Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
Director Adjunto: Policarpo da Rosa
Reportagens

Uma exibio permanente

Silva Cacuti - 30 de Abril, 2016

Vice-Presidente da Repblica teve o privilgio de inaugurar a Galeria do Desporto em 2014

Fotografia: Jos Cola

Um aceno e um convite para as pessoas desportistas ou não, para que coloquem nas suas agendas uma visita à Galeria dos Desportos, marcam de forma simbólica o início das festividades do 2 de Maio, data que assinala o segundo aniversário daquela instituição. O apelo chega do administrador, António Muachilela, que à reportagem do Jornal dos Desportos, falou dos valores que fazem a existência da imponente infra-estrutura.

"Não temos um evento específico para marcar esse momento especial, mas queria aproveitar a ocasião para convidar as pessoas a visitarem esse espaço que dignifica as conquistas do nosso desporto", disse o responsável.

A Galeria dos Desportos foi inaugurada pelo vice-presidente da República, Manuel Vicente, na sequência de uma orientação do Presidente da República de Angola, José Eduardo dos Santos, segundo palavras, na altura proferidas por Gonçalves Muandumba, ministro da Juventude e Desporto.

“Este edifício foi mandado construir por orientação de Sua Excelência o Presidente da República, com vista a guardar e recordar os troféus, galhardetes, medalhas, tudo o que de melhor o nosso desporto tem, passa a ser depositado aqui. Vamos ter exposições permanentes e itinerantes e o apelo que fazemos são dirigidos aos nossos desportistas para que aproveitem ao máximo este espaço”, disse na ocasião.

Não se trata de um Louvre de França, nem o Museu Metropolitano de Arte  dos EUA, mas a Galeria dos Desportos cumpre o papel de mostrar o que de mais significante o país tem feito nas lides desportivas mundiais. Permite a quem o visite, viajar pelas paisagens mais recônditas dos desportos, desde os seus principais executantes, medalhas e troféus até à literatura desportiva que se produz no país.

É um dos poucos edifícios com esta finalidade, de que dispõe o continente africano, facto que orgulha o desporto angolano.

Aquando da sua inauguração, Marcos Barrica, antigo ministro da Juventude e Desportos tinha dito que se estava "apenas no início de uma obra" apreciação e acertada. Quem a viu ser inaugurada, apenas via o desafio de apetrechar uma infra-estrutura que pela imponência reclamava serviço dos que fazem o desporto acontecer.

A construção da Galeria dos Desportos custou aos cofres do Estado angolano cerca de seis milhões de dólares norte-americanos, segundo Gonçalves Muandumba, ministro da Juventude e Desportos. Hoje, a Galeria dos Desportos é uma referência inegável, quando o assunto é desporto e infra-estrutura desportiva.


REGISTO
Número de visitantes chega a milhares


António Muachilela mostrou-se satisfeito com as estatísticas disponíveis em relação ao fluxo de visitantes que a Galeria dos Desportos regista desde a inauguração. Mais de 12 mil pessoas já visitaram o espaço, mas Administrador geral vai ao pormenor para dizer que os principais frequentadores são pessoas adultas da classe masculina.

De 2014 a 2015, visitaram a Galeria 10.497 pessoas e até Março do corrente ano houve registo de 1819 visitantes. De acordo com  aquele responsável, 50 por cento dos visitantes são homens, 20 por cento são senhoras e 30 por cento é referente a visitantes crianças.

Além do acervo, a Galeria dos Desportos acolheu nas duas salas de conferências 56 cursos dados por empresas e Federações; 24 assembleias gerais; 24 visitas colectivas; 15 seminários; 19 reuniões; três exposições; lançamentos de duas revistas, dois livros e dois discos.

Erguido no espaço adjacente ao Estádio Nacional da Cidadela Desportiva, o edifício tem três andares: no rés-do-chão está a recepção, átrio, três salas para exposições, auditório e restaurante.

No primeiro andar funciona a biblioteca, salas de arquivo e leitura, videoteca, cinemateca, iconoteca (colecção de imagens e fotos), salas de arquivos de numismática (colecção de moedas e medalhas), Pinacoteca (colecção de quadros), vexiloteca (colecção de estandartes, bandeiras, flámulas) , além do restaurante.

Também têm lugar os arquivos de hemeroteca - o espaço destinado à publicação de opinião -interacção entre o leitor e a redacção, arquivos de filatelia (selos, postais), entre outros documentos.

No segundo andar, tal como no terceiro e último, estão acomodados vários Serviços ligados ao Instituto Angolano da Juventude, o gabinete de Comunicação Institucional e outros departamentos do Ministério da Juventude e Desportos.


CLUBES E ATLETAS
Acervo denuncia cepticismo


Dois anos depois da inauguração, o acervo da Galeria dos Desportos ainda está aquém do que seria se houvesse vontade da parte de clubes e atletas para o seu engrandecimento. O facto de só o Progresso do Sambizanga ter colaborado com a direcção da instituição demonstra a forma pouco séria como algumas instituições encaram o projecto da Galeria dos Desportos.

