Jornal dos Desportos

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Reportagens

Vitria Atltico Clube do Bi 78 anos de contribuio ao desporto

Jos Chaves, no Bi - 26 de Agosto, 2010

Clube um dos mais antigos da provncia

Fotografia: Jos Chaves

O Vitória Atlético Clube do Bié existe há 78 anos. Fundado a 15 de Agosto de 1932, na ex-cidade de Silva Porto (actual Kuito, capital da província do Bié), é um dos clubes mais populares da província.Com muitos adeptos e simpatizantes, os "encarnados" têm tradição no desporto angolano e uma rica história.

Muitos nomes sonantes do desporto feito no passado escreveram a sua história passando por aquela agremiação. Hoje, com idade já avançada, procura resgatar a mística perdida ao longo do tempo, mas as coisas não estão a ser fáceis. Com infra-estruturas próprias, o clube possui o edifício onde funciona a sede social, situada na Avenida Principal da cidade do Kuito, com uma área de 4.500 metros quadrados.

Reabilitado pelo Governo Provincial do Bié, no âmbito do Programa Mínimo de Reconstrução da Cidade do Kuito (PERMIK), o prédio está pintado com as cores tradicionais do clube, o vermelho e branco. O imóvel é composto por um salão para actividades culturais, escritórios e um vasto terreno.

O património físico do Vitória Atlético Clube do Bié é de fazer inveja à maioria dos clubes angolanos. A agremiação possui também um estádio (com capacidade de 10 mil pessoas), um campo polivalente para a prática de modalidades de salão como o andebol, o basquetebol, o voleibol, o futebol salão, o hóquei em patins, entre outras. O mesmo tem a capacidade para 500 pessoas.

Tudo isso foi construído aos poucos, ao logo dos 78 anos, e permitiu ao clube conquistar dezenas de títulos no desporto local e nacional, com destaque para as disciplinas de atletismo, andebol, basquetebol e futebol. Isto mesmo pode-se provar ao vermos a sala de troféus com várias taças e medalhas.  

Patrocinador procura-se 

A falta de um patrocinador oficial, dificulta a vida do Vitória Atlético Clube do Bié. Nesta fase, o clube caminha com os próprios pés como se diz.Ou seja, conta apenas com o apoio dos seus dirigentes e com receitas provenientes do aluguer do salão para eventos culturais.
Apesar de os seus dirigentes procurarem, incessantemente, por um ou mais patrocinadores permanentes, nada de concreto se conseguiu até ao momento. Até que surgiram alguma promessa, mas que não passaram disso mesmo.

De recordar que depois da Independência Nacional, em 1975, o clube passou a ser patrocinado pela Direcção Provincial do Comércio, mas com a mudança do sistema político do país, passando do monopartidarismo para o multipartidarismo, passou-se para uma economia de mercado e a direcção do comércio deixou de ser o patrocinador oficial. Para  retirar o clube do marasmo em que se encontra, a sua direcção está no mercado nacional e internacional à procura de um sponsor.

Autonomia financeira na forja

O presidente do clube, Jorge Dongo, disse à nossa reportagem que a sua direcção pretende ter autonomia financeira e que tem já identificadas as áreas que vão merecer intervenção urgente.

"Vamos dar um novo aspecto ao campo de futebol, numa primeira fase. Depois vamos construir uma piscina, um escritório para albergar a sede social do clube", explica, acrescentando que "para o estádio de futebol, queremos remover os obstáculos nele existentes, vedar o rectângulo de jogo, arrelvar, montar o sistema de irrigação e colocar torres de iluminação".

O presidente de direcção promete aos adeptos, simpatizantes e sócios do clube que, assim que a colectividade conseguir um patrocinador, vai apostar na modernização do memo. A intenção é resgatar a mística do passado e ter fontes de receitas para a colectividade.
 
"Defendemos que o clube tenha fontes de rendimentos "o projecto visa dotar o clube de diversos serviços para a sua sustentação e vai permitir o relançamento de diversas modalidades desportivas, com realce para o futebol, o andebol e o voleibol. "Precisamos apostar em infra-estruturas, designadamente na hotelaria e outras que assegurem o clube”, exemplifica.

Leque de modalidades reduzido

O leque de modalidades  movimentadas actualmente na agremiação é reduzido, sendo o futebol e o atletismo as únicas que ainda dão o ar da sua graça. Isto mesmo foi confirmado por Jorge Dongo, ele que está pela segunda vez à frente do  Vitória Atlético, sendo que o último mandato começou em 2008 e vai até 2012.

