Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Um dos nossos objectivos é levar o Hipismo aos Jogos Olímpicos do Brasil"

João Francisco On-Line - 03 de Fevereiro, 2013

O secretário-geral Federação Angolana dos Desportos Equestres, Paulo Alexandre Arrais

Fotografia: Jornal dos Desportos

O Desporto Equestre é uma realidade em Angola e já começou a colher os primeiros frutos em competições internacionais, o que leva os seus dirigentes, como o secretário-geral, Paulo Alexandre Arrais, a pensar em marcar presença nos Jogos Olímpicos de 2016, no Brasil. Paulo Arrais sustenta o seu “sonho por estar rodeado de alguns futuros campeões de Angola, jovens que começaram a praticar o Hipismo no Centro hípico, dos quais o Alex é a nossa grande coqueluche”.

“Ele (Alexandre do Nascimento Saluqueni), 12 anos, surpreendeu tudo e todos porque há cerca de um mês estava em Havana e na altura houve um evento desportivo equestre, denominado ‘Futuros Campeões’. Surgiu a oportunidade de participar naquele concurso internacional, que aconteceu 24 horas depois de o terem avisado e, para surpresa geral, num universo de 35 atletas, bateu o melhor atleta cubano, que fez 16 segundos contra 13 do angolano, que venceu a prova internacional”, declarou


RICARDO CHIMBUNDI (13 ANOS)

“Estreou-se em Portugal
com sucesso entre juniores”


Em relação a Ricardo Chimbundi, Paulo Arrais revelou que também participou pela primeira vez, entre Novembro e Dezembro de 2012, num evento Equestre em Portugal, com sucesso, apesar de ter feito a sua estreia no seio de praticantes de 17 anos, quatro anos mais velhos. “Obteve a sétima e oitava posições, respectivamente, no primeiro e segundo dia de competição, o que foi muito bom se tivermos em conta o facto de ter competido com atletas com mais experiência e entre 35 concorrentes”, disse. A nossa reportagem apurou que Ricardo vive nos Coqueiros, na baixa de Luanda, e os outros petizes treinam no Centro Hípico de Luanda, na Funda, duas vezes por semana (sábado e domingo).

Ricardo, Nirícia e os outros miúdos que estão a ser formados na Hipica de Luanda estarão  presentes nos concursos a serem realizados amanhã na Hípica da Funda (Cacuaco), no âmbito das actividades alusivas ao 4 de Fevereiro. Segundo Paulo Arrais, a divulgação do Hipismo em Angola tem tido a participação activa de dois principais parceiros que são a hípica Gimunalu e a Unidade da Polícia Montada.

NIRÍCIA DE FÁTIMA (12 ANOS)
“As quedas não a fazem desistir”

Paulo Arrais deu exemplo de outros jovens “futuros campeões”, como a amazona (nome que se atribui às praticantes de Hipismo), Nirícia de Fátima (Fatinha), que também participou no concurso internacional de Havana, mas não esteve tão bem como se esperava devido a uma queda ao longo dos exercícios. “A Fatinha esteve um bocado nervosa, caiu e não fez a boa figura do Alex, mas no futuro, certamente dará conta do recado como os outros”, frisou.


NA ALEMANHA
“Dois angolanos treinan-se
para competir na Europa”


Paulo Arrais revelou que “neste momento temos dois atletas seniores angolanos na Alemanha a treinar para começarem a competir a nível europeu, porque o traquejo e a prática ao nível dos melhores só é possivel naquele meio. São atletas com algumas marcas de certa forma elevadas”. Paulo Arrais, fazendo um paralelismo entre os atletas que estão no estrangeiros e os do nível do “Alex” Saluqueni e outros novos valores, disse que “os miúdos já começaram a saltar 1,30 metros, o que para o nosso País está acima da média”. “No salto tem de haver a simbiose entre o peso do jocker (cavaleiro) e o cavalo, coisa que se tem tentado com o treino”, disse.


FUTUROS CAMPEÕES
“Alex veio de um
bairro da Funda”

Para Paulo Arrais, “o primeiro lugar alcançado por Alex no concurso de saltos ‘Futuros Campeões’ de Havana, pode ter sido um balão de ensaio para o seu empenho nos próximos concursos. Foi muito bom e o miúdo e nós todos ficámos muito felizes”.  Em relação à principal esperança de Angola, Paulo Arrais citou o seu exemplo para desmistificar a ideia de que o desporto equestre é uma modalidade de elite. “O Alex veio de um bairro pobre da Funda e que com dedicação conseguiu a proeza que vimos. Isto serve de exemplo e até mesmo de incentivo para as outras crianças e atletas espalhados um pouco por todo o País.


PROJECTOS EM CURSO
“Surgimento de novas hípicas em Angola”

Segundo Paulo Arrais é intenção da Fequangola promover o surgimento de novas hípicas em Angola. “No nosso programa de captação de talentos sabemos que há províncias com predominância para este tipo de desporto, como são os casos do Huambo, Huíla e Benguela, onde estamos a incentivar o surgimento de novas hípicas, porque aí estão os novos talentos”, revelou. Na óptica do secretário-geral da Fequangola, “com o surgimento de novas hipicas queremos fazer competições interprovinciais, porque só assim será possível continuarmos a identificar os novos valores”.Do trabalho em curso “já vão surgindo algumas hípicas e, pelo que a Fequangola tem estado a constatar, a aceitação é grande. As pessoas não têm necessariamente um cavalo para fazer hipismo”.

“O Hipismo não é um desporto em que as pessoas têm necessariamente de possuir um animal. As hípicas têm os seus animais (cavalos). Dão aulas de Equitação e, partindo deste ponto de vista,  é possível fazer massificação por todo o país” , desmistificou. Paulo Arrais diz que é com estes talentos que apostam na formação e se tem feito um trabalho de longos anos que começa a dar frutos, objectivo a que se propõem neste segundo mandato (2012-2016). A Fequangola está no processo de filiação na Federação Internacional Equestre, que é o orgão que rege a modalidade a nível mundial. “Também estamos no bom caminho em termos da cooperação. Tanto é assim que assinámos recentemente um protocolo com a Federação Portuguesa Equestre, por todas as razões óbvias, que começam com a nossas ligações seculares e de linguagem.” A nível do continente africano, o secretário-geral da Fequangola garantiu que pretendem assinar protocolos idênticos com as congéneres da África do Sul e da Namíbia.