Jornal dos Desportos

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Reportagens

Teorias de conspirao

19 de Outubro, 2010

Dos melhores jogadores de todos os tempos

Fotografia: AFP

Maradona em 1994

A comissão anti-doping encontrou a substância efedrina na urina do craque argentino durante o Campeonato do Mundo de 1994 e Maradona disparou contra a FIFA. El pibe jurou que estava a ser perseguido pela entidade, ideia comprada por muitos argentinos. Também chegou a dizer-se que havia um acordo entre as partes para El Pibe jogar o Mundial dopado a fim de promover o futebol nos Estados Unidos da América.

Maradona foi campeão do mundo, em 1986, e considerado de forma unânime como um dos melhores jogadores de todos os tempos. A magia da camisa 10 perdura na memória de todos os argentinos, numa espécie de veneração e agradecimento eterno pela alegria proporcionada pelo craque.

Aos 17 anos, já estava entre os 25 melhores jogadores argentinos, mas não maduro para fazer parte da equipa que consagrou a Argentina como campeã do mundo, em 1978. Em 1979, foi o capitão da selecção que ganhou o campeonato mundial sub-21. A performance de Maradona deixou muito a desejar no mundial da Espanha 1982, quando foi expulso num jogo contra o Brasil. Já no mundial do México, 1986 – no auge como jogador – conduziu a vitória da selecção argentina contra a Alemanha (3-2) na final.

Nesse Mundial, Maradona marcou o que viria a ser o golo do século: partiu do campo da defesa argentina, fintou 10 jogadores ingleses e meteu a bola na rede. No Mundial de 1990, levou a Argentina à final, mas tiveram de se contentar com um segundo lugar ao perder por 1-0 contra a Alemanha

Na sua galeria de jogadas ontológicas está a famosa e controvertida "mão de Deus", além do golo mais espectacular do século. Diego Armando Maradona nasceu a 30 de Outubro de 1960, num bairro precário do subúrbio de Buenos Aires chamado Villa Fiorito. É filho de um operário e começou a jogar futebol aos 9 anos, numa equipa infantil, Los Cebollitas.

Em 1976, aos 15 anos, foi contratado pelo Argentino Juniors, um clube de primeira divisão. Um ano depois, foi convocado para jogar na selecção nacional. Era chamado"El pibe de oro" (o garoto de ouro). Em 1980, foi vendido ao Boca Juniors e dois anos mais tarde ao Barcelona da Espanha. Em 1984, foi contratado pelo Napoli da Itália e ganhou dois campeonatos italianos em 1986/87 e 1989/90, uma Taça de Itália (1987), uma Taça UEFA (1989) e uma Supertaça Italiana (1990).

Esquema  Brasil -França
A convulsão de Ronaldo Fenómeno na véspera da final contra a França no Mundial de 1998 deu margem para uma série de teorias malucas. A mais famosa história foi de que os brasileiros teriam trocado o título pelo direito de sediar o Campeonato do Mundo de 2006. O Mundial de França prometia a consagração do Fenómeno. 

Ronaldo, que foi ao torneio com dois títulos de Melhor jogador do Mundo, havia marcado cinco vezes: um contra o Marrocos (3 x 0), na primeira fase; dois contra o Chile (4 x 1), nas oitavas; um contra a Dinamarca (3 x 2), nos quartos-de-finais; e um contra os Países Baixos (1 x 1), nas meias-finais, tendo ainda acertado a sua cobrança na decisão por penalties nessa partida. Tudo isso a despeito de sofrer com lesões na perna (que tratava com analgésicos), agravadas na partida contra o Marrocos. No Mundial de 1998, Ronaldo deu arranques curtos seguidos por períodos de quase apatia em campo.

 Os media também não ajudavam: durante o torneio, mais de mil jornalistas andavam atrás do astro, bem como os patrocinadores.
Horas antes da decisão, contra a anfitriã França, Ronaldo foi abatido por uma misteriosa convulsão, com vários diagnósticos, desde stress a ataque epiléptico. Deixou o hospital, onde havia sido levado 75 minutos antes da partida.

O técnico brasileiro Zagallo optou por nomear Edmundo no lugar de Fenómeno, mas o próprio Ronaldo apareceu a 40 minutos do início da partida, declarando-se apto. A atitude do craque dividiu o grupo: um defendia não mais alterações na lista divulgada e outra queria a inclusão do Fenómeno entre os finalistas titulares.

Guerra contra Puskas

A Fuga Alemã


Já classificada para a segunda fase, em 1974, a Alemanha Ocidental teria entregado os pontos num duelo em que a fraca Alemanha Oriental venceu por 1 a 0. Tudo para fugir da Holanda, Argentina e Brasil e ficar ao lado de Suécia, Jugoslávia e Polónia. O Campeonato do Mundo de 1974 revelou a "Laranja Mecânica".

A equipa da Holanda recebeu o apelido pela cor do uniforme e pela aparente anarquia dos jogadores em campo que lembrava as gangues do filme de Stanley Kubrick. Mais uma vez a melhor selecção não venceu. Assim como em 1954, os alemães ocidentais chegaram a final a jogar por resultados para evitar adversários mais fortes. As vitórias convincentes da equipa de Cruyff não foram suficientes para suportar a claque e a eficiência da Alemanha de Beckenbauer.

