Jornal dos Desportos

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Reportagens

Uma das vozes mais ouvidas no programa "Onda Olímpica"

Augusto Fernandes - 12 de Julho, 2013

Alves da Silva, radialista desportivo

Fotografia: Jornal dos Desportos

António José Alves da Silva, 43 anos, ou simplesmente Alves da Silva, como é conhecido, é jornalista desportivo na Rádio 5- a emissora especializada do Grupo RNA - há mais de uma década.
Com uma dicção monumental, pode ser considerado um dos melhores locutores da emissora de bandeira do País, até porque tem uma voz de fazer inveja a qualquer um.

Na Rádio 5, já esteve na pele de redactor, repórter e locutor, sempre com aquele carácter de homem de trato fácil e acessível que o caracteriza desde que entrou para o jornalismo radiofónico.
Actualmente, também é uma das vozes mais ouvidas no programa “Onda Olímpica”, numa co-produção do Comité Olímpico Angolano (COA) e aquela estação emissora, que vai para o ar todas as semanas.

 O radialista começou a dar os primeiros passos na carreira em 1992, a convite de um amigo e antigo funcionário da Emissora Regional do Lobito - na província de Benguela - que tinha grande admiração pela sua voz.

Mesmo sem ter feito curso de jornalismo, Alves da Silva, fez o teste de leitura de texto e gravação para um programa semanal. Em pouco tempo, tornou-se jornalista generalista. Ainda em 1992, sem muita experiência, rumou para o Lubango, para suprir uma vaga de redactor repórter na rádio 2000 e por ali ficou até 1996, fazendo programas generalistas com muita audiência, entre os quais o “Via Satélite” e o “Zonal”.

Da Rádio 2000 na Huíla
ATÉ À CAPITAL Luanda

Em pouco tempo, tornou-se um dos locutores mais apreciados pelos ouvintes daquela estação de rádio do Lubango e arredores, mas, a ambição em atingir níveis mais altos no mundo do jornalismo radiofónico levou-o a outros palcos. Assim, em 1997, mudou-se para Luanda, e como já conhecia alguns profissionais da Rádio 5 não teve dificuldades em encontrar emprego.“Posto na rádio 5, mandaram-me fazer uma síntese informativa e gravá-la. Fizeram chegar a gravação aos ‘ouvidos críticos’ de Arlindo Macedo, que depois de ouvir o som acabou por dar o seu aval”, recorda. *COM JF


PING-PONG
Afrobasquet 2013
e Mundial de Hóquei


Em Agosto, a Selecção Nacional de Basquetebol vai disputar o Afrobasket na Costa do Marfim. O que espera do cinco nacional?

Estou um pouco preocupado, porque Angola começou tarde a preparação, quando a Tunísia, que foi o nosso grande carrasco em Antananarivo em 2011, e a Nigéria, já estão a trabalhar há três meses. Por isso, todo o cuidado é pouco. Temos de entrar a matar na primeira fase para pôr os adversários em sentido, batendo de forma clara e convincente Moçambique, RCA e Cabo Verde.

O que tem a dizer em relação ao Mundial de Hóquei em Patins que Angola vai albergar em Setembro?

Vai ser uma grande realização, o primeiro Campeonato do Mundo da modalidade em África. É um privilégio ímpar para o nosso país. Temos muitos bons jogadores e mostrámos isso no torneio da Páscoa, na Suíça. Somos a oitava força do Hóquei Mundial. Entretanto, gostava imenso que neste campeonato conseguíssemos estar entre os quatro primeiros ou, no mínimo, em sexto lugar, pois estamos num grupo acessível, com Portugal a ser cabeça de série. Mas o nosso campeonato vai ser com o Chile e a África do Sul.


EXPERIÊNCIA

“Rádio 5 tem sido
uma grande escola”


Alves da Silva conta que ficou na Rádio 5 durante algum tempo, tendo sempre por perto um jornalista sénior como acompanhante, que lhe foi ensinando o “abc” do jornalismo desportivo.
A partir daí, não teve muita dificuldade em adaptar-se às suas novas funções, até porque na juventude foi também desportista, tanto a nível de bairro como no desporto escolar, onde praticou várias modalidades, com destaque para o futebol e basquetebol.

