Jornal dos Desportos

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Reportagens

Tcnico da Academia valoriza formao de jovens jogadores

Manuel Cardoso - 03 de Agosto, 2015

O treinador pede s autoridades ligadas ao desporto e ao futebol em particular para facilitarem a entrada dos jovens nos jogos de futebol

Fotografia: M.Machagongo

O técnico espanhol, ao serviço da Academia de Futebol de Angola (AFA), Ramon Pontes, disse, ontem, em Luanda, em entrevista ao Jornal dos Desportos, que  "a metodologia utilizada no ensino do futebol tem que ser adaptada à cada faixa etária porque assim o atleta pode continuar a desenvolver  as suas habilidades nos outros escalões ".

Licenciado em Psicologia Desportiva pela Universidade Autónoma de Barcelona, o técnico defende que, para uma formação de referência, " deve-se começar a trabalhar com as crianças a partir dos sete a oito anos porque permite criar uma base  de assimilação".

 Ramon Pontes, 30 anos, treinador de Futebol de nível III esclareceu que "o futebol de sete cria o marco ideal para desenvolvimento do atleta", tendo sublinhado ainda, assim, " as distancias são mais reduzidas  e há uma interacção com a bola como no futebol de onze ".

O também especialista em novas tecnologias  aplicadas ao futebol disse que algumas deficiências que se denotam na formação" devem-se à  falta de projectos de médio e longo prazo", porque, sustentou, depende também da capacidade  dos clubes.

 O treinador pede às autoridades ligadas ao desporto,  em futebol em particular, para facilitarem mais vezes a entrada de garotos nos campos de jogos de futebol. "É uma forma de criar estimulo para jovens praticantes. Se olharmos para o mundo, vimos cada vez mais que há competições internacionais de escalão de base com garotos estimulados, o que é uma boa oportunidade para identificar  talentos ", defendeu o técnico .
 
O interlocutor entrevistado  esclareceu que o controlo, durante a formação de um jogador, é imprescindível, mas, adiantou, a seguir, que " a pedagogia é fundamental, não pode haver dirigentes que só querem ganhar jogos a que custo for, prejudicando os atletas e a competição".

A questão da  triste realidade, que por vezes se verifica, da adulteração das idades é um mal que deve ser também combatido desde a formação, segundo Ramon Pontes." Falsificando as idades dos garotos, reduz-se a carreira profissional dos mesmo e, depois, pode criar falsas expectativas na formação, onde começa com supremacia física,  e não a técnica ou táctica, para acabarem sedo, da pior forma".

CAÇA TALENTOS
Militares possuem área de recrutamento


Bento Valente , quanto à descoberta de talentos nos bairros e na escolas, considera essencial, mas aconselha à necessidade  de haver "um departamento de recrutamento dinâmico e organizado para que possa indicar os jogadores com maior talento".

"Neste momento estamos a organizar-nos nesta área", revelou, não deixando de lamentar que " os campos nos bairros hoje feitos estaleiros de construção civil é uma forma matar o futebol".

"Os garotos ficam sem espaço para jogar à bola. Não evoluem porque não praticam. Uma administração municipal deve ter mais cuidado com o planeamento urbanístico, porque, desta forma, podemos ter mais atletas em actividade positivas, ocupando os seus tempos livres com actividades saudáveis, tirando-os das drogas, como o tabagismo, álcool e o vandalismo", acrescentou.

"Com a prática do desporto , do futebol em particular, há um desenvolvimento harmonioso do ser humano em todas áreas. Um indivíduo com bons índices físicos, saudável, é mais confiante em si mesmo", aconselhou.

Bento Valente valoriza os frutos do trabalho de formação em várias e escolas e sobreleva também a qualidade e a capacidade de assimilação e de aprendizagem dos formandos.

"Tanto Academia do 1º de Agosto como na  Academia de Futebol de Angola os frutos não devem colhidos a menos de seis a sete anos. De facto o angolano tem genica e, por isso, tem que haver grande investimento a nível de formação de técnicos e criação de infra-estruturais locais a nível do bairro, fazer uma posta muita séria a nível do desporto escolar é aí que todo começa".         

