Jornal dos Desportos

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Reportagens

Steffi Graf brilhou no ténis

14 de Fevereiro, 2011

Steffi Graf conseguiu superar três gerações

Fotografia: AFP

Quando o mundo pensou que tudo estava escrito no ténis mundial e que ninguém mais era capaz de superar as façanhas de Martina Navratilova e a presença de Chris Evert, apareceu nos courts a loira alemã. Com o seu temperamento, a sua garra para disputar os pontos e um “backhand” com “slice”, que os especialistas previam não durar muito, Steffi Graf conseguiu superar três gerações de ténis, saindo-se uma vitoriosa. A primeira a ofuscar as míticas Navratilov e Evert na década de 80, lutando para manter a supremacia com Monica Seles e a espanhola Arantxa Sánchez no começo dos anos 90.

Posteriormente enfrentou a vanguarda de adolescentes que surgiram há poucos anos, com a suíça Martina Hingis e companhia.
Golpeava a bola com mais força que ninguém, com os dois pés fora do chão, o seu serviço era sólido e voava sobre a rede. Não era espectacular nem agressiva com as rivais, tinha simplesmente a consistência com que sempre superou a adversárias, era uma verdadeira atleta.

Nem os problemas de saúde, alergias, sinusites, lesões de todo o tipo nos pés, no pulso, no joelho e lesões crónicas que afectaram a sua coluna, a impediram de ser a jogadora mais completa num court de ténis. Imagine-se o que poderia ter acontecido, se ela nunca tivesse tido os problemas de saúde e as lesões que teve. Navratilova, uma das suas vítimas, admitiu que a única jogadora que dominava todas as superfícies (terra batida, relva e relva sintética) era Graf e a sua velocidade era insuperável. “Estou certa de que se ela não fosse tenista tinha todas as características para ser a campeã do mundo na prova dos 400 metros”, declarou Navratilova.

“Impunha sempre um ritmo às partidas e a única coisa que tinha como segura era o seu revés, por isso cortava metade do court sobre a rede.” Graf também foi mestra em não expressar nem revelar as suas emoções, mesmo quando viveu uma etapa difícil de problemas pessoais e familiares com seu pai Peter, preso na Alemanha por evasão fiscal; era uma máquina de jogar ténis no campo. A sua relação com a imprensa sempre foi distante e sem nenhuma abertura pessoal, mas quando soltava o seu cabelo loiro e o deixava cair sobre os ombros para oferecer um sorriso, de enchia imediatamente de classe e distinção o ambiente.

Início
Salgadinhos e sorvetes de framboesa foram os primeiros prémios pelo seu esforço num court de ténis. Stefanie Maria Graf, que nasceu a 14 de Junho de 1969, em Bruhl, tinha três anos quando o seu pai pôs uma pesada raqueta de madeira na sua pequena mão. Mal podia segurá-la, mas o vírus do ténis afectou-a e desde esse momento começou a mudar a modalidade.

O pai, Peter Graf, reconheceu imediatamente o talento fora do comum da filha e explorou-o de forma metódica. Montada em grandes doses de orgulho, Graf lutou até chegar ao ponto máximo do ténis. Depois do seu começo contra a parede da sala da sua casa, chegou a sua primeira vitória num torneio juvenil, em Munique. O seu primeiro treinador, Boris Breskvar, considerado o descobridor de Boris Becker, opinou que Steffi era uma tenista bem dotada, como só há uma ou duas em cada século.

Com 12 anos foi a primeira alemã a ganhar o Orange Bowl. A sua primeira vitória num torneio profissional chegou em 1986, e a centésima a 6 de Julho de 1996, com a sua sétima vitória no relvado de Wimbledon.

Vitórias
A carreira de Steffi teve o seu primeiro ponto culminante em 1985, quando alcançou a meia-final do Open dos Estados Unidos e se transformou, com apenas 16 anos, na terceira do mundo, atrás de Evert e Navratilova. No ano seguinte, vieram os seus primeiros títulos, ao derrotar Chris Evert na Final de Hilton Head e escorraçar Navratilova na Final do Open da Alemanha, em apenas 64 minutos.

Nesse mesmo ano, foi eleita pela primeira vez a Atleta do ano na Alemanha, e no ano seguinte, depois de ganhar pela primeira vez o Roland Garros, alcançou o pódio do escalão mundial. A coroação da sua carreira chegou em 1988, quando ganhou pela primeira vez Wimbledon, repetiu o título em Roland Garros e conseguiu os prémios do Open da Austrália e do Open dos Estados Unidos, alcançando assim o chamado Grand Slam.

A campanha de 1988 ficou completada com a conquista da medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Seul. Um ano depois, a espanhola Arantxa Sánchez impediu, com a sua vitória em Roland Garros, que a Alemanha repetisse o Grand Slam. Enquanto a década de 80 foi de total ascensão, a de 90 foi de altos e baixos, tanto no desporto como na vida pessoal. Os problemas com o pai, que em 1997 foi condenado a uma pena por evasão fiscal, e uma série de lesões, ofuscaram a sua carreira, enquanto novas promessas do ténis, como Seles, Hingis e Jennifer Capriati, ameaçavam tirá-la da primeira posição a nível mundial. Em 1999 as lesões obrigaram Steffi a desistir à última da hora de participar em sete torneios, nos quais estava inscrita, mas surpreendentemente conseguiu o que ninguém mais esperava dela: ganhar mais uma vez o Roland Garros, após derrotar Hingis na final.