Jornal dos Desportos

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Reportagens

Vandalismo degrada imagem do Pavilhão

GAUD?NCIO HAMELAY | LUBANGO - 28 de Maio, 2017

Pavilhão Anexo número dois da Nossa Senhora do Monte carece de reabilitação urgente

Fotografia: Arimateia Baptista | Edições Novembro

Portas arrombadas, janelas com vidros partidos, placards estragados, recinto desportivo totalmente sujo, capim enorme nas imediações, casas de banho com balneários danificados, loiça sanitária pilhada é o actual cenário que apresenta o estado de conservação do Pavilhão Anexo número dois, localizado no Complexo Turístico e Desportivo da Nossa Senhora do Monte, arredores da cidade do Lubango, província da Huíla.

 A infra-estrutura desportiva construída de raiz no âmbito da realização do Campeonato Africano de Nações de basquetebol em seniores masculino, vulgo Afrobasket, prova organizada com sucesso no país em 2007, exibe um semblante de abandono, resultante do seu estado avançado de degradação.

 Aliado ao desgaste que sofreu o Pavilhão Anexo nº 2, não só pelo uso correcto, também há um vandalismo feito pela própria comunidade circundante a infra-estrutura que orçou aos cofres do Estado Angolano três milhões de dólares norte-americanos. A parte traseira do maltratado pavilhão, já não funciona e os balneários não existem. As sanitas foram subtraídas.

Os aparelhos de som desapareceram, enquanto a parte eléctrica não tem cabo, as tomadas e os interruptores, já não se fala porque fazem parte da história do passado pois foram roubadas. Por isso, a infra-estrutura, precisa de uma intervenção de reabilitação urgente por parte das autoridades de direito.

 Diante deste cenário triste, os praticantes das modalidades de sala consideram que a estrutura em causa está praticamente abandonada, pese embora existir alguém indicado superiormente para gerir os pavilhões. Apontam que o pavilhão já não reúne condições para acolher jogos devido o seu mau estado de conservação e com um odor nauseabundo, que periga a saúde dos praticantes.

 “Quando há actividades desportivas é aquilo que nós vemos sobretudo portas arrombadas, vidros quebrados, janelas partidas, o próprio recinto desportivo em mau estado e todo ele sujo. Então, aonde é que vão as verbas que são adquiridas com o arrendamento das outras actividades realizadas no pavilhão”, contestou em anonimato um praticante de futebol salão.

 Dada a falta de higienização e a elevada quantidade de pó no recinto, queixou-se uma fonte em declaração ao Jornal dos Desportos, que quando os atletas jogam ficam a escorregar, o que parece mais um jogo de hóquei em patins onde os jogadores têm que patinar para ir a busca da bola do que propriamente uma partida de futsal e acrescentou não haver energia eléctrica para iluminar a quadra dificultando na movimentação.

 “Então, não há hipótese. O conselho que deixo é que logo que for reabilitado ou foram construídos esses pavilhões, acho que havia sido nomeada uma gestão. E a anterior gestão realmente cuidava dos pavilhões. Havia comparticipação das equipas porque pagavam e durante a semana fazia-se a limpeza dos mesmos e existia condições para a prática do desporto”, disse.

 As equipas participantes no campeonato provincial de futsal, revelou a nossa fonte, comparticipam com algum valor para a manutenção das infra-estruturas, porém nada tem sido feito, pondo deste modo em causa a integridade física dos próprios atletas.

Zeca Funbelo, presidente da Associação Provincial de Andebol da Huíla confirmou que o pavilhão anexo nº 2, havia sido atribuído a modalidade, mas actualmente não apresenta as condições para a prática de qualquer actividade desportiva de sala, pois encontra-se saqueado, as loiças sanitárias arrancadas e com um fedor incrível, o que cria um desânimo total de tristeza pela forma como se apresenta a infra-estrutura.

 Explicou que o pavilhão anexo nº 2, foi atribuído para o andebol, mas depois houve uma interferência de alguns elementos da direcção provincial da Juventude e Desportos local que queriam responsabilizar-se da estrutura.

  “Então, entregamos as chaves a direcção local da Juventude e Desportos. A associação, ficou apenas com uma chave do gabinete que haviam nos atribuído. Depois, pediram-nos também a respectiva chave de um dos gabinetes e até foram a tempo de retirar uma das fechaduras que ainda não foi reposta. E vimos que o pavilhão está até agora abandonado”, clarificou.

