passar para eles a minha experiência. Entendi que, com o meu regresso ao clube, podia aproveitar a oportunidade para trabalhar mais directamente com eles. Foi assim que estive durante pouco tempo no cargo de treinador-adjunto dos juvenis, antes de ingressar à direcção.

JD – Mas esta curta passagem pelos escalões de formação do clube teve muito a ver com os cursos de treinamento desportivo que beneficiou na Inglaterra…
VG - Exactamente. Como qualquer treinador que vai lidar com crianças, tinha de apresentar aptidões para trabalhar com os jovens. Tenho o I Nível de Treinador de Futebol da Federação Inglesa e, por concluir o segundo, pois falta fazer o exame final. Tenho, igualmente, um vasto conhecimento na área de gestão desportiva e reinserção social, o que conjugou com o trabalho que iria desempenhar nos escalões de formação.

JD – Que memórias guarda da experiência como futebolista no exterior do país?
VG – Tive muito boas experiências. Devo destacar a probabilidade que gozei de representar a selecção nacional sénior, enquanto estive a jogar na Inglaterra, num momento em que era internacional nos sub-20. Foi o ponto mais alto da minha carreira, tendo em vista, na altura, o campeonato olímpico.

JD –O que representou para si a incumbência de director para o futebol dos polícias?
VG –É um desafio enorme, porque a direcção tem objectivos claros para esta nova dimensão que se quer dar ao Interclube. Como bom filho do clube que sou, não podia deixar de aceitar e assumir esse desafio.

JD –De que forma encontrou a área de futebol do clube?
VG – Como já estava inserido nos escalões de futebol como treinador, não foi muito difícil o enquadramento com o pessoal de trabalho. Encontrei o clube numa fase de transição, estava a verificar-se a troca de elencos, e como deve imaginar, há aquele todo o processo de adaptação, mas as pessoas foram capazes de compreender claramente os objectivos a que se propôs a nova direcção.

JD –O futebol representa a modalidade de destaque no Interclube. Está preparado para aguentar a pressão dos adeptos e dos sócios do clube?
VG – Enquanto jogador, sempre vivi a essas pressões e, sendo assim, agora mais do que nunca tenho de estar preparado para estas pressões. Considero-me um agente desportivo e como tal devo estar preparado para as exigências.

JD –Como qualifica a interacção da direcção com o plantel e a actual equipa-técnica?
VG – Como deve calcular, sendo um ex-praticante, sei quais são as vontades e os desejos de um atleta, o que facilita a minha interactividade com os jogadores. Tenho procurado criar mecanismos apropriados para os deixar concentrados, mas não pressionados; deixá-los à vontade naquilo que concerne à prática das respectivas obrigações, não colocando de parte a responsabilidade.

JD –É dessa forma que pretende trabalhar na gestão do futebol do Interclube?
VG – Devo referir que tenho igualmente primado muito pelo diálogo, na medida em que o lado psíquico dos jogadores é o mais importante, muito embora estejamos engajados em trazer para o quadro orgânico do clube um psicológico. É uma área que bem domino, porque trabalhei durante muito tempo com jovens e crianças em reinserção social. Penso ser por aí, que vamos encontrar o desenvolvimento e o enquadramento dos nossos jovens futebolistas.

JD – Qual é o seu grande desejo enquanto director para o futebol do Interclube?
VG – O meu maior objectivo é cumprir com as metas traçadas pela direcção. Pessoalmente, espero ver o Interclube novamente campeão nacional. Penso que todos queremos. Portanto, enquanto director para o futebol, espero organizar e consolidar para atingirmos os nossos objectivos.

"Queremos recuperar a mística"

JD – Qual tem sido a grande preocupação da direcção, dado o actual momento da equipa?
VG – Os técnicos são soberanos a tomar as decisões, muito embora tenhamos uma palavra a dizer, na medida em que estamos aqui em nome do Interclube. Somos peremptórios em não deixar faltar absolutamente nada, para que o lado desportivo esteja salvaguardado, desde a logística alimentar às condições de trabalho. Tentamos ao máximo criar todas as condições para a equipa trabalhe sem quaisquer sobressaltos.

JD – Consegue descrever o ambiente de balneário do clube?
VG – Salutar. É um ambiente de colectivo e onde os jogadores têm estado todos engajados para o mesmo objectivo, que passa por lutar pela manutenção no campeonato. O nosso lugar é no Girabola e alcançar os lugares adequados para nós. Estamos preocupados em encontrar o melhor posicionamento no Girabola. Queremos recuperar a nossa mística, o nosso brilharete.