Caça a Puskas
Em 1954, o povo alemão não entendeu nada, quando Sepp Herberger definiu uma equipa mista para enfrentar a poderosa Hungria e perdeu de forma arrasadora por 8-3. O mais importante serviço foi feito por Horst Eckel: o marcador caçou e tirou Puskas da partida. De fora dos jogos seguintes, o craque húngaro só retornou na final, baleado, e pouco fez no triunfo germânico por 3 a 2. Para os cépticos, um plano mirabolante de Herberger.

Ferenc Puskás é daqueles jogadores cuja aparência engana: baixinho, um pouco acima do peso e deselegante. Mas, esse húngaro é considerado o melhor jogador antes da"Era Pelé". Dotado de uma classe acima do normal, possuía"um canhão no pé esquerdo" e um dos remates mais precisos da história.

Campeão olímpico de 1952, a equipa húngara era o favorito do Campeonato do Mundo de 1954. Para chegar à final, venceu todos os jogos, inclusive um imponente 8-3 diante dos alemães, que naquela partida jogavam com suplentes. Os alemães apertaram Puskas diversas vezes, até esmagá-lo, quando o jogo já estava decidido. Mesmo lesionado, Puskas jogou o torneio, marcou quatro golos e foi o Melhor Jogador daquela Mundial. Na final, porém, totalmente "baleado", não conseguiu evitar a derrota por 3x2 para os alemães ocidentais, apesar de ter aberto o placar aos 6 minutos de jogo.

O Mundial de Mussolini
A influência do ditador Benito Mussolini no Campeonato do Mundo de 1934 é bastante difundida. Consta das histórias um bilhete ameaçador escrito vitória ou morte, entregue à selecção italiana. As arbitragens suspeitas pró-Itália nas partidas contra Áustria e Checoslováquia também teriam o dedo de Mussolini, que teria escolhido vários árbitros do Mundial. A última história dá conta de ameaças ao craque argentino Monti durante o Mundial de1930, no Uruguai, seguido de um convite, que foi aceite, para se naturalizar italiano e jogar quatro anos depois.

Contaminação ao Brasil

Esquema Europa

As teorias geralmente colocam o país anfitrião como o beneficiado. Em 1966, um dos Campeonatos do Mundo mais polémico por conta do golo que deu o título aos ingleses, circulou uma tese sobre os quartos-de-finais: um árbitro alemão apitou Inglaterra x Argentina, enquanto um inglês apitou Alemanha Ocidental x Uruguai. Diz-se que tudo foi um acordo, já que os dois países avançaram para as meias-finais com arbitragens polémicas.

Assaltos aos Italianos
Nos oitavos-de-finais do Campeonato do Mundo de 2002, a Itália foi prejudicada pela arbitragem que favoreceu a anfitriã Coreia do Sul. O equatoriano Byron Moreno expulsou Totti e anulou o golo legal de Tommasi (ao inventar uma falta inexistente) e, em seguida, passou férias em Miami, Estados Unidos da América, com tudo pago, segundo a imprensa italiana. Nos quartos-de-finais, a Coreia também ganhou com a ajuda da arbitragem de Gamal Ghandour.
 
O Julgamento do garrincha
A história que tinha ares de lenda ficou com jeito de verdade, recentemente. Garrincha havia sido expulso e o árbitro auxiliar uruguaio Esteban Marino não compareceu ao julgamento. O brasileiro ficou livre das acusações.

A Água dos Argentinos 
Carlos Bilardo indicou anos depois que procedia à reclamação do brasileiro Branco. No confronto Brasil e Argentina, em 1990, o lateral bebeu água dos argentinos e ficou sonolento. Não se sabe exactamente a substância, mas algo foi preparado pelos argentinos para sabotar o Brasil, que fez grande partida e deu adeus graças ao golo de Cannigia.

Peru  Vendido
É, provavelmente, a maior reclamação brasileira na história dos Mundiais. O Brasil deu adeus, em 1978, graças a uma goleada que a Argentina aplicou sobre o Peru: 6 a 0. Sem oferecer resistência, os peruanos eliminaram assim os invictos brasileiros. Cláudio Coutinho chegou a dizer que a selecção era a campeã moral.

A polémica começou no dia 21 de Junho, quando o Brasil entrou em campo contra a Polónia e saiu vencedor por 3 a 1. Três horas depois, foi a vez dos argentinos jogarem com o desclassificado Peru. Devido ao saldo de golos, os anfitriões entraram no campo com a calculadora na mão: precisavam vencer por 4 a 0 para chegarem à final.

Com dois golos do atacante Kempes e uma actuação peruana estranha, a Argentina ganhou por 6 a 0, a mesma equipa do Peru que havia ganhado a Escócia e empatado com a Holanda na primeira fase, mas que, curiosamente, não mostrou a mesma força contra a Argentina. Desde aquela polémica partida, a FIFA exige que as últimas partidas de cada grupo sejam realizadas no mesmo horário. Para todos os efeitos, os donos da casa estavam na final.