Jornal dos Desportos

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Reportagens

Uma carreira recheada de vitórias

02 de Janeiro, 2011

Treinador venceu quase tudo este ano

Fotografia: AFP

Josep Guardiola sempre teve espírito de liderança. Ao pô-lo como titular do meio-campo do Barcelona, em 1991, com 20 anos, Johan Cruyff foi um dos primeiros a detectar a determinação, a visão de jogo, o toque de bola e o carisma de Pep, como é carinhosamente chamado. Capitão do “dream team” catalão da década de 1990, o médio transformou-se em ilustre herdeiro do mestre holandês e do ídolo Carles Rexach. Como jogador, Guardiola venceu todos os títulos possíveis em 11 temporadas e 374 jogos com as cores do clube.

Que Guardiola seria técnico era quase evidente. Depois de pendurar as botas a 15 de Novembro de 2006, foi indicado como treinador da equipa B do Barca, em Junho do ano seguinte. Foi lá que trabalhou com jogadores como Xavi, Andrés Iniesta e Lionel Messi, entre outros, que se tornariam as referências da segunda versão do “dream team”. A 8 de Maio de 2008, assumiu o cargo de Frank Rijkaard à frente da equipa principal. Meses mais tarde, conquistou os seis títulos que disputou na temporada, feito inédito na história do futebol.

Culto, elegante, respeitoso nas suas declarações, é também um verdadeiro defensor da disciplina. O lema de Guardiola poderia ser esforço, ambição, comprometimento e trabalho. O espanhol precisou de poucos meses para encantar a todos com um futebol de técnica impecável, velocidade, dedicação e, sobretudo, bom de se ver. Numa palavra, futebol-arte.

Cheque
em branco para renovar

Dado o trabalho coroado de sucesso à frente do Barcelona nos últimos anos, o técnico Josep Guardiola tem sido especulado em alguns dos grandes clubes europeus já há alguns meses. Para assegurar a permanência do seu treinador e ex-jogador, a equipa catalã ofereceu a Guardiola um cheque em branco para ele aceitar renovar o contrato.

De acordo com o diário espanhol Marca, as clausualas do contrato já estão acertadas, faltando apenas a definição do salário e a duração do mesmo, elementos que Guardiola teria total liberdade para determinar. Quem cuida pessoalmente da negociação é o presidente do clube, Sandro Rosell, que vem conversando com Guardiola já há alguns meses. Durante a campanha eleitoral que lhe concedeu a presidência, afirmou que gostaria de ver Pep no clube durante os anos de seu mandato.

A diretoria concorda com o presidente, vendo tanto Guardiola quanto o seu corpo técnico como importantes tantos nas conquistas obtidas quanto em futuras. Por outro lado,  o treinador português do Real Madrid, José Mourinho, afirmou recentemente que se fosse presidente do Barcelona proporia ao técnico Guardiola um contrato por 50 anos.

“Pep sabe o que quer, pois cresceu no clube. É o treinador ideal para o Barcelona, inteligente e catalão”, afirmou Mourinho. Mourinho garantiu que a sua relação com Pep Guardiola “é boa” e até lembrou que esteve no Futebol Clube do Barcelona, primeiro como adjunto de Bobby Robson e depois de Louis Van Gall, enquanto o actual técnico do clube catalão era jogador.

Os pontos altos da presente época

O ano de 2010 foi tão generoso quanto o anterior: um Campeonato Espanhol, uma Super-taça da Espanha e 11 golos contra o Real Madrid (vitórias por 6-2 fora e 5-0 em casa). Revelado pelos escalões de formação do Barcelona, Guardiola não deixa de escalar na equipa principal jovens formados no clube. Na partida contra o Real Madrid, disputada no fim de Novembro, eram oito dos onze que começaram em campo.

A filosofia de jogo, caracterizada pelo toque rápidos e na vontade de fazer a bola circular entre jogadores de excepcional habilidade, agora leva o selo de Guardiola. Com oito títulos em menos de duas temporadas, o técnico mais jovem a vencer a Liga dos Campeões Europeus segue os passos de Cruyff, que ergueu 11 taças com o Barcelona.

