Jornal dos Desportos

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Reportagens

Vivaldo Eduardo, assumimos um grande desafio

Avelino Umba - 25 de Dezembro, 2010

Vivaldo Eduardo reflecte sobre a empreitada que tem pela frente

Fotografia: Jornal dos Desportos

Assumiu recentemente o cargo de seleccionador nacional de andebol sénior feminino. O que tem em carteira para este novo desafio?
Queria antes de tudo agradecer as entidades de direito por esta via, pois ainda não tive tempo de fazê-lo, assim como agradecer também a imprensa pela sua presença no dia da nossa apresentação. Neste gesto de agradecimento, quero aqui particularizar o presidente da Federação Angolana de Andebol pelo carinho que nos tem vindo a prestar. Respondendo a sua pergunta devo dizer que basicamente assumimos uma responsabilidade muito grande. Pois substituímos uma equipa técnica que foi contratada e cumpriu os seus objectivos. Assim sendo, ao sermos chamados para os substituir, isso por si só já acresce as nossas responsabilidades. As nossas atletas são testemunhas disso, pois temos um público muito exigente que quer sempre o melhor, porquanto as nossas campeãs já provaram que podem fazer coisas melhores. Vamos olhar em todas as possibilidades que temos, traçar as nossas estratégias o que já estamos a fazer isso ao nível administrativo, mas queremos ser realistas e ter os pés bem assentes no chão e fazer sempre o nosso melhor. Esta é a mensagem que tenho vindo a passar à nossa equipa técnica.

Em termos gerais que avaliação faz do grupo que vai orientar nos próximos tempos?
Devo dizer que ainda não tive encontro com o grupo, apenas teremos o nosso primeiro encontro no dia 3 de Janeiro, o que significa que uma boa parte das atletas tem muitas dificuldades em conciliar as exigências da Selecção Nacional, situação esta que muito sinceramente não esperava encontrar, pois muitas atletas já me bordaram sobre esta situação de que não estariam disponíveis à Selecção, o que considero ser o primeiro aspecto com que fomos confrontados pela negativa, pois a Selecção Nacional deve merecer a máxima atenção da parte de todos nós. Mas vamos fazer alguma coisa para dar solução a este tipo de problemas.  

"O objectivo é sempre fazer cada vez melhor". Quais são as suas grandes ambições?
Queremos ter os pés bem assentes no chão, pois o melhor não é sempre aquilo que o nosso público receia, mas aquilo que objectivamente podemos fazer. Sabemos que temos uma