Jornal dos Desportos

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Reportagens

Stand de tiros surge no Lubango

24 de Agosto, 2010

Atirador cogita abondonar a carreira

Fotografia: Jornal dos Desportos

Quando em Março do ano de 2007 se decidiu demolir o campo de tiro aos pratos do Complexo Turístico e Desportivo de Nossa Senhora do Monte, deitando por terra todo o ímpeto que a modalidade detinha naquela altura, ninguém imaginava que hoje, três anos depois, um novo projecto pudesse renascer, renovando as esperanças que já pareciam desvanecer.

Naquela altura, o golpe foi tão violento que não se adivinhavam saídas airosas da situação, a ponto de, num curto espaço de tempo, a modalidade poder voltar a sorrir.

O que houve foram choros e gritos.Paulo Silva, um dos expoentes máximos do tiro na província e no País, personificava isso mesmo.
De tanto "chorar" e ninguém lhe emprestar um ombro para afagar as suas lamúrias, preferiu "pregar no deserto".

 No princípio, ninguém lhe deu ouvidos, mas depois alguém escutou e predispôs-se a agir.Entre esses está o governador da Província da Huíla, Isaac dos Anjos, que prometeu e ajudou na concessão do terreno para a materialização do projecto.

Paulo Silva é uma referência do tiro aos pratos em Angola.Com a sua arma em riste, assumiu a conquista de tudo quanto estivesse à sua frente. E assim fez. Conquistou campeonatos nacionais e outras provas.

Três anos passados, surge um novo stand de tiro aos tratos (Fosso Olímpico) na cidade do Lubango, construído de raiz.Avaliado em cerca de 70 mil dólares, 40 mil dos quais dados pelo governo local, o referido Stand, ainda em acabamentos, situa-se a 4 km do centro da cidade do Lubango, na zona da central de captação de água, junto ao antigo campo de tiro das Forças Armadas.

O Lubango ganha, assim, mais uma infra-estrutura de raiz, que vem para dar uma verdadeira lufada de ar fresco ao desenvolvimento dessa modalidade olímpica.

Uma infra-estrutura imponente

Sem muitos requintes, o novo stand (Fosso Olímpico) está equipado com 15 máquinas manuais, fornecidas pela Federação Angolana de Tiro, iguais às que existem em Benguela e Kwanza-Sul.A sua construção durou dois meses. Hoje, embora nem tudo esteja ainda acabado, está pronto a servir a modalidade, disse Paulo Silva. 

A nova infra-estrutura foi inaugurada no âmbito das festas de Nossa Senhora do Monte, que ali fez disputar um torneio bastante competitivo.O mesmo tem seis posições para atiradores e ocupa uma área de aproximadamente 10 hectares, que serão aproveitados, depois, para erguer outras dependências.

Paulo Silva  afirmou que o complexo vai possuir, ainda, um restaurante e esplanada, caixa forte, casa de banho, cozinha, área de lazer, escritórios a zonas verdes. Neste momento, além da zona de tiro propriamente dita, existe já a sala de controlo, em fase de acabamento.

O fosso olímpico do Lubango não permite alargar muito a modalidade, mas é já um bom começo, afirmou Paulo Silva."Teremos poucas hipóteses de pensar na massificação.Só poderemos fazer treinos selectivos, porque não dará para muito", referiu.Ainda assim, está seguro de que será motivo para o ressurgimento de atiradores huilanos como Paulo Guga, Rafael Loureiro, entre outros, relegados involuntariamente ao estaleiro.

As vantagens do novo
fosso olímpico


Embora com uma localização privilegiada, o antigo stand de tiro aos pratos do Complexo de Nossa Senhora do Monte fica para trás, em termos de apetrechos, em relação ao novo.Tudo porque o actual, apesar de distante do centro da cidade, possui uma vasta área e um campo visual bastante amplo.

"Não há receios, nem perigos à vista de se alvejar alguém porque o campo de visibilidade é grande", disse Paulo Silva ,Apesar de sua destruição provar, na altura, uma grande onda de insatisfação por parte dos amantes da modalidade, por um lado, por não terem sido apontadas alternativas imediatas e, por outro, porque os membros da "família" do tiro aos pratos não foram sido nem achados, hoje pode-se notar que, comparado com o actual, o antigo stand tinha muitas insuficiências.

