Jornal dos Desportos

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Reportagens

"Vamos colocar a equipa na primeira posição"

Avelino Umba - 07 de Maio, 2010

Toni, guarda-redes do 1º de Agosto

Fotografia: José Cola







Fale do seu momento no 1º de Agosto...
Estamos a trabalhar para estarmos nos lugares cimeiros. Vamos tirar a equipa da posição em que se encontra e coloca-la no primeiro lugar. Logo que ela se encontrar para frente será o caminho, já que o objectivo é ganhar este Girabola.

Para já, o que acha deste Girabola?
Comparativamente a outros passados, este está mais competitivo. No passado, só se falava de equipas de renome como o 1º de Agosto, o Petro de Luanda, o ASA e o Interclube. Hoje, as coisas mudaram com o surgimento de equipas consideradas pequenas, mas que estão a dar cartas.
 
Fale do contrato que firmou com o "clube militar"?
Estou bem. Renovei para mais dois anos. Não tenho razões para queixas, na medida em trabalho para convencer o técnico. Vou procurando, a cada dia, dar o máximo no sentido de melhorar a minha prestação.

O salário satisfaz?
Acredito que sim. Diz-se que o dinheiro nunca chegou para ninguém, na medida em que as necessidades vão aumentando, mas, com o pouco que ganhamos, procuramos satisfazer as nossas necessidades. É um salário acordado entre ambas as partes e, se não me satisfizesse, já não estaria aqui. 
 
Há casos em que jogadores equipas ficam muito tempo sem salários nem prémios de jogos. Como um atleta encara esta situação?
Esta situação não é normal e acontece mais no nosso continente, em Africa. Quando acontece, o jogador tem de ser muito forte, no sentido de encontrar uma solução. Ninguém pode nem deve viver sem a sua remuneração, porquanto toda a pessoa que trabalha espera um salário. É para isso que se trabalha. Outrossim, este tipo de atitude provoca desânimo no seio de jogadores, equipas e os próprios técnicos, o que não é bom para qualquer agremiação.

No meu ponto de vista, antes de começar uma época desportiva, toda a direcção deve fazer um balanço do que foi a época transacta e o que vai ser a seguinte. A acredito que os que estão à frente da gestão das equipas têm sabido movimentar-se, no sentido de levar a bom porto a gestão das colectividades e acautelar estas e outras situações.
 
Como é que um jogador reage em termos emocionais?
Todos trabalhamos para a mesma causa. Quem trabalha, no fim quer o seu salário. O dinheiro faz falta a todos nós e quando as coisas começam a ficar desta forma, se os jogadores não forem fortes, os resultados tendem sempre a cair no negativo, o que não é bom para qualquer equipa. Temos de saber, em primeiro lugar, equilibrar as coisas. Isto passa, em primeiro lugar, por um diálogo, no sentido de as partes encontrarem uma solução, pois quando se entra em campo deve-se esquecer todos os problemas que nos afligem. Não fica bem um jogador transportar consigo determinados problemas, sobretudo a falta de salários ou de prémios de jogos, pois são situações fazem baixar o seu rendimento.

 Uma fase para esquecer 

Passadas dez jornadas, o que acha do Girabola? E da sua equipa?
Tivemos um bom início de campeonato, pois vencemos o Petro de Luanda. Fomos fazendo jogos após jogo, em que tivemos empates e derrotas. Estamos a trabalhar muito para sair desta situação. Para a equipa se tornar forte, não depende somente dos jogadores, dos técnicos ou da direcção. Também depende dos adeptos, que devem fazer tudo pela equipa quando ela esteja a atravessa momentos nenos bons. Em suma, devem apoia-la, pois é esta a boa atitude que um adepto deve ter diante a sua equipa. Foi uma fase para esquecer!

Disse que estão a trabalhar para atingir um lugar digno. Que lugar?
Quero dizer aos nossos adeptos para contarem conosco. Nunca entramos para as quatro linhas para perder, mas sim para ganhar todos os jogos pois o campeonato iniciou recentemente e ainda há muito para se jogar. Em suma, ainda há a possibilidades de o vencermos.

Afinal, o que esteve na base dos maus resultados?
Estou há quatro anos no 1º de Agosto e acho que temos um grupo muito forte, com jogadores capazes. A falta de sorte às vezes nos leva a perdas de pontos. O 1º de Agosto, quando entra em qualquer competição, é para ganhar. A primeira derrota que sofremos, com o Santos Futebol Clube, deveu-se a sobrecarga de alguns jogadores, pois acabavam de regressar da Selecção Nacional que participou no Campeonato Africano das Nações, que o país albergou em Janeiro último. 

"Atingir a selecção é o meu sonho"

Quais são os seus objectivos como futebolista?
Como qualquer jogador, com trabalho e humildade, o objectivo é atingir a Selecção A. Como sonhar não é proibido, jogar na Europa não é uma fantasia. Na verdade, primeiro quero trabalhar, continuar a jogar no meu clube e depois pensar na selecção, se um dia for chamado. 
 
Há alguém em que se inspira? Quem e o seu ídolo?
Na Europa é o Júlio César (do Inter do Milão), e em Angola, no Girabola, o Pitchu. Embora este esteja a passar por uma fase menos boa, é uma pessoa que muito respeito. Foi ele um dos meus grandes impulsionadores, que me apoiou muito quando entrei para o 1º de Agosto, algo que muito agradeço.
 
Que conselho deixa para os que se estão a iniciar no futebol, sobretudo na posição de guarda-redes?
É acima de tudo acreditar no trabalho que fazem. Acredito que toda a gente sabe o sofrimento que existe nas camadas jovens, a começar pelo fraco apoio. Para o atleta chegar a seniores, tem de ser muito forte e fazer as coisa com muita força de vontade. Só assim se pode chegar aonde os outros se encontram.
 
O guarda-redes tem uma função importante e diferente dos outros atletas. O seu objectivo é impedir que a bola entre na sua baliza. É algo bastante delicado...
Primeiro devemos estar concentrados, pois depois do guarda-redes só estão as redes, em que todos os jogadores adversários lutam para colocar a bola. A comunicação com os defesas é de extrema importância. Deve haver sintonia entre as partes, no sentido de se evitarem situações desastrosas durante o jogo. Nos dias de treinos, procuramos aprender algo de novo, pois aprendemos todos os dias. Quando saímos mal num determinado jogo, psicologicamente ficamos arrombados.
  
Para terminar, o que acha da convocatória de Herve Renard, seleccionador nacional?
É a estreia dele. Embora tenha convocado apenas dois jogadores da minha equipa, que no meu ponto de vista deveriam ser mais, isso é normal, na medida em que ele vai continuar a observar os melhores, que lá devem estar. Haverá mais jogos amistosos e o técnico saberá a quem escolher.

Por dentro
Nome: Adão Joaquim
Bango Cabassa
Data de nascimento: 23.4.1986
Naturalidade: Luanda
Nacionalidade: Angolana
Estado Civil: Solteiro
Altura: 1.82 m
Peso: 79 quilogramas
Clube: 1º de Agosto
Desporto ideal: Futebol
Prato preferido: Feijoada
Tabaco: Não fuma
Bebidas: Sumos
Droga: É contra
Perfumes: Diversos
Cor: Azul
Religião: Católica
Segue a moda? Não
Calor ou cacimbo? Cacimbo
Princesa encantada: A noiva