 Zeca Funbelo, lamentou que passado 10 anos, a infra-estrutura construída no âmbito do Campeonato Africano das Nações da "bola ao cesto", que Angola albergou em 2007, encontra-se num estado triste, pelo facto de ter sido arrombada as portas, janelas, sanitas, entre outros meios.
 A única porta que estava em condições, informou que dá acesso ao gabinete onde funcionava a associação de andebol, foi retirada a fechadura.

  “Mas isso cabe a quem está a gerir as infra-estruturas localizadas no Complexo Turístico e Desportivo da Nossa Senhora do Monte, porque não está na gerência do órgão que superintende a modalidade na província. Mas cabe a gerência dos pavilhões ou a própria direcção da Juventude e Desportos local explicarem isso porque são os que estão a gerir e nós não soubemos de nada.

Também estamos a depender deles. Nos foi dado uma chave para entrada, mas pensaram que estávamos a ocupar o pavilhão apenas para o andebol. Mas, disseram que não. Nós estávamos no interior do pavilhão a trabalhar. O recinto de jogos era para todas as modalidades. Arrombaram as portas. A única porta que estava bem até no momento e soubemos que foi tirada a fechadura, é a do nosso gabinete. E quem tirou foi a própria direcção dos pavilhões. Temos todas as portas dos pavilhões abandonadas. E não soubemos como trabalhar”, aclarou Zeca Funbelo. 
    
Fazem normalmente uso dos pavilhões todas modalidades de pavimento sobretudo o karaté, taekwon-dó, shotokan, ténis de mesa, futsal, voleibol, andebol, basquetebol, hóquei em patins, ginástica e as actividades extra desporto que sempre que solicitada a gestão dos recintos desportos na Nª Sr.ª do Monte, encontram espaço para faze-los.

Alerta
Administração reprova degradação de recintos


O vandalismo que está a ser feito pela comunidade circundante ao pavilhão anexo nº 2, através do depósito de lixo, arrombamento de portas, janelas e pilhagem de sanitas, entre outros, foi reprovado pelo administrador dos recintos desportivos localizados no Complexo Turístico e Desportivo da Nª Sr.ª do Monte.

 António Ernesto apontou serem actos de vandalismo que já não se compadecem com os níveis de desenvolvimento do país. Frisou que os pavilhões, são infra-estruturas que foram construídas para apoiar a actividade desportiva da juventude, crianças, adultos, idosos, daí devem estragar a ser usados pela utilidade pelo qual foram edificadas e não por vandalismo.

  “Enquanto isso, estamos a fazer o possível para evitarmos o pior porque são infra-estruturas que foram construídas para apoio à juventude, crianças, adultos, idosos. E, então devem se estragar a ser usado pela utilidade pela qual foram construídos e não pelo vandalismo que está a ser feito pela própria comunidade circundante com depósito de lixo, arrombamento de portas, janelas, enfim. Na minha opinião, são actos que já não se compadecem com os níveis de desenvolvimento que o país detém”, lamentou.

 António Ernesto assegurou que em conjunto com as autoridades de direito, estão a trabalhar para que nos próximos tempos possa haver um quadro melhor em relação ao actual que se observa no pavilhão anexo nº 2.     
G.H

Reabilitação
Anexo clama por intervenção urgente


 As janelas, portas, sistema dos WC, canalização de água e área eléctrica constituem as componentes do pavilhão anexo nº 2 que carecem de intervenção pontual e urgente, revelou ao Jornal dos Desportos, António Ernesto. António Ernesto, anunciou que no caso particular do pavilhão multiuso da Nª Sr.ª do Monte, as intervenções necessárias recaem para o tecto e outros acabamentos. “Pensamos que a ser assim, iria dar outro ar e uma melhor contribuição para a prática desportiva”, sublinhou.

 O grande número de modalidades e de atletas que fazem treinamento nas duas infra-estruturas (anexos nºs 1 e 2), acrescentou, faz crer “que os campos construídos pelo governo nas escolas e bairros não estão a desempenhar a sua função enquanto infra-estruturas desportivas porque aqui nos encontramos sufocados”. Adiantou que até equipas dos bairros periféricos da cidade do Lubango sobretudo o João de Almeida treinam nos pavilhões por não encontrarem espaço nas suas áreas de residência.

