Jornal dos Desportos

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Reportagens

VIitria do Bi procura mstica de outrora

Jos Chaves, no Kuito - 30 de Abril, 2010

Jorge Dongo, presidente de direco do Vitria Atltico Clube do Bi

Fotografia: Jornal dos Desportos

Como está o clube  nos dias que correm?
O Vitória Atlético Clube do Bié está a renascer, depois de passar por um período bastante difícil, devido às contrariedades por que passou depois da guerra pós-eleitoral de 1992, provocando que o seu património humano e social fosse destruído. Actualmente, está a ser recuperado todo o património do clube, pois queremos apagar para sempre as marcas da guerra que dilacerou, de forma indelével, o seu tecido social. Como é do domínio público, as infra-estruturas desportivas não foram poupadas.

O clube era tido como o mais popular da província. Pensam recuperar esse estatuto?
Estamos a trabalhar para tal. Não é fácil, mas vamos fazer absolutamente tudo o que estiver ao nosso alcance para que o clube volte a ser o mais popular do Bié. Essa é a nossa meta.

O que fazer para alcançar este desiderato?
Em primeiro lugar, vamos entrar para a massificação desportiva, apostando nas modalidades tradicionais. Em segundo, vamos apostar em crianças e jovens. O clube sempre aliou o desporto à educação académica para preservar o futuro dos atletas. Gostaria de abrir um parêntese para dizer que há vários ex-atletas nossos, espalhados pelo país, que quando serviam a agremiação não dispensavam a formação académica. Hoje, deixaram de praticar desporto, mas estão formados em várias áreas, o que serve de exemplo para esta direcção. Quero apelar a essas pessoas, antigos dirigentes, sócios e adeptos, que estiverem em condições de contribuir para a revitalização do glorioso e popular clube, dizendo que as nossas portas estão abertas para receber todas as contribuições válidas.

Como está o clube em infra-estruturas?
O património físico do Vitória Atlético é bastante grande, de fazer inveja a vários clubes angolanos. Possui um estádio de futebol, com a capacidade para cinco mil espectadores, um campo polivalente construído de raiz no ano passado (financiado pelo governo). Possui, ainda, um edifício de recreação, para actividades culturais, com 4.500 metros quadrados.

Que infra-estruturas foram recuperadas?
Já foi reabilitado o edifício de recreação (Salão do Vitória Atlético), onde de momento funciona a sede social. O estádio de futebol está a ser reabilitado e ganhamos, no ano passado, um campo polivalente. De referir que as obras de reabilitação das estruturas desportivas do clube são da responsabilidade do Governo Provincial do Bié, a quem endereçamos o nosso grande apreço.

E daqui para frente?
Pretendemos concluir o muro de vedação do estádio, remover os obstáculos dentro do campo, colocar a rede de vedação, arrelvar o campo e colocar as torres de iluminação. Pretendemos, ainda, construir uma piscina para a massificar da natação. Infelizmente, devido à crise económica mundial, algumas obras tiveram de parar. Volto a dizer que, para a efectivação, de todos esses projectos, contamos apenas com ajuda do Governo da província, na medida em que a agremiação está desprovida de meios financeiros para fazer face a projectos de grande impacto.

O governador provincial, Boavida Neto, visitou recentemente as infra-estruturas do clube.  Um comentário…
O senhor Boavida Neto visitou recentemente as nossas infra-estruturas para se inteirar do actual estado das mesmas. Foi uma visita benéfica e esperamos que, num curto espaço de tempo, o Governo local ajude o clube, como tem vindo a fazer na recuperação do Estádio do Vitória.