Não são visíveis símbolos dos grandes clubes desportivos de Angola e no que toca a atletas, uns poucos consentiram colocar à disposição os troféus e conquistas granjeados.

Como o Progresso do Sambizanga, nos clubes há também excepções em atletas como Nádia Cruz, da natação; José Sayovo, do atletismo adaptado, e Tony Kikanga, do boxe.

"Notamos que os clubes e mesmo alguns atletas não se mostram interessados em depositar os seus troféus e outros símbolos que eternizam as conquistas. Pedimos até que pudessem ser réplicas, mas não tem há essa colaboração. Por isso, a maior parte dos troféus que temos aqui vêm das Federações nacionais", explicou António Muachilela, que fez parte da Comissão Instaladora da Galeria dos Desportos, órgão responsável pela identificação, recolha, processamento e conservação do acervo da infra-estrutura.

ACERVO
Além de alguns vídeos cedidos pelas Federações e fotografias cedidas por repórteres de imagens, José Cola, Carlos Guimarães, Francisco Bernardo e a Associação de Repórter de Imagens de Angola (Aria), a Galeria ostenta 75 troféus com realce para os do basquetebol e do andebol, que são as modalidades mais ganhadoras.

São ainda visíveis o fato de banho de Nádia Cruz, com o qual nadou na condição de atleta mais jovem dos Jogos Olímpicos de Seul em 1988. Medalhas de recordes mundiais e paralímpicos de José Sayovo, num total de cinco; mascotes de algumas provas realizadas no país, maquetes e outros aguardam pelos visitantes.

PESSOAL ESPECIALIZADO
Para a manutenção dos serviços, a Galeria dos Desportos conta com oito funcionários, dos quais alguns estão especializados no cuidado do acervo e áreas específicas da casa.

António Muachilela disse que graças ao esforço desse pessoal tem conseguido abrir as portas e mostrar ao país e ao mundo algumas relíquias do desporto nacional, com um serviço que se equipara aos encontrados em qualquer outra casa do género.

"Gostaríamos de ter um quadro de pessoal maior, mas para as tarefas da Galeria dos Desportos temos contado com o esforço deste pessoal, que não olha a meios para manter aberta as portas todos os dias", disse.


CONSTATAÇÃO
Usuários apontam benefícios


Antes da existência da Galeria dos Desportos, Angola não tinha um espaço específico para colocar o espólio das conquistas desportivas em que cada um dos seus filhos se envolveu. A tendência era levar os troféus para o palácio presidencial, onde cada um a seu jeito oferecia os seus troféus ao Presidente da República, José Eduardo dos Santos. Hoje, qualquer angolano tem acesso a esses troféus,  os que já visitaram a Galeria falam da sua experiência.

MASSANGANO DOMINGOS- Estudante
"A Galeria é um espaço de lazer que tem estado a beneficiar os jovens que de várias formas interagem com os símbolos da história desportiva do nosso país. Fico com a impressão de que o nosso desporto produziu mais do que se encontra no local. Há vários outros troféus de atletas individuais, que deviam estar também lá. Se um ou outro atleta angolano conseguiu uma medalha em representação de Angola, apelo que a traga, partilhe, para que através dela se possa galvanizar outros atletas, futuras gerações de desportistas angolanos. O meu apelo vai às pessoas para que se esforcem mais a fim de perceberem o papel que joga este património do desporto angolano. Quero também sugerir que a Galeria tome a iniciativa de convidar as escolas para a visitar, afim de que os alunos possam absorver o que há em termos de conhecimento da nossa história", comentou.

FOLINO SICATO - Jornalista
"Já visitei variadíssimas vezes, é uma infra-estrutura boa. Encontramos documentos e artefactos de muito valor histórico para nós, enquanto estudantes. A Galeria recomenda-se, mas devia estar melhor, porque há atletas e clubes que não aparecem, fica-se com a ideia que não existem. Penso que a direcção da Galeria e do Ministério da Juventude e Desportos devem fazer esforços no sentido de trazer todos aqueles organismos que movimentam o  desporto, para que a história possa ficar registada. Esse espaço é muito vasto e bonito. Encontramos Jean Jacques da Conceição, Miguel Lutonda e deveria ter mais", disse.

LUCAS DONDO - Professor
"Estive uma vez na Galeria em visita guiada, organizada pela escola onde dou aulas e foi uma experiência única para os alunos e para mim também. A sensação de estar perto de um troféu que só vimos pela televisão é algo ímpar. Senti que havia uma relação com os atletas que conquistaram aqueles troféus; parecia estarem aí. Foi uma aposta acertada. Aconselho as pessoas a virem aqui ter contacto com esta realidade", convidou.