Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Tenho o privilégio de ser adjunta de Aníbal Moreira"

João Francisco, On-line - 13 de Julho, 2013

Treinadora de basquetebol Jaqueline dos Prazeres Francisco

Fotografia: Jornal dos Desportos

A treinadora de basquetebol Jaqueline dos Prazeres Francisco, 35 anos, ou simplesmente Jackie, é adjunta de Aníbal Moreira na Selecção Nacional em femininos, campeã africana que se prepara para defender o título este ano, alcançado pela primeira vez em 2012.

A adjunta de Aníbal Moreira, igualmente no 1º de Agosto, foi praticante de basquetebol desde os 13 anos, incentivada por um vizinho no Bairro do Mártires de Kifangondo, nas imediações do Aeroporto 4 de Fevereiro, quando já tinha 1,75m de altura.

Jaqueline Francisco começou a sua carreira no Grupo Desportivo do Maculusso, do qual saiu aos 18 anos para ir para o 1º de Agosto, onde jogou até aos 33, antes de enveredar pela carreira de treinadora, a convite de Aníbal Moreira, para trabalhar naquele clube como sua adjunta na equipa sénior em femininos.

“Actualmente, também trabalho na equipa de iniciados em femininos. Para ocupar as funções actuais, participei em alguns seminários sobre treino e, mais recentemente, fiz o curso de treinadores de nível I, organizado pela Federação Angolana de Basquetebol (FAB)”, explicou a treinadora.

Carreira
como jogadora

Ainda como jogadora, Jackie foi chamada pela primeira vez à Selecção Nacional de juniores quando tinha 16 anos, para representar Angola nos Jogos da Lusofonia daquele ano, tendo também, durante vários anos, feito dupla categoria pela Selecção Nacional de seniores.

“A nível de clubes fiz carreira desportiva no 1º de Agosto, onde obtive várias conquistas nacionais e internacionais. Por exemplo, a primeira vez que uma equipa feminina de Angola conquistou um troféu a nível de África, a Taça dos Clubes Campeões no Gabão em 2006, fiz parte do grupo de atletas que estavam já sob o comando de Aníbal Moreira, de quem agora tenho o privilégio de ser adjunta na Selecção”, recorda, com satisfação, um dos momentos mais marcante da sua carreira.

Como treinadora, já conquistou, com Aníbal Moreira, o primeiro troféu, no Campeonato Nacional de Basquetebol em femininos, referente à época2012/2013.
“Se, como jogadora, me marcou muito a conquista pela primeira vez da Taça de África dos Clubes Campeões de 2006, como treinadora, a recente vitória do Campeonato Nacional, enquanto adjunta de Aníbal Moreia, não fica atrás”, sublinhou.


POR DENTRO


Nome completo:
Jaqueline dos Prazeres Francisco.
Filiação: Ermelinda João Francisco.
Data e local de Nascimento: 16 de Marco de 1978 em Luanda.
Estado Civil: Casada.
Filhos: Dois.
Altura: 1,85m.
Calçado: 42.
Prato preferido: Nenhum em especial.
Bebida: Sumo natural de maracujá.
O que faz nos tempos livres: Leio ou vejo filmes e danço.
Clube preferido: 1º de Agosto.
Cidade: Rio de Janeiro.
País: Angola.
Perfume: Chanel Bleu.
Religião: Metodista.
Ídolo: A minha mãe.
Alguma vez mentiu? Sim.
Sonho/desejo: Ser uma treinadora conceituada.


HISTÓRIAS
Homem em tronco
nu e suado à entrada
do balneário no Mali


Jackie garante que teve muitas histórias marcantes na sua carreira como jogadora e treinadora de basquetebol, mas recorda uma, na final da Taça dos Clubes Campeões de África disputada em 2005 no Mali, onde presenciou uma série de rituais tradicionais que a deixaram estupefacta.

“Ao entrarmos para a quadra de jogo no Mali, atiraram-nos com água suja e espalharam um pó de cor castanha na porta e, no final do jogo, quando as jogadoras se dirigiram para o balneário, deparámo-nos com um homem de tronco nu suado, trazendo um troféu embrulhado em trapos”, relembrou.


PING PONG


Qual vai ser o seu contributo para o Mundial de Hóquei em Patins?
Sempre que for possível vou estar presente nos jogos para apoiar a Selecção Nacional.

Qual é para si a importância deste evento?
O Mundial de Hóquei em Patins é extremamente importante, porque vai permitir um maior intercâmbio cultural, desportivo e social entre as comunidades dos países que vão estar envolvidos.

Quais são os favoritos?
 
Naturalmente, qualquer equipa que está envolvida numa determinada competição ambiciona ganhar e penso que neste caso isso não é diferente para a nossa Selecção. Mas, também é preciso reconhecer que nos vamos debater com selecções muito fortes e com experiência ao mais alto nível competitivo.

O que espera da Selecção Nacional?
Que faça uma boa campanha, com boas exibições, como já foi visível noutras competições, e lute pelos lugares cimeiros da competição.

E os ganhos para o país?
Atendendo ao investimento que tem sido feito pelo Executivo, o ganho maior vai ser o aumento das infra-estruturas desportivas para as diferentes competições que Angola tem albergado em várias modalidades. Para o Mundial de Hóquei em Patins não vai ser diferente, visto que temos acompanhado diariamente a evolução das novas infra- estruturas, assim como a reestruturação das já existentes.


MOTIVAÇÃO
“Paixão pelo basquetebol
e o meu prazer em ensinar “


A treinadora da FAB já frequentou diversos seminários sobre preparação física para atletas de Elite e sente-se muito motivada para continuar a sua carreira.

“O que me motiva como treinadora é a paixão que tenho pelo basquetebol e o prazer de ensinar tudo o que tenho e tive oportunidade de aprender com aqueles que fazem parte dos grandes treinadores que Angola tem, como Raul Duarte, Aníbal Moreira, Jaime Covilhã, e Apolinário Paquete, que são as minhas outras fonte de aprendizagem e motivação, por serem um exemplo a seguir enquanto profissionais”, disse.

Na opinião da treinadora, “Angola tem um grande potencial humano no que ao basquetebol diz respeito, e continua a formar jogadores com qualidade e de referência a nível de África e do Mundo”, concluiu.