“Fui sempre uma pessoa muito atenta aos acontecimentos desportivos a nível mundial e por isso foi muito fácil ter conhecimentos generalizados sobre o desporto, o que facilitou a minha inserção na rádio 5”, justificou.

Quando chegou à Rádio que só fala de desporto nacional e internacional, 24 sob 24 horas, encontrou outras vozes de ouro da nossa informação especializada, como Vaz Kingurí, José Kissanga, Arlindo Macedo, João Carlos, Zico, Manuel Cardoso (os três já falecidos), Adão Gabriel, Assunção dos Santos, entre outros, que faziam parte do grupo dos mais velhos experientes. Isto, para não falar dos mais jovens, como Domingos Francisco, Aldo Vida, Divua Manuel ou Isaac dos Santos.

Para Alves da Silva o ambiente na Rádio 5 é salutar. “Apesar das nossas imperfeições, demo-nos todos muito bem e tudo fazemos para que não se instale um clima que propicie um mau relacionamento entre nós”, garante. 


OPINIÃO

“Futebol precisa de formação”


Na sua perspectiva, é necessário trabalhar muito a base para se tirar o futebol angolano da crise em que se encontra.
“Fico muito triste por ver jogadores na selecção nacional que não sabem travar uma bola, fazer um passe em condições, não se vê um jogador que saiba matar uma jogada ofensiva do adversário, sair e fazer jogar a equipa e procurar a baliza adversária. Não há essa cultura. Os nossos jogadores, infelizmente, pensam pouco. Com excepção de pouquíssimos jogadores, a maior parte é medíocre tecnicamente. Por isso, tem de se fazer muito trabalho de base”, reforçou.

Para ele, outro problema que funciona como um “cancro que deve ser estripado do nosso futebol” é a falsificação de idades.
“Há casos de jogadores, e às vezes jogadores categorizados, que jogam com o Bilhete de Identidade do irmão mais novo. Falsificam dados para poderem aparecer e alguns chegam mesmo a Selecção Nacional. Temos de começar a definir, desde as camadas de base, nos iniciados, o que é que pretendemos, o que queremos. Que tipo de cultura se quer para o nosso futebol ”, considera o radialista.

MAU EXEMPLO

Alves da Silva apontou o exemplo de “no segundo jogo com a Suazilândia, em pleno estádio 11 de Novembro, se ter visto, mais uma vez, o estado em que se encontra o nosso futebol”.

“É um desastre. Fiquei triste e muito preocupado ao ver o público a apupar, com toda a razão, a nossa Selecção. Hoje em dia, é preciso ter muita coragem para ir ao campo assistir a um jogo da Selecção Nacional. A pessoa entra e sai do estádio com o coração aos pulos.

Vai-se mais ao estádio por uma questão patriótica do que para assistir a uma boa partida de futebol. Saímos dos estádios revoltados contra a Selecção Nacional”, assinala.


POR DENTRO

Nome completo: António José Alves da Silva.
Filiação: António Alves da Silva e Manuela Leonor Fraga da Silva.
Naturalidade: Lobito
Data de nascimento: 19 de Março de 1970.
Estado civil: Solteiro.
Filhos: Três.
Altura: 1,78 m.
Peso: 83 kg.
Calçado: 41.
Tempos livres: Ler, ver televisão, visitar amigos.
Música: Todo o tipo.
Filmes: Ficção e dramas com ‘suspense’.
Prato: Uma boa feijoada.
Bebida: Um bom vinho no tempo frio e cerveja no calor.
O que mais teme? A morte.
Mente? Só os mortos não o fazem.
É ciumento? Muito.
Defeito? Acho que sou teimoso.
País de sonho? Estados Unidos
Fonte de inspiração? Rui Almeida (jornalista português da Super Sport) e Arlindo Macedo.
Clube do coração? Aquele que melhor joga.
Sonho? Ter casa própria e condições para ter uma velhice tranquila.