"A responsabilidade é minha. Os jogadores trabalham, esforçam-se o tempo todo, dão tudo de si. O meu único papel é saber o que tenho de fazer para lhes transmitir aquilo de que necessitam. Essa responsabilidade cabe exclusivamente a mim", disse o técnico, na véspera da meia-final da Liga dos Campeões da UEFA, em Abril, contra O Inter de Milão.

Dos escalões de formação
a treinador da equipa principal


Guardiola chegou ao Barcelona com 13 anos, ficando nos escalões de formação até 1990, quando se estreou na equipa profissional, contra o Cádiz. Ganhou a titularidade em 1991-92, temporada em que a equipa, então comandada por Johan Cruyff, conquistou a Liga dos Campeões e o Campeonato Espanhol. Mais dois títulos espanhóis vieram nas duas temporadas seguintes, tendo o médio mantido a titularidade, assim como em 1996-97, quando foi designado capitão da equipa, nas conquistas da Taça Rei, das Super-Taça Europeia, já com Bobby Robson como treinador.

Depois de rejeitar propostas da Roma e do Parma no fim da temporada, o Barcelona renovou o seu contrato até 2001. Pep ficou fora da maior parte dos jogos da temporada seguinte devido a uma lesão que o deixou afastado dos relvados, mas regressou em 1998-99 para participar activamente em mais conquistas, como o Campeonato Espanhol e a Taça do Rei. Em fim de contrato, já com 31 anos, sem ter conquistado mais títulos nas últimas duas temporadas que representou o Barcelona, Guardiola despediu-se do clube catalão para jogar na Itália, pelo Brescia.

Títulos

Como jogador
(Barcelona
)
Campeonato Espanhol:
1990–91, 1991–92, 1992–93, 1993–94, 1997–98, 1998–99
Taça do Rei: 1997, 1998
Super-Taça da Espanha:
1991, 1992, 1994, 1996
Liga dos Campeões
Europeus:
1991–92
Super-Taça Europeia:
1992, 1997

Como treinador
(Barcelona)
Campeonato Espanhol:
 2008–09 e 2009-10
Taça do Rei: 2008–09
Super-Taça da Espanha:
2009,2010
Liga dos Campeões: 2008-09
Super-Taça Europeia: 2009
Mundial de Clube: 2009

Informações pessoais
Nome completo:
Josep Guardiola i Sala
Data de nasc. 
18 de Janeiro de 1971
Local de nasc. 
Santpedor (Espanha)
Apelido: Pep, Marol

Informações actuais
Clube actual: Barcelona
Posição: Treinador

Clubes de juventude
1984–1990: Barcelona B

Em Itália

Sondado por diversos clubes ingleses e italianos, Guardiola assinou pelo Brescia e depois pelo Roma, onde passou por momentos difíceis, sendo suspenso por quatro meses por uso da substância proibida Nandrolona. Depois do regresso ao Brescia, em 2003, foi contratado pelo Al-Ahli do Qatar.

Recusou propostas como a do Manchester United para jogar no Qatar, onde virou estrela mas sem o mesmo brilho da época em que defendia o Barcelona. Em 2005, aceitou uma proposta de Juan Manuel Lillo para jogar no México, pela equipa do Dorados de Sinaloa, onde ficou durante seis meses antes de encerrar a carreira de jogador.

Selecções
Espanholas

Guardiola jogou 47 partidas pela Selecção da Espanha, entre 1992 e 2001, e foi capitão daquela que ganhou a medalha de ouro nas Olimpíadas de 1992, em Barcelona, sendo esta a maior conquista da história da Selecção daquele país até então.

Embora nunca um notável artilheiro, marcou na final contra a Polónia, no Camp Nou. Fez parte da selecção durante o Mundial dos Estados Unidos da América, mas teve problemas com Javier Clemente e não disputou a Euro 1996. Lesões o tiraram do Mundial da a França em 1998, mas depois jogou a Euro 2000.