Jornal dos Desportos

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Reportagens

Um talento natural

Sardinha Teixeira - 19 de Outubro, 2010

Em qualquer parte da Huíla, Manuel André António é reconhecido e venerado por aficionados do atletismo

Fotografia: Eduardo Pedro

Em qualquer parte da Huíla, Manuel André António é reconhecido e venerado por aficionados do atletismo, que reconhecem as suas extraordinárias qualidades como desportista e como ser humano. Manuel André António nasceu a 3 de Novembro de 1988. Desde muito novo, demonstrou aptidões para o atletismo. Possuía força, resistência, capacidade de salto e coragem.

“O atletismo é o (desporto) mais simples do mundo, só é preciso correr”, afirmou António, que se considera o melhor exemplo do ditado segundo o qual um bom atleta não se faz, nasce. A sua carreira na modalidade começou aos 8 anos. Depois de correr em provas escolares, foi descoberto pelo técnico Augusto Diogo “Seco”.

O treinador convidou-o para fazer parte da equipa do Interclube Século XXI, que se estava a organizar. Quando chegou ao clube da Polícia, o presidente da agremiação disse: “esse menino vai ser o melhor atleta”. Previsão que logo começaria a se tornar realidade.
Aos 15 anos, obteve a sua primeira grande conquista, ao tornar-se campeão provincial dos 1.500 metros. Na campanha seguinte, foi campeão e transformou-se no maior atleta da Huíla.

O destino pô-lo nas mãos do talentoso treinador Seco, que soube ter a paciência e sensibilidade para transformar um diamante bruto numa jóia preciosa. Na base de novos treinos, fortalecidos com exercícios de basquetebol e corridas em estrada, o estilo de António transformou-se numa máquina perfeita de devorar quilómetros.

A grandeza desportiva de António traduz-se em 15 troféus até aqui conquistados, entre provas nacionais e internacionais. António sabe como controlar o corpo e as emoções. Ele aprendeu a suportar o castigo e superou-o. Agora, empenha-se em mostrar que os títulos conquistados não foram conseguidos por acaso. Melhora ano após ano. A hegemonia de António parece inabalável. Teve já os seus altos e baixos, mas recupera quase de imediato.

Ele nunca pensou sobre o seu talento porque chegou quase de maneira natural, começou a praticar a modalidade com 8 anos. Foi no Interclube onde ele pode polir as suas habilidades. Rapidamente, ganhou reputação, ainda que secretamente afirmasse que queria estudar para ser biólogo. O treinador Seco relembra que o atleta mostrou um tremendo potencial. O seu sucesso é um dos melhores momentos da Huíla na história do desporto.

>> Altos & Baixos

Pisou o tartan
Manuel André António pisou pela primeira vez uma pista de tartan aos 13 anos. Nessa época, já com 1,72 metros de altura, morava no Lubango. Dois anos mais tarde, começou a defender a equipa do Interclube Século XXI, com 15 anos.

Em câmara lenta
“Sucederam-se uma série de situações: lesões, problemas e mais problemas. Em alguns momentos, perdi a oportunidade de ser campeão, apesar da grande luta apresentada, onde voltaram a brilhar os meus melhores atributos técnicos, mas em câmara lenta.”

>> Por dentro

Nome: Manuel André António
Data de Nascimento: 3/11/88
Natural: Lubango
Nacionalidade: Angolana
Peso: 60 Kg
Altura: 1,72
Modalidade: Atletismo
Clube: Interclube, século XXI
Prato preferido: Feijoada
Tabaco: Não
Bebida: Sumos
Número de calçado: 43
Filmes: Acção
Religião: Católica
Cor: Branca
Poligamia: Respeito
Perfume: Diversos
Música: Slow
Esplanada ou discoteca: Esplanada
Droga: Contra
Conduz: Sim
Uma cidade: Lubango
Um país: Angola
Campo ou praia: Campo
Um sonho a realizar: Ser o melhor de África
Imprensa: Imprescindível
Amizade: É aquela coisa quando alguém fica um tempo sem ver a pessoa,
na primeira conversa, parece que estiveram sempre juntos. Tenho uma lista
de pessoas assim.
Deus: O meu companheiro
de quarto nos últimos anos
O que você mais gosta: Conviver com a minha família
O que mais detesta: Telefone ocupado