Sócios contam-se
às dezenas

Que modalidades movimentam nesta altura?
Actualmente estamos a movimentar o futebol e o  atletismo. Quanto às modalidades de andebol e ao basquetebol, apesar de termos um pavilhão disponível, estamos a trabalhar para as revitalizar, por serem modalidades tradicionais na nossa equipa. Assim que conseguirmos um “sponsor”, vamos revitalizar outras disciplinas. Voltando ao atletismo, um atleta nosso conseguiu uma medalha de bronze, em Janeiro, na prova dos 400 metros do no “meeting”, disputada no Estádio dos Coqueiros, em Luanda.

Quantos sócios controlam?
É um número ínfimo; cerca de quatro dezenas. O clube tem vários sócios espalhados pelo país e até na diáspora, só que não estão inscritos devido às dificuldades que a agremiação atravessou nos últimos 15 anos.

Falta de patrocinador
dificulta evolução

O clube possui um patrocinador oficial?
Infelizmente não, mas estamos à procura. Deixamos de ter patrocinador oficial em 1991, altura em que se registaram mudanças políticas e económicas no país.

Então, como sobrevive?
O clube passa por momentos bastantes difíceis. As pequenas ajudas que recebe provêem de ex-atletas e dirigentes, valor que não chega para arcar com as despesas correntes. Damos graças a alguns sócios, que contribuem para garantir a manutenção da nossa agremiação.

Há alguma fórmula para inverter este quadro?
Estamos à procura de um patrocinador. Apelamos às pessoas ou instituições de boa-vontade, quer privadas quer estatais, a ajudar este popular clube a sair da letargia em que está há muitos anos.

Como é dirigir um clube sem recursos financeiros?
É bastante difícil. É preciso ter coragem, ser humilde e saber lidar com as situações decorrentes. Apesar dessas vicissitudes, vamos continuar a trabalhar para inverter o quadro. Vamos tentar aumentar o número de sócios e procurar, obviamente, um patrocinador oficial para o nosso clube.

A par da falta de patrocinador, que outras dificuldades enfrentam?
Temos dificuldades internas. Não temos material desportivo, o que impede a revitalização de diferentes modalidades no clube até agora.

Como colmata a falta deste material?
Recebemos algum apoio de pessoas singulares, ex-atletas e amigos do clube e de alguns jovens que se solidarizam com a nossa causa.

Já bateram à porta de empresários locais à procura de ajuda?
Os empresários locais ainda não têm a cultura de apoiar o desporto. É necessário muita sensibilização para que a mesma seja adquirida pelos empresários que operam fora do Bié. É um trabalho a ser feito através de seminários, "breefing", etc. Muitas pessoas desconhecem o marketing, pelo que se torna necessário incutir-lhes essa mentalidade. Só assim vamos desenvolver o desporto na província.

À procura da rodagem competitiva

Nas primeiras jornadas do campeonato provincial de futebol da época passada o Vitória do Bié estava à frente da classificação, mas depois acabou por ficar na quinta posição. Uma explicação…
Existiram vários factores, desde a falta de material desportivo à de recursos financeiros. Tudo isso contribuiu para a queda de rendimento da equipa de futebol.

Quais são as perspectivas para a nova temporada?
Vamos participar no Campeonato Provincial de Futebol da presente época com o objectivo de ganhar rodagem competitiva. O Vitória é um clube ganhador, mas precisamos de reestruturar o departamento de futebol. Para isso, é necessário investir, pois só com grandes investimentos vamos pensar em conquistar o "Provincial".

Quando pensam voltar ao Girabola?
Estamos numa fase de reestruturação, a dar os primeiros passos. Por isso, vamos caminhar devagar, com passos bem firmes, para não tropeçar. É de conhecimento público que, desde a sua fundação, o clube competiu em provas nacionais. Aliás, a sua história é enriquecida por ter sido uma das primeiras equipas a competir na primeira edição do Campeonato Nacional de Futebol da primeira divisão. O primeiro golo da prova foi marcado por um atleta nosso, o malogrado Minguito. Portanto, o Vitória do Bié tem história que não se pode  apagar. Vamos lutar para recuperar a mística do passado.