Jornal dos Desportos

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Reportagens

Vestiu dezoito vezes a camisola da selecção

03 de Outubro, 2011

O técnico recebeu o prémio Príncipe de Astúrias dos Desportos

Fotografia: Reuters

Vicente Del Bosque assumiu o cargo de técnico da selecção de Espanha depois de quatro anos de Luís Aragonês no comando, trajectória que culminou na conquista da Eurocopa 2008. Herdou um grupo talentoso e entrosado, que entrou para a história com um toque de bola brilhante e soube fazer uma transição discreta, mantendo o esquema e o estilo de jogo, mas trazendo sangue novo.

Com esta receita, o técnico comandou o seleccionado numa campanha brilhante nas eliminatórias para a África do Sul 2010, que terminou com 100 por cento de aproveitamento. O único tropeço foi a derrota nas semifinais da Copa das Confederações da FIFA 2009, com o país a ter de se conformar com o bronze, mas um ano depois, a Espanha deu a volta por cima. Como jogador, pelo Real Madrid, Del Bosque ganhou cinco campeonatos espanhóis e quatro Taças do Rei. Além disso, vestiu 18 vezes a camisola da selecção e disputou o Euro, em Itália, em 1980. Começou a carreira de treinador nas categorias de formação clube madrileno, onde trabalhou seis anos.

Nesse período, teve algumas passagens esporádicas à frente da equipa principal, até assumir o cargo de vez na temporada 1999/2000. Sob o seu comando, a equipa viveu uma das etapas mais gloriosas da sua história, conquistando duas Ligas dos Campeões da Europa, dois Campeonatos Espanhóis e uma Taça Intercontinental, entre outros títulos. Del Bosque é conhecido pelo jeito tranquilo e conciliador, de alguém que nunca perde a calma. Nascido em Salamanca, treinou o clube turco Besiktas, na temporada 2004/05, e trabalhou em alguns órgãos de comunicação social antes de se tornar técnico da selecção espanhola.

Pontos altos em 2010 Del Bosque manteve-se fiel ao futebol de toques rápidos e tabelas que consagrou a Espanha em 2008. Teve bom faro ao apostar em caras novas para reforçar o grupo. Depois de uma campanha perfeita nas eliminatórias —  dez vitórias em outros tantos jogos, com 28 golos marcados e apenas cinco sofridos —, a selecção tropeçou diante da Suíça na estreia do Mundial. O resultado trouxe à tona antigos receios, mas o treinador conseguiu manter a confiança no balneário, exibindo a moderação de sempre. Com serenidade, mas também um pouco de ousadia táctica — não hesitou em apostar no novato Pedro como titular na semifinal contra a Alemanha —, Del Bosque fez a equipa recuperar e classificar-se pela primeira vez para a decisão de um Campeonato do Mundo da FIFA.

No jogo mais importante da sua vida, um Del Bosque mais temperamental apareceu, a gesticular muito na lateral do relvado. Afinal, a situação pedia. Mais tarde, na histórica comemoração do título mundial, voltou a mostrar-se tranquilo. O técnico deu novamente mostras do seu carácter, ao receber o prémio Príncipe de Astúrias dos Desportos, um dos principais da Espanha, concedido à selecção. Na ocasião, fez questão de lembrar o antecessor, Luis Aragonês, que considerou parte fundamental da trajectória da Fúria rumo ao sucesso.


Paulo Futre
Jogou nos “três grandes” da Liga portuguesa

Paulo Futre considerado, dos melhores futebolistas de Portugal de todos os tempos, foi um dos poucos que jogou nos "três grandes" daquele país, Sporting, Porto e Benfica. Formado no Sporting - na sua primeira época como profissional, aos 17 anos, esteve perto de ser emprestado à Académica de Coimbra, mas a direcção do clube de Alvalade optou por mantê-lo na equipa - e após incompatibilidades com a direcção leonina, depois de pedir aumento no ordenado, transferiu-se para o FC do Porto, onde em três épocas se notabilizou e a conquistou dois campeonatos nacionais e uma Taça dos Campeões da Europa, com uma exibição notável diante do Bayern Munique, segundo os cronistas da época.