JD – Que avaliação faz, agora, do nível de rendimento da equipa, depois das constantes mudanças de treinadores?
VG – Melhorou bastante. O Túbia tem estado a fazer um grande trabalho, conhece perfeitamente os jogadores e acredito ser a pessoa certa no lugar certo.

JD – Foi fundamental a mudança do treinador?  
VG – A carreira de qualquer treinador depende de resultados e quando não surgem, não há como fugir das responsabilidades.

"Vamos acabar com a saga
de mudança de treinadores"

JD – De que forma a direcção perspectiva o futuro do futebol?
VG – Estamos a preparar-nos para voltar a ser campeões do Girabola. Não vamos dizer que será na próxima época ou noutra a seguir. Temos os nossos objectivos que passam por criar todas as condições de forma que consigamos festejar o título com naturalidade. Vamos organizar para consolidar e depois atingirmos os nossos objectivos.

JD – Consegue encontrar uma razão para o fraco rendimento da equipa esta época?
VG – As mudanças de treinador sempre acabam por afectar na estrutura psicológica de qualquer equipa. Devo referir que pode não residir aí as razões que levaram a equipa fazer a época da forma como está a fazer. Estamos a criar as condições para acabarmos com esta “saga” de mudança constante de treinador. Queremos encontrar o perfil certo para o treinador certo.

JD – Concorda que a chegada de alguns jogadores experientes como é o caso do Mendonça, por exemplo, ajudaram a dar consistência à equipa?
VG – Concordo plenamente. Trata-se de um jogador de outro nível, com outra experiência. Portanto, num grupo em que perfila muitos jovens também é sempre importante juntar-lhe alguma experiência. Penso que o jogador veio numa boa altura, tem estado a ajudar a equipa a ganhar confiança, a consolidar a ideia de lutar pelos pontos.

JD – Esta equipa, orientada pelo Túbia, pode fazer mais do que tem feito?
VG – Pode e tem estado a mostrar que sim. Basta ver que já conseguiu alcançar níveis superiores àqueles que demonstravam anteriormente. O Interclube tem jogado bom futebol, mas o facto é que nem sempre consegue vencer os jogos por manifesta falta de sorte; tem faltado apenas os golos, porque, em exibição, acredito, estamos bem.

JD – Que lhe parecem os últimos dois jogos?
VG – Serão, certamente, jogos de grande nível, de enorme dificuldade para nós. Vamos a Calulo defrontar o Libolo, na próxima jornada, e acabamos o campeonato em casa, frente ao Santos. Queremos vencer esses jogos e a equipa vai trabalhar para que a vitória seja um facto.

"As mudanças de treinador sempre acabam por afectar na estrutura psicológica
de qualquer equipa. Queremos encontrar o perfil certo para o treinador certo"

PERFIL

Nome Completo: Gilberto de Almeida Gomes
Idade: 34 anos
Clube preferido: Interclube
Cidade: Malanje
País: Inglaterra
Férias: Portugal
Filhos: (2) dois
Sonho: Ver o Inter campeão

Valdano Gomes está crente numa equipa forte em 2010

JD – Que melhorias gostava de ver no clube em 2010?

VG – Espero que a equipa continue a jogar bom futebol e, sobretudo, a gente consiga alcançar os nossos objectivos. Esse é o nosso grande desejo. Trabalhar para que melhore a cada época. Estamos no nosso primeiro mandato, portanto, acreditamos que ainda temos muito por fazer e estaremos mais fortes no próximo ano.

JD – Convém a direcção do clube reforçar o plantel na próxima época?
VG – Se for desejo do treinador, não veremos nenhum problema. É sempre bom encontrar reforços que ajudem a melhorar a forma de jogar da equipa. Portanto, se o treinador entender que algum sector precisa de ser reforçado, a direcção não vê qualquer inconveniente.

JD –  Que sector a equipa precisa de mais reforços?
VG – Esta é uma questão que devia ser dirigida ao treinador, mas devo dizer-lhe que qualquer um dos sectores pode merecer a atenção da equipa-técnica na próxima época. Queremos ser mais fortes em 2010. No entanto, isso passa por colocarmos as melhores unidades nos lugares chaves da equipa.

JD – Como vê a questão do título do Girabola e o interesse que ganha o campeonato nesta ponta final?
VG – Interessante. Penso que o título já não foge ao Petro de Luanda, embora não tenha tido sorte nesses últimos jogos. Mas isso também ajuda a devolver alguma expectativa ao campeonato, na medida em que também o Benfica pode ser campeão.

JD – O Petro de Luanda merece conquistar troféu?
VG – Sim. É a equipa que alcançou mais vitórias, portanto, não se pode tirar-lhe o mérito que teve; está a fazer um bom campeonato; tem um bom treinador e teve a sorte de reunir bons jogadores.