Jornal dos Desportos

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Reportagens

Torneio do Pioneiro em destaque

29 de Abril, 2015

Desporto infanto-juvenil com prioridades na massificação e desenvolvimento do desporto

Fotografia: Jornal dos Desportos

A Independência Nacional, assinalada a 11 de Novembro de 1975, proporcionou muitos ganhos aos angolanos, o desporto também beneficiou com esta grande conquista do Povo. A preocupação, que hoje existe, de se dedicar uma especial atenção ao futebol infantil não é nova, vem desde o alcance da soberania.

Recuando no tempo, em 1976, foi constituída uma Comissão Organizadora para a realização do Torneio do Pioneiro. Para o efeito, foram na altura convocados para uma reunião de trabalho todos os treinadores de futebol júnior, a fim de tratarem de diversos assuntos ligados ao fomento do futebol jovem.

Entre os treinadores convocados para participar nessa reunião destacam-se os nomes de Daniel Cata, Barata, Inácio, Esteves, Queirós, Nando, Pedro e Cardoso. Fora esses, foram ainda chamados  os elementos que de um modo geral tenham dado colaboração ao futebol juvenil.

Para tratar da arbitragem dos jogos, do Torneio Pioneiro, foram seleccionados jogadores juniores que participavam nas provas oficiais, com o objectivo dar-lhes uma maior consciencialização no ensino da modalidade entre os mais pequenos.

Quanto à actuação dos árbitros, propriamente dito, esses tinham uma acção  exclusivamente de apoio, quer através de ensinamentos práticos antes dos jogos, quer a fazer correcções durante os mesmos. O contributo era de extrema importância nas reuniões com os “árbitros -juniores”, através de críticas ao trabalho de cada equipa.

Na sua edição de 4 de Janeiro de 1976, o Jornal de Angola assinalava o início do torneio com uma reportagem da qual destacamos o seguinte extracto da matéria: “Teve início ontem à tarde o ‘1º Torneio do Pioneiro’. Os campos do Atlético, CTT e FC de Luanda ganharam vida nova com a presença de dezenas de pioneiros dedicando-se à salutar prática do desporto”.De acordo com o matutino, na ronda efectuada nesse dia pelo campos, foi possível notar em todos, praticantes e dirigentes, “a vontade de contribuir para um desporto voltado para as massas”.

COMPETIVIDADE
Equilíbrio entre equipas era evidente em campo


O Primeiro Torneio do Pioneiro, em futebol, passou a ser assunto corrente entre a miudagem de todos os bairros da cidade capital. Tratou-se da primeira grande organização desportiva dos Pioneiros, que envolveu mais de uma dúzia de equipas, com  jogos aos sábados e domingos em três campos simultâneos.
Com o início da competição foi notória uma grande disputa dentro das quatro linhas, com os garotos a entregarem-se aos jogos de corpo e alma, elevando a competitividade entre todas as equipas.

Na primeira jornada, os primeiros encontros registaram resultados equilibradíssimos, evidenciavam a apetência que os miúdos tinham pelo desporto em geral e pelo futebol em particular. Alguns dos resultados verificados na ronda inaugural foram os seguintes: na zona “A”, o Ngola Mbandi venceu a equipa C. Cow-Boy, por 2-0 e o Sagrada Esperança empatou com o Zangado a duas bolas. Na Zona “B”, a turma do C.Stona e os Nacionais  também empataram (1-1), enquanto a do Augusto Ngangula “A” perdeu (1-2) com a do Manuel Van-Dunem. Finalmente, na zona “C” a escola Augusto Ngangula “B” perdeu com os Kissas por 0-2 e o Povo em Luta venceu o Poder por 9-1.


FIGURA
Dirigente  Desportivo
ADRIANO NUNES


Aspecto sereno, olhar percrustante, pouco temperamental, a figura de  Adriano Nunes não passa despercebida aos assuntos do desporto angolano desde os primórdios da Independência Nacional. Jovem de ideais firmes, cedo se apaixonou pelas modalidades desportivas e com a chegada à adolescência entregou-se à prática de várias delas no bairro em que morava e nas escolas por que passava. O andebol, atletismo, futebol e basquetebol são algumas das modalidades que praticou no âmbito do amadorismo. Coleccionador de cromos e aficcionado do Sporting de Portugal, a Independência Nacional permitiu que Adriano Nunes se transformasse num técnico desportivo de que o país se pode orgulhar. Passou ao lado de uma carreira de excelência, mas é um dos rostos  visíveis do atletismo angolano. Actualmente é vice-presidente da Federação Angolana de Atletismo e assume a direcção da organização da prova.

Já era desportista antes da Independência Nacional?

 Já, era desportista no sentido de que praticava a nível escolar e no bairro várias modalidades desportivas e um grande apaixonado e seguidor dos campeonatos de futebol da “metrópole” e de Angola. Nessa altura era coleccionador de cromos e torcia pelo Sporting Clube de Portugal.

Com a Independência sentiu-se realizado enquanto desportista?

Sim. Primeiro devido à formação média em Educação Física. A participação em torneios escolares em atletismo, futebol, basquetebol, andebol até ao desporto de alta competição como atleta federado em atletismo e andebol nas célebres equipas do Inef.

Mas prevaleceu a paixão pelo atletismo?

De todas as modalidades que pratiquei, nasceu em mim o “bichinho” que me levou a juiz e cronometrista de atletismo em que estou há 35 anos.

É tempo considerável, como é visto nessa modalidade?

Esforcei-me, atingi o escalão de oficial técnico de nível 1 da IAAF, tenho o curso de treinador de nivel 1, também da IAAF, sou dirigente desportivo desde 1981, membro do COA, da Academia Olímpica e Director Nacional da Solidariedade Olímpica dentre outras.

O que mais o marcou ao longo destes anos de Independência Nacional?
Vários eventos me têm marcado, desde os II Jogos da África Central onde fui juiz e cronometrista de atletismo, aos eventos internacionais de anebol, basquetebol, futebol, hóquei dentre outros e fundamentalmente a prova internacional anual de atletismo vulgo São Silvestre.

A São Silvestre tem sido um momento especial na sua actividade?

Em certa medida sim. Participo na organização dessa corrida desde 1981 e tenho sido director nas últimas três/quatro edições.