“O governo construiu nas escolas infra-estruturas desportivas precisamente para acomodar jovens, crianças e adolescentes que se encontram na comunidade circular, mas parece-me que há dificuldades nesta perspectiva. Então, temos encontrado formas de podermos absorver porque também não podemos deixar de dar o espaço. Então, é natural esse desgaste dos pavilhões”, enunciou.                         
G.H

Realidade
Falta de verbas impede manutenção


A falta de recursos financeiros dificulta a manutenção das infra-estruturas em estado deplorável localizadas no Complexo Turístico e Desportivo da Nossa Senhora do Monte, justificou o administrador dos pavilhões multiuso, bem como os anexos nºs 1 e 2, António Ernesto. António Ernesto referiu não ser só o pavilhão anexo nº 2 que está degradado, mas de uma forma geral os três (multiuso e o anexo nº 1).

“A degradação é um processo natural. Toda a infra-estrutura depois de construída degrada-se pelo uso e chuvas. Então, não só o anexo nº 2, de forma geral os três, estão a sofrer este desgaste natural”, confessou António Ernesto. Clarificou que a infra-estrutura já foi construída há cerca de 10 anos, período este que será completado no próximo mês de Agosto. Adiantou que nesta altura precisa de manutenção.

 “A falta de recursos financeiros tem criado grande dificuldades para podermos fazer a manutenção, mas como vêem todo o esforço está a ser feito. Já encaminhamos algumas propostas à direcção provincial da Juventude e Desportos conjuntamente ao governo, o Ministério da Juventude e Desportos para encontrarem melhor fase para se poder fazer a reparação completa dessas infra-estruturas. De uma forma geral, de retoques”, disse.

 Apontou que a informação existente por parte da direcção provincial da Juventude e Desportos é que a reabilitação toda passa pela disponibilidade de valores por serem infra-estruturas que não dispõem de orçamento próprios. “Não temos uma outra fonte de receita. Do pouco que conseguimos com a comparticipação das equipas que treinam, procuramos fazer a limpeza e capinar os arredores dos pavilhões.

As colegas que se encontram destacados no pavilhão, também estão há muito tempo sem receber salários. Então, estamos a fazer esse esforço. Mas acreditamos que com a melhoria dos tempos, possamos fazer a reabilitação. A limpeza é feita regularmente por uma empresa nos três pavilhões”, referiu.

O administrador dos recintos desportivos localizados no Complexo Turístico e Desportivo da Nossa Senhora do Monte, assegurou que conjuntamente com as outras instituições afins, têm estado a desenvolver contactos e acções no sentido de se encontrar condições para a reabilitação dos pavilhões e com maior ênfase o anexo nº 2.

 Fundamentou que pelo tempo que esses pavilhões foram construídos, já deveriam ter passado por uma manutenção, mas as condições não surgiram e continuam a envidar esforços para trabalhar nessa perspectiva. “Para que possamos num futuro conferir uma melhor aparência à infra-estrutura”, prometeu.

 Avançou que o desgaste que já sofreu o pavilhão anexo nº 2, não é só pelo uso correcto, mas também há um vandalismo feito pela própria comunidade circundante e muita das vezes pelos próprios desportistas. António Ernesto salientou estar a trabalhar para procurar minimizar os efeitos negativos para que se possa usar ainda os pavilhões com a prática desportiva.

“E, é isso que estamos a fazer nesse momento a procurar manter o pavilhão com todos os esforços manter os pavilhões limpos, sem capim nem lixo e as equipas das várias modalidades poderem trabalhar”, disse. Argumentou que dos três pavilhões, o que está a sofrer maior desgaste é o anexo nº 2, por ser o que mais se usa. Acrescentou que o pavilhão principal multiuso é utilizado em grandes actividades ou cerimónias da província.

Explicou que o pavilhão anexo nº 1 com capacidade para albergar cerca de 200 pessoas é muito pequeno. Por essa razão, não é usado regularmente.
  “O pavilhão anexo nº 2, com a capacidade de receber 600 espectadores é o mais concorrido. Daí, também estar a ser degradado. Mas ainda assim, os três pavilhões estão a servir a função pelo qual foram construídos, a actividade desportiva e não só”, disse.

 O responsável lamentou o facto do nível do asseguramento dos pavilhões não ser o mais eficiente. “Também lamentamos o nível de asseguramento que não é muito eficiente. E todo o trabalho temos feito com os órgãos afins no sentido de procurarmos fazer uma cobertura mais eficaz porque mesmo fora do período de treinamento normal, a comunidade a volta do pavilhão anexo nº 2 é que praticamente está a danificar e não a actividade desportiva se formos a ver. Porque o acesso é fácil.

Os obstáculos que nós metemos para impedir a entrada, eles retiram”, lamentou. De acordo com António Ernesto, quando é colocado vidro a comunidade envolvente a infra-estrutura parte por encontrar-se a cinco metros de distância.                                           
G.H