Por força da guerra que o país passou, a agremiação já não é a mesma, até porque a mesma se encontrava praticamente abandonada entre 1993 a 2006.

A guerra destruiu as suas infra-estruturas desportivas e sociais, o que levou muitas pessoas a se mostrarem cépticas, adivinhando mesmo a extinção do clube.Graças ao grande esforço dos seus dirigentes, o quadro actual é mais condigno.O triste cenário em que esteve mergulhado passa a fazer parte do passado.

Nos dias que correm, foram reabilitados o salão de eventos culturais, o estádio de futebol (parcialmente) e um novo campo polivalente foi construído.O vitória foi sempre um clube humilde, mas com brio e aplicação. A título de exemplo, a sua equipa de futebol disputou o Girabola’1979, a primeira edição da competição, organizada em séries.

A sua história é enriquecida pelo facto de ter sido um jogador do clube, o malogrado Minguito, quem marcou o primeiro golo do Campeonato Nacional de Futebol da Primeira Divisão.A equipa teve uma passagem efémera na prova, pois, no ano seguinte, desceu de divisão para não mais voltar a competir na fina-flor do futebol nacional até o dia de hoje .

Durante as décadas de 80/90, o Vitória participou por diversas vezes no Torneio Zonal de Apuramento ao Girabola e na fase nacional da Taça de Angola. No seu palmarés, conta com vários títulos de campeão provincial de juvenis, de juniores e de seniores.

Estádio precisa de ser reconstruído 

O velho Estádio Vitória Clube do Bié clama por reabilitação.Actualmente, à primeira vista, apresenta um rosto bonito, fruto da reabilitação parcial que sofreu recentemente, mas esconde outros problemas.O Governo Provincial do Bié, através da Direcção Provincial das Obras Públicas, reconstruiu o seu muro de vedação, reparou e pintou a bancada principal e fez retoques nos balneários.

Ainda assim, o recinto necessita de uma reparação profunda que passa pela vedação do rectângulo de jogos, pelo seu arrelvamento, colocação de torres de iluminação e pela construção das bancadas laterais.A história reza que vários craques passaram pelo mítico campo e mais tarde evoluíram em campeonatos provinciais, nacionais e até fora do país.

O campo era o orgulho dos futebolistas bienos e dos citadinos, mas hoje já não é o mesmo.Com capacidade para albergar cinco mil espectadores, o seu piso está irregular e sem relva.Durante as décadas de 70, 80 e princípio dos anos 90 albergou provas do campeonato provincial de juvenis, juniores e seniores, bem como partidas da fase nacional da Taça de Angola, do Zonal de Apuramento ao Girabola, torneios inter-provinciais e de velhas guardas.

Apesar das actuais condições, o campo tem recebido partidas válidas para o campeonato provincial de iniciados, juvenis, do Girabairro e de torneios inter-provinciais. Pelo que vimos, não restam dúvidas de que o quadro precisa de ser revertido para o bem do desporto local.De recordar que a 29 de Agosto de 1946, o Sport Lisboa e Benfica disputou uma partida no Estádio do Vitória Atlético Clube.

Antigos atletas preocupados
com o actual quadro

Antigos atletas do clube estão preocupados com o actual quadro do Atlético Sport Clube do Bié. É que a agremiação não passa por uma boa fase, vivendo hoje um período crítico que o coloca em iminente "queda livre", quadro que apenas pode ser revertido se houver um patrocinador oficial.

A opinião é consensual, pelo menos entre alguns ex-atletas que falaram à nossa reportagem.Nelson Lemos, antigo futebolista do clube, é de opinião que é imperioso o clube ganhar outra dinâmica.

"É preciso revitalizar o clube.O vitória é uma agremiação com cartas dadas no desporto nacional. Por isso, precisa urgentemente de sair da letargia em que se encontra", lembra.

Domingos Bernardo "Balsa", outro ex-futebolista, lamenta o actual quadro em que está mergulhado o clube."É lamentável a situação que vive o Vitória.O governo provincial deve apoiá-lo e assim contribuir para o desenvolvimento do desporto na província", exorta.

Já Nando, antigo ponta-de-lança, afirma ser necessário que o Vitória seja revitalizado para contribuir no desenvolvimento desportivo da província, em particular, e do país, em geral."O clube tem muito a dar no desporto, tanto na província quanto ao país", diz.