DESCOBERTA
“Vamos aos bairros em busca de talentos”


O professor António Cortês Inês, também espanhol de nacionalidade, é outro técnico que está na Academia de Futebol de Angola a emprestar os seus conhecimentos na formação de futuros craques no futebol angolano e não só.

O treinador, falando, igualmente, para o Jornal dos Desportos, tocou na questão dos treinadores, enfatizando que a formação destes "deve ser o de nível um, para poderem orientar os escalões de formação, porque, se melhor competências tiverem nesse nível melhor, serão bons na formação dos garotos".

 De 54 anos e licenciado em Educação Física na Universidade  em Barcelona  António Cortês sublinha que "os técnicos devem ter ainda uma formação contínua para adquirir maior número de conhecimento de novas tecnologias, metodologia psicologia, pedagogia, condição física a fim de poderem transmitir os seus ensinamentos".

Por esta razão, sublinhou o técnico, na Academia de Futebol de Angola há um corpo técnico multidisciplinar  que integra psico-pedagogos, educadores sociais, profissionais da área da saúde e treinadores para, em conjunto,  "trabalharem para o correcto desenvolvimento do atleta".

"Nós vamos aos bairros à procura de  novos talentos. Temos colaboradores que nos tem ajudado na pesquisa dos talentos vindo dos bairros. Muitos espaços foram feitos estaleiros na cidade de Luanda", disse António Cortes que é treinador do nível III.

O técnico incentiva que " quanto mais qualidade tiver os campos mais qualidade tem o futebol, deve-se criar alternativas no sentido de se construir novos campos que substituem os anteriores, evitar lá construção de estaleiros".                                        

Na escola do 1º  de Agosto
são forjados bons atletas



A coordenação da Academia de Futebol do 1º Agosto é assegurada por um técnico de reconhecida qualidade e competência, Bento Valente, que é formado em Ciência do Desporto.

Conhecedor profundo dos meios e técnicos de formação, Bento Valente disse ao Jornal dos Desportos que o futebol angolano deve melhorar no aspecto do planeamento e organização.

"Deve ser no meu ponto de vista prioridade na formação dos técnicos e melhoramento de infra-estruturais e outras coisas para a satisfação de todo um processo de desenvolvimento e formação".

O técnico que já trabalhou em Portugal na camada de formação de  iniciados,  de juvenis e júnior do Sporting  disser da opinião que " os garotos quanto mais menores forem melhor, mas a idade óptima para prática futebol é a partir dos sete anos, antes disso devem apenas ter actividades lúcidas".

"É importante os formandos acompanhar os jogos de futebol profissional , irem aos jogos, acompanhar as partidas onde vêem os adeptos a apoiar os ídolos deles, isto criar o desejo de um dia estarem na mesma situação", incentivou o técnico.

Bento Valente, que já é treinador há vinte e cinco anos, uma carreira que o levou a orientar o Sporting de Portugal, onde participou também na formação de jogadores como  Cristiano Ronaldo, William de Carvalho e  Ricardo Quaresma, e em termos de experiência defende também que treinadores de futebol devem ter no mínimo o primeiro  nível porque permite perceber a metodologia e perceber como estruturar o seu treino.

"Os técnicos de futebol devem estar continuamente em formação. O treino é uma ciência que evolui e, portanto, os técnicos devem estar, constantemente ,actualizados, porque aquilo que se fazia há dez anos continua a ser alterado".

"Primeiramente formar os técnicos que estão na formação. Um técnico formado é um indivíduo que percebe o que é o treino, não só no campo. Existe o chamado treino invisível de acompanhamento do jovem atleta e essa orientação vai ser fundamental e determinante no final do jovem atleta", acrescentou.

REFERÊNCIA DOS RUBRO NEGROS

Estádio França Ndalu com vinte mil lugares


Um estádio com 20 mil lugares é uma das principais referências da futura Cidade Desportiva do Clube 1º de Agosto, localizada numa unidade militar e que conta com infra-estruturas de apoio a diversas modalidades. Denominado estádio França Ndalu, é uma homenagem a antigo dirigente daquela agremiação.

 Em declarações ontem à Angop,  Elizabeth Caito, responsável das infra-estruturas do clube, indicou que o estádio tem já a primeira fase concluída (primeiro anel) com nove mil assentos, estando já em execução o segundo anel, que deve  ser finalizado fora do tempo previsto, face à sua dimensão.
“Neste momento estamos a fazer os trabalhos de drenagem para começar já a receber a relva sintética. Já temos concluído a primeira fase com a construção do primeiro anel com capacidade para nove mil espectadores. Iniciamos já a segunda fase dos trabalhos do segundo anel” – explicou.

Para além do Estádio França Ndalu, a Cidade Desportiva oferece também um internato (denominado 4 de Abril – consagrado ao dia da paz efectiva em Angola), onde já residem cinco futuros talentos do futebol, um pavilhão multi-uso com capacidade para 2.500 pessoas sentadas e um centro de estágio.

Está a ser também erguido um colégio, um parque de estacionamento, e   tem   uma piscina olímpica e um pavilhão de maior dimensão.
“Outras infra-estruturas serão também feitas consoante as necessidades do clube” – segundo a arquitecta Elizabeth Cailo. 

Por outro lado, o campo Daniel Ndunguidi, reservado ao futebol de formação e localizado nesta unidade militar, em Luanda, deve  já acolher treinos nocturnos, com a colocação das torres de iluminação, informou a Angop uma fonte do 1º de Agosto.

O director para as infra-estruturas do clube militar, Hélder José Sérgio “Dé”, que prestou esta informação, durante uma visita guiada ao recinto, para que isso seja efectivado, aguarda-se pela montagem dos grupos geradores.

Os treinos do período da noite no relvado sintético serão especificamente para os alunos do internato, assim como os que vivem nos arredores do complexo.

 Daniel Ndunguidi, é uma das principais referências da formação militar. No recinto está também localizado um campo com relva sintética, denominado Nicolas Berardinelli (homenagem ao primeiro treinador da equipa principal de futebol), destinado também à formação.

FUTURO GARANTIDO
Pupilos do “Rio Seco”
falam dos seus dotes


João Vale,  já 18 anos, está agora na categoria júnior do 1º de Agosto, Estudante do Colégio Santa Catarina, joga a médio. " Em  2001nfiz o teste  em 2010 e fiquei apurado na categoria nos iniciados.  Hoje, júnior, a minha função é fazer jogar a equipa e o meu forte é a execução de passes longos", disse.

O atleta recorda e conta que "joguei juvenis durante duas épocas e júnior, três anos. O meu clube do  coração é o 1º de Agosto. Sempre gostei de jogar neste grande clube", disse João Vale,  que tem em Niesta o jogador  estrangeiro em quem se inspira.

Gil Máquina, 18 anos, estudante do 1º ano do curso de psicologia no ISIA, é ponta de lança. "Marcar golos é minha tarefa", revela, especificando que esta  época desportiva em três jogos já marcou quatro golos. . Já fui melhor marcador no nacional de futebol em Benguela em 2013, com dez golos".     
   
"Na verdade comecei a jogar no Rodoviário em 2008 nos iniciados. O senhor Cristóvão convidou-me depois para jogar na equipa militar em 2012,  aceitei o convite", recorda.

Josimar, 19 anos, estudante da 11aclasse do Colégio Santa Catarina, já chegou a júnior do 1ºAgosto. Jogador da defesa central, considera que "a minha função é defender e, nalguns momentos, sair para  o contra-ataque".

Estive a jogar no Rodoviário num  jogo com o 1º de Agosto em 20011. Viram-me e o senhor Cristóvão convidou-me para jogar no 1º Agosto e aceitei o convite", explica.

"Comecei a minha carreira no Rodoviário desde os iniciados até à penúltima época em  juvenis. O meu clube do coração é 1º Agosto. "Sempre fui adepto de 1º Agosto, tenho boas referencias deste grande clube, sou fã do antigo defesa central do 1º Agosto, Miúdo Neto", desabafou o jovem.
"O Barcelona FC teve um grande defesa central que admiro, muito Puyol", mas também sou admirador de John Therry e de Mascherano.     
MC