Em termos de maquinaria e posições de tiro, equiparam-se, mas, no que toca a condições ambientais e de espaço, o novo supera de longe o velho. No local onde existia o antigo stand de tiro aos pratos, está prevista a construção de  Centro de Conferências.

Empreendimento conquista simpatia da população 

O novo stand de tiro aos pratos, construído nos arredores da zona de captação de águas do Lubango, já conquistou a simpatia de amantes da modalidade e não só.O mesmo era há muito aguardado, depois de inúmeras promessas vazias que foram surgindo.Hoje, a realidade é outra.

Na opinião de Rogério Gabriel, amante da modalidade, a construção do novo stand"vai contribuir sobremaneira para o relançamento da modalidade, quando estava prestes a desaparecer".

Na verdade, depois das gerações de Paulo Guga (representante angolano nos Jogos olímpicos de Atlanta em 1996), Paulo Silva (representante angolano nas Olimpíadas de Sidney, em 2000), Rafael Loureiro e outros, não se vislumbra outra a seguir-lhe as pegadas.

Não tem havido na província trabalho de continuidade por manifesta falta de infra-estruturas adequadas e de material para a prática da modalidade, referiu Ricardo António, que sempre esteve ligado à modalidade.

 Para ele, "agora, que temos o fosso olímpico, tudo se tornará mais simples, até porque sabemos que o próprio governo pretende apoiar as nossas iniciativas, desde que tenham impacto e sejam consentâneas".

Mesmo não tendo ainda diso concluído, o stand já conquistou a simpatia dos amantes do tiro aos pratos.Paulo Silva espera que, "com os retoques previstos, a adesão seja maior".A única dificuldade, segundo o atirador, "pode ser a fraca capacidade de resposta, numa primeira fase".

Com os actuais equipamentos, apenas serão possíveis treinos selectivos para alguns torneios."Não teremos como massificação, por falta de materiais (pratos) e porque o próprio sistema não ajuda muito".

A paixão pela modalidade foi testemunhada pela afluência de adeptos e simpatizantes ao stand, no passado fim-de-semana, por ocasião da sua inauguração, com a disputa do Grande Prémio "Miguel Neto", incluído no calendário de provas nacionais e das festas de Nossa Senhorta do Monte, que decorrem na cidade do Lubango.

Perspectivas são animadoras

As perspectivas de crescimento da modalide na província são animadoras, afirmou Paulo Silva."Temos terreno suficiente para crescer".
Paulo Silva adiantou que com 100 mil dólares, é possível montar um fosso mais sofisticado."Vamos continuar a bater portas e esperar que nos ouçam"!, avança.

Falando do futuro da modalidade, o octo-campeão nacional adiantou que "há igualmente perspectivas boas" até porque, "com o surgimento deste fosso olímpico muitos atiradores que se sentiam desmotivados vão ressurgir, incentivando a sua prática pela nova geração"..

A hora de passar
o testemunho


Paulo Silva é considerado um atirador "sui generis".Tudo porque, durante os três anos que a Huíla ficou sem o seu stand de tiro não parou, tendo já na sua galeria oito títulos conquistados."Esta foi uma forma inteligente que encontrei para convencer as autoridades locais.Sendo eu huilano, conquistando provas nacionais e continentais, havia a necessidade de se fazer alguma coisa nesse sentido", comenta.

O mais caricato é que, mesmo não tendo onde treinar, pelo menos na província, mantém afastada a concorrência, arrebatando troféus, uns atrás de outros.Os mais relevantes são a medalha de ouro alcançada no Campeonato Pan-africano, disputado em 2007, em Argel (Argélia) e a participação nos Jogos Olímpicos de Sideney-2000.

O atirador huilano, hoje com 45 anos de idade, já começa a falar em passar o testemunho.Antes, sublinhou, "gostaria de conquistar o campeonato africano, a ter lugar no próximo ano, em Marrocos".