Em 1987, transferiu-se para o Atlético de Madrid, naquela que foi para a altura, a maior transferência do futebol português. Não conseguiu o sucesso desportivo que desejava, mas em termos individuais tornou-se num dos grandes símbolos de sempre do clube. Cinco anos e meio depois de ter ido para Espanha, onde conquistou duas Taças do Rei, regressou ao futebol português para representar o Benfica. Ao serviço deste clube, conquistou uma Taça de Portugal.

Problemas de ordem financeira levaram-no a sair prematuramente do clube, transferindo-se para o Olympique de Marselha. A partir daí, a carreira de Futre entrou em declínio. Gravíssimas lesões obrigaram-no a períodos longos de inactividade, sendo forçado a terminar a carreira antes do que planeava. Depois da fracassada experiência em França, ainda passou pelo futebol italiano, Reggiana e AC Milão, nunca atingindo os patamares exibicionais que o notabilizaram.

Durante a candidatura de Dias Ferreira à presidência do Sporting, apresentou-se como responsável pela possível criação de um departamento para o melhor jogador chinês da actualidade. Esse suposto departamento passava a ser o responsável pela ida a Portugal de chineses para assistirem a jogos do Sporting. No ano de 2011 participou como actor na novela “Laços de Sangue”.


DiMaggio jogador
de classe na equipa Yankees

New York Yankees, elegante sobre o diamante, deixou uma marca quase impossível de ser superada: 56 jogos consecutivos sem ser eliminado da posição de rebatedor. Joe DiMaggio deixou um legado que o diferencia como o jogador com mais classe entre um grupo incomparável de desportistas na história da mais importante equipa de Nova York.

Joe, Vince e Dom, originários da região de São Francisco, formaram o trio de irmãos mais famosos das ligas de beisebol dos Estados Unidos. Vince e Dom eram jogadores eficientes, mas Joe tinha um talento especial. Jogou dez campeonatos norte-americanos com os Yankees, de 1936-1951. Ninguém jogou beisebol como Joe DiMaggio. Quando tinha 18 anos e jogava com os Seals de São Francisco, na liga do Pacífico, rebateu durante 61 jogos consecutivos.

A sua a sequência de rebatidas em 56 partidas em campeonatos norte-americanos, em 1941, constitui um recorde que, dificilmente, é superado. Durante seis desses jogos, manteve a sequência na sua última oportunidade de rebater. Foi eleito três vezes o melhor jogador da liga americana e eleito, em 1955, para o Salão da Fama do basebol apenas quatro anos depois de se aposentar.

A sua maior qualidade era a grande habilidade para rebater. O estilo e a classe com que rondava o campo do Yankees foram o símbolo da sua vida. DiMaggio era tranquilo e com um bom sentido de humor, de acordo com as pessoas que o conheciam bem. Era uma super estrela original com estilo, com roupas de cor escura e cabelo bem curto. O seu primeiro casamento foi com a actriz Dorothy Arnold, mas foi o segundo, com Marilyn Monroe, que o tornou ainda mais famoso. Para Dimaggio foi difícil administrar tanto assédio dos americanos para com Marilyn Monroe. Reportagens da altura descreviam-no como "extremamente ciumento".

A união durou apenas nove meses. DiMaggio pediu o divórcio alegando "crueldade mental" e "conflitos profissionais".  Apesar do triste fim do casamento, DiMaggio foi, dos ex-maridos de Marilyn, o mais devotado depois da morte da artista, em 1962. Foi visto no funeral e visitava o túmulo dela com regularidade. Apesar de um casamento mal sucedido, DiMaggio mostrou a classe que dominava a sua vida e sua carreira no beisebol. Talvez Joe DiMaggio não fosse tão agressivo como Babe Ruth, ou divertido como Mickey Mantle, mas tinha uma presença própria, uma super estrela sob todos os aspectos. Em termos de estatísticas, talvez Ruth ou Mantle tenham sido os maiores Yankees de todos os tempos.