Jornal dos Desportos

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Reportagens

Treinava sem parar para as conquistas

Sardinha Teixeira - 08 de Janeiro, 2011

António Diogo é portador de deficiência categoria T 46

Fotografia: Eduardo Pedro

Hoje é um dos campeões paralímpicos do país, com três títulos nacionais dos 100, 200, e 400 metros pista; vicecampeão do mundo de corta mato no Algarve (Portugal), em 98 e campeão africano dos 200 metros, em 2002, no Egipto. Agora, ele orienta na qualidade de técnico-adjunto a selecção nacional. São os atletas que defenderão as cores do país no Campeonato Mundial Paralímpico de Atletismo, a partir do dia 22 de Janeiro de 2011, em Christchurch, na Nova Zelândia.

A competição reunirá mais de mil atletas de quase 80 países. António Diogo diz que em nenhum momento sentiu discriminação ao treinar. “Jamais. Pelo contrário! Sempre treinei no mesmo espaço que os atletas “normais” e nunca houve preconceito, mas muito respeito e incentivo mútuo. Hoje em dia, como já tenho 41 anos, o pessoal até brinca comigo. Dizem que eu sou o “tio” da turma”, afirma.

O campeão mundial de corta mato, António Diogo falou da sensação de defender as cores de Angola em competições internacionais. “É uma grande responsabilidade saber que tem muita gente acompanhando e torcendo, o empenho do atleta. Sei que posso dar um momento de felicidade às pessoas com as minhas conquistas. E gosto dessa responsabilidade. Depois da conquista da primeira medalha de ouro, no Egipto, em 2002, é que tive noção do que é ser ídolo das pessoas com ou sem deficiência”, sublinhou.

A medalha de ouro de 2002, enquanto atleta treinava sem parar. Ele sugere que o Projecto “Desporto Criança”, promovido pelo Comité Paralímpico Angolano, que visa a massificação do desporto paralímpico junto das crianças com necessidades especiais, deve ser apoiado por todos, para a descoberta de talentos. “Gostaria de assistir à realização de provas de atletismo para todas as classes, incluindo corrida de triciclos com mais ou menos 4.000 mts, assim como a efectivação de um festival demonstrativo de várias modalidades desportivas junto de crianças com necessidades especiais, como é o caso do basquetebol em cadeiras de rodas e voleibol”, desabafou.

Contratado no início do ano de 2010, para treinador-adjunto, António Diogo tornou-se num dos ídolos da equipa de trabalho rapidamente. Apesar da popularidade com os fãs, raciocina a possibilidade de virar um dia treinador principal ao encerrar a sua carreira. “É um sonho, mas um sonho para o qual eu tenho que me preparar. Mas o importante é o dia de hoje, estar preparado para os desafios”, disse.

Quem é quem

Nome: António Diogo
Data de nascimento: 17/9/70  
Signo: Virgem
Natural: Luanda
Estado civil: Solteiro
Hobby: Ver filmes
Bairro onde mora em Luanda: Cazenga
Lugar que mais gosta: Largo Angola e Cuba, no Cazenga
Local da casa preferido: Sala de visitas
Prato preferido: Pirão de milho com kizaca, peixe seco e feijão de óleo de palma
Prato que sabe cozinhar: Muamba de galinha
O que não come de jeito algum: Funge de bombó
Restaurante preferido: Não tenho
Carro: Toyota
Lugar para viver: Meu Cazenga
Género musical: Kizomba
Filme: Terror
Programa de TV: Animação e Telejornal
Ídolo fora do desporto: Pai
Ídolo no desporto: Miguel Lutonda
Mulher bonita: Minha esposa
Lugares que frequenta: Locais históricos no bairro
Ponto positivo em Luanda: A organização do Comité Olímpico Angolano
Ponto negativo: Federações desportivas a realizarem trapalhadas.
Viagem inesquecível: Egipto, onde conquistei a medalha de ouro
Momento de tristeza: Quando perco uma prova
Momento de alegria: Quando ganho a prova
Virtude: Simplicidade
Defeito: Falar demais
Superstição: Entrar em campo sempre pisando com o pé direito
Sonho: Ser treinador principal.
Comité Paralímpico Angolano em uma palavra: Bom