Jornal dos Desportos

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Reportagens

Trabalho na selecção entusiasma angolanos

09 de Setembro, 2009

Com olhos postos nas telas, os angolanos acompanham hoje, às 21h30, mais uma partida de futebol que vai opor os Palancas Negras aos cabo-verdianos, em Albufeira, Portugal. O jogo é amistoso e enquadra-se na preparação das duas selecções.
A qualidade de futebol a praticar pela selecção nacional no Campeonato Africano das Nações preocupa os aficcionados angolanos. Todos estão com a selecção nacional e reconhecem a evolução que o técnico Manuel José está a implementar no conjunto. A esperança de uma boa participação é grande no seio da comunidade angolana e renova-se a cada dia.
Tiago Kinvula, professor do I Ciclo na escola 1001, localizado na Samba, afirma que (Manuel José está a fazer um bom trabalho desde que segurou a manada). A sustentação do professor resume-se em poucas palavras: (se observarmos a trajectória desde o local de partida, ou seja, onde esteve a equipa de todos nós, até o lugar onde está hoje, verificar-se-á uma evolução muito grande).
Tiago Kinvula exemplifica a evolução do conjunto nacional com (o fio de jogo que começa a caracterizá-la, fazendo esquecer os dias difíceis do tempo de Oliveira Gonçalves e de Mabi de Almeida).
Ernesto Ventura, também professor da Escola 1001, congratula-se com as palavras do seu colega. O jovem professor assegura que (as mudanças operadas no meio-campo e no ataque dão garantias de termos uma selecção forte).
Ernesto sustenta que “Manuel José é um técnico bastante experiente que sabe mexer na equipa no momento certo; trabalha nos três sectores, mormente, defesa, meio-campo e ataque sem beliscar os intentos traçados).
A caminho de casa, no bairro Prenda, deparamo-nos com Samuel Dengue, técnico de informática. O jovem apresentava-se meio nervoso pelo acidente com a sua viatura. Depois de relaxar, confessou a nossa reportagem que (há tendência de melhoria nos próximos tempos na nossa selecção, por tudo quanto tem sido feito até agora pelo técnico Manuel José).
Samuel Dengue assegura-se no último jogo realizado contra o Senegal. (Se revermos os lances do último jogo de Angola verificaremos pequenos detalhes que justificam evolução na nossa selecção; há pormenores como, por exemplo, o surgimento de Job na área. A presença do médio do Petro de Luanda visou colmatar o lugar de Flávio que havia recuado. Esse pormenor não é à toa; é resultado de um trabalho de compensação que Manuel José procura incutir aos jogadores. As demarcações são feitas com compensações; há um movimento forte de jogadores na quadra. Antes não havia isso na nossa selecção).
António Filipe, professor no Instituto Médio Simione Mucune, no bairro Prenda, atesta que (Manuel José está a conquistar uma grande empatia da população angolana).
Essa conquista deve-se ao seu estilo de trabalho. (Até aos jogadores denota-se muita confiança ao manager. Isso é que faltou nos treinadores anteriores).
Se a confiança cresce todos os dias, os angolanos manter-se-ão unidos cada vez mais à volta da selecção nacional até ao apito final do Campeonato Africano das Nações, no dia 31 de Janeiro, no Estádio da Camama.

Participação na fase final
divide adeptos de futebol

(A vitória persegue os audazes), diz o velho adágio. O âmago da conquista está em todos: desde as claques aos jogadores, treinadores e dirigentes angolanos. O prenúncio do rico sucesso do futebol angolano já havia sito revelado, quando participou pela primeira vez numa fase final do Campeonato do Mundo, em 2006, na Alemanha. Hoje, está confirmado. A confiança é quase tudo. Certos de que qualquer coisa possa dar positivo. Que os jogadores mantenham a postura e explorem o nervosismo dos adversários. Afinal, quem manda em casa “somos nós”.
Seja qual for a série e os adversários, a participação de Angola está garantida de sucesso. Essa é a constatação da população angolana. Desde os mais jovens aos idosos, os jogos de Angola vão contar com um novo jogador: o público. Tudo porque um único desiderato está em causa: (Angola vai jogar em pé de igualdade com as fortes selecções africanas como Camarões e Cote d’Ivoire), principais candidatas ao título.
Ernesto Ventura é peremptório no seu vaticínio. “Angola terá uma forte selecção durante o CAN’2010, tendo em conta o grande trabalho efectuado pelo técnico Manuel José), garante o professor que acrescenta: (Até às meias-finais é possível chegar; temos jogadores para o efeito”, limita a trajectória angolana.
Quanto à final, Ernesto solta um sorriso largo e responde sem evasiva: (Mais adiante já não). Um (não) sincero que o deixa feliz. (Já não seria muito mal, porque no dia da final ainda teria Angola a jogar para o terceiro lugar, o que já é bom para o nosso ranking”.
António Filipe, professor do Instituto Simione Mucune, faz parte dos angolanos com elevado grau de esperança. “Até Dezembro teremos uma selecção muito forte capaz de ombrear de igual com qualquer selecção africana). Chegar à final é uma questão de crença e de vontade de todos, em especial dos jogadores.
Dos jogadores da plateia está Samuel Dengue. O técnico de informático fundamenta-se na labuta. (A nossa selecção será capaz de ombrear de igual com os dinossauros actuais do futebol africano, como Camarões, Ghana e Côte d’Ivoire. Há um trabalho bem feito que deixa transparecer uma boa colheita durante a fase final; há melhoria para se começar a acreditar numa boa participação de Angola).
Samuel Dengue recorre ao jogo contra Senegal para sustentar as suas palavras. (Angola dominou a primeira parte. Até aos 30 minutos, criou oportunidades que justificam o crescimento do futebol de Angola. Se as tivesse concretizado, a vitória não sorria mal para os mwangolês (entende-se angolano).
Essa crença não está com todos. Alguns angolanos ainda continuam cépticos. É o caso do professor Tiago Kinvula. O professor diz que terá uma ideia formada (depois de Angola realizar o último jogo de preparação em Outubro próximo). Por tudo quanto tem sido feito até agora leva Tiago a manter aceso a chama de esperança: (É possível uma boa prestação no CAN).

Os mais queridos

Do lote de 23 atletas a escolher pelo técnico Manuel José para a fase final do Campeonato Africano das Nações de 2010 há nomes que são intrinsecamente insubstituíveis nos Palancas Negras. A nossa reportagem recorreu aos adeptos do futebol angolano e questionou os indispensáveis da selecção.
O pé canhoto do Al Ahly do Egipto, Gilberto, é apontado como o principal atleta da lista. O ex-petrolífero mereceu a eleição de todos os entrevistados que justificam a sua experiência em competições africanas e a sua “perícia” no tratamento de jogadas no lado esquerdo.
A seguir está o ponta-de-lança do El Shabad da Arábia Saudita, Flávio Amado. O único angolano na lista de marcadores do campeonato do mundo de futebol é “acusado” de acumular grande faro de golo e elevada capacidade de demarcação dos adversários. A linha de ataque seria bem entregue ao ex-atacante do Al Ahly.
O defesa do Arles-Avigon de França, Kali, goza a confiança dos angolanos. A sua maneira de estar em campo agrada os aficcionados. Kali tem demonstrado responsabilidade no centro da defesa angolana.
O Capitão André Makanga do Koweit Sport Clube é outro nome sugerido. O meio-campo estaria seguro com a sua habilidade. Tem força, visão e experiência.
Lamá, guarda-redes do Petro de Luanda, é apontado como dono e senhor da baliza angolana.