Jornal dos Desportos

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Reportagens

Ténis renasce das cinzas

Gaud?ncio Hamelay , No Lubango - 17 de Março, 2017

Juka Fernandes pede cooperação das associações no processo de massificação

Fotografia: Jornal dos Desportos

Sob o olhar atento do treinador, Paulo Vicente ensaia cuidadosamente a técnica de recepção de bola. Na mão direita está uma raquete pequena. O garoto de oito anos de idade aprende o ABC do ténis numa das quadras polivalentes adjacente ao Instituto Superior de Ciências de Educação do Lubango.

Trajado com um equipamento verde e branco, as cores dos leões, Coca Cola, como é conhecido, estampa um sorriso no rosto sempre que a bola se perde. A inocência diverge-se da seriedade do leão estampado na camisola do Sporting Clube do Lubango.

Há três meses de prática, Coca Cola enfrenta inúmeras dificuldades. São tantas que as evita descrever. Uma razão leva-o a omitir. O sonho. Um sonho que cresce todos os dias. Uma esperança alimentada pelo desejo de viver e de ser angolano. Coca Cola ambiciona ser \"um atleta de grande gabarito nacional para representar Angola nas provas internacionais\".

O sonho de Coca Cola assemelha-se a de outras 57 crianças que diariamente ocorrem às quadras do Instituto Superior de Ciências de Educação do Lubango, no bairro Comandante Cowboy. A prática desportiva traz benefícios à saúde humana e ao desenvolvimento psico-motor das crianças.
 
Nem tudo é ouro. O ténis atravessa dificuldades materiais. Não há raquetes, bolas, redes, camisolas e calções. 50 bolas e 10 raquetes, das quais algumas desgastadas pelo tempo, suportam o processo de massificação. Os espaços de treinos são impróprios para a classe de formação. A situação preocupa o presidente da Associação Provincial de Desportos Individuais da Huíla, Juka Fernandes.

\"O estado do ténis é preocupante. A Huila trabalha incansavelmente na massificação para a descoberta de novos talentos. A tendência de crescimento dos desportos individuais é grande, mas estão votadas à marginalização. As empresas e as entidades responsáveis pela política desportiva promovem mais o futebol pelas razões óbvias\", disse.

Um sorriso triste solta-se dos lábios. O dirigente olha ao céu e apela à entidade reitora da política desportiva do país: \"Gostaríamos de pedir apoio ao Ministério da Juventude e Desportos\".

Juka Fernandes apregoou que apenas existe dinheiro para apoiar o futebol, mas nunca há para o ténis, ginástica, atletismo, taekwon-dó, entre outras disciplinas.

“Isso tem de mudar para o bem do desporto nacional; tudo isso tem as suas influências negativas, embora resistamos sempre em situações negativas. O ténis está a meio gás. Trabalhamos no mínimo para não parar\", disse.

A Huíla é um canteiro do ténis. O Clube Desportivo da Huíla, Sporting Clube do Lubango, Águias do Calumbiro e o Clube de Ténis da Huíla movimentam as raquetes nos escalões de iniciados, juvenis, juniores e seniores. Três outras agremiações juntaram-se recentemente ao grupo. Trata-se do Clube Desportivo da Saúde, Benfica Petróleos do Lubango e Clube Ferroviário da Huíla.

O volume de trabalho nos escalões de formação sensibiliza a direcção da Associação Provincial dos Desportos Individuais.

\"Nós, Associação, somos sensíveis aos sonhos das crianças. São muitos petizes a fazer o trabalho de massificação e gostaríamos de estar sempre disponível a trabalhar com eles a fim de não se desencaminharem conforme a maior parte da juventude, que está entregue às drogas, prostituição, álcool e outras acções nocivas\", sublinhou.

Juka Fernandes destacou itens importantes que merecem considerações das entidades competentes do desporto no país.

\"O Ministério da Juventude e Desportos deve rever as suas políticas para resgatar a juventude perdida nas coisas nocivas, pois esse é o seu verdadeiro papel. Temos de começar a falar pouco e fazer mais”, defendeu.


CONSTATAÇÃO
Associações “dormem à sombra de bananeira”


O presidente da Associação provincial dos Desportos Individuais da Huíla, Juka Fernandes, reconheceu que muitas associações provinciais adormecem à sombra da bananeira após os dois mandatos de Matias Castro e Silva. Benguela, Uíge, Malange, Bengo, Cabinda, entre outras citadas, retrocederam nos seus programas de desenvolvimento.

Para Juka Fernandes, a modalidade deve reflectir com seriedade em cada um dos casos. O desaparecimento do ténis na cidade de Moçâmedes é o exemplo mais sonante e deixa-o \"muito preocupado\".

\"É importante que se tenha em conta que na província de Moçâmedes, onde já existia o ténis, houve um recuo grande, o que me preocupa bastante”, exteriorizou.

O dirigente reiterou que a mão do Ministério da Juventude e Desportos foi fundamental para identificar os problemas da Federação Angolana de Ténis. Por isso \"é uma medida bem tomada, bem vinda e de extrema importância\".

Juka Fernandes apontou que a comissão de gestão criada deve imprimir uma pedalada diferenciada para abranger maior número de praticantes de ténis. O dirigente reitera que a modalidade \"necessita injectar sangue novo\".

O grupo constituído por Sebastião Araújo, Ana Balbina, Eliseu Maria, Baltazar Roque e Genivaldo Dias deve adoptar uma gestão participativa para a melhorar e desenvolver o ténis no país, segundo Juka Fernandes.

Findo a missão no período estipulado pela directriz do Ministério da Juventude e Desportos, Juka Fernandes sugere que \"deve haver uma lista de consenso\" para evitar as quezílias. O responsável associativo justifica que \"há um número de dirigentes muito reduzido no país\" para levar a bom porto o ténis.


PARA O BEM COMUM     
Juka defende união da família


Com a destituição da direcção da Federação Angolana de Ténis em Assembleia geral extraordinária, o desporto das raquetes recuou um século. O momento actual da modalidade no país requer a união de todos os fazedores para permitir a convergência do denominador comum. Só com trabalho colectivo se vai encontrar o fim do estrangulamento. A apreciação é do presidente de direcção da Associação Provincial dos Desportos Individuais da Huíla (APDIH), Juka Fernandes.

O dirigente argumentou que é imprescindível a \" unificação da família e daqueles que gostam o ténis\" porque \"o momento é crítico\" em Angola. O ténis nacional granjeou boa imagem em África ao longo dos dois anos de mandato de Matias de Castro e há a necessidade de resgatá-la.

O desequilíbrio competitivo entre as diferentes pólos de desenvolvimento do ténis é justificado pelo modelo de gestão e organização. Juka Fernandes manifestou-se contrário aos agentes que alimentam intrigas no seio da modalidade e não velam pela constituição interna das suas associações.

A título de exemplo, disse que \"em Luanda aparecem mais papagaios do que outra coisa, porque não há associação provincial\". Tem conhecimento de que \"há clubes que aparecem nos campeonatos nacionais\".

A situação de Luanda estende a outras províncias do norte de Angola. \"Uige, Cabinda e Bengo também me parecem ser mais papagaios do que outra coisa. Quando deviam trabalhar, falam mais. Nos campeonatos nacionais, fazem-se representar com jovens mal formados; o seu nível técnico é extremamente baixo como o de uma criança de rua apanhada para jogar; não sabem pegar uma raquete\", desabafou.

Admitiu que o ténis é praticado com regularidade nas províncias da Lunda Norte e da Huíla.

As diferenças pessoais e as acusações sobre a gestão da federação devem ser superadas para o bem das crianças em formação, segundo Juka Fernandes.

\"Vamos pensar no futuro das crianças para ajudá-las a crescer e desabrochar os talentos do ténis. É uma modalidade bonita. Com o pagamento das taxas na ITF (Federação Internacional de Ténis), Angola começou a receber algum material desportivo. Com a situação actual, não acredito que consigamos convencer as entidades internacionais\", reiterou.

A eleição da Comissão Administrativa da Federação Angolana de Ténis \"veio em boa altura\". Perante o rumo actual, Juka Fernandes apela à Comissão para que seja \"objectiva e pragmática\". A recuperação das associações provinciais \"é importante para o fim da degradação do ténis\".

“Estou preocupado com o estado do ténis. Espero que a Comissão Administrativa seja objectiva e pragmática para reavermos o trabalho em todo o país; aguardo que convença patrocinadores para dar suporte aos programas de desenvolvimento ligados à formação de treinadores e de monitores\", disse.

Para Juka Fernandes, \"o apoio do governo são insuficientes\" para garantir o trabalho de massificação. Lamentou o desaparecimento da cidade de Moçâmedes nas competições nacionais.

\"Todavia é necessário que a comissão trabalhe de forma correcta e organizada para que consigamos fazer o nosso trabalho condigno, concretamente, de massificação; para termos a nossa Federação funcional a fim de dar formação aos técnicos\", disse.

O dirigente huilano sugere que os novos gestores da FAT devem apostar na \"massificação, organização de torneios nacionais e internacionais para o país sair imediatamente da confusão”.

Juka sugere que a nova equipa deve fazer um diagnóstico da realidade em todo o território nacional e exigir trabalho às associações \"preguiçosas\".

Lembrou que as consequências das quezílias têm reflexo directo na formação das crianças, que \"não têm culpa\" dos erros dos adultos. \"Isso queima etapa dos jovens que já deviam brilhar nas competições internacionais\", reiterou.
GAUDÊNCIO HAMELAY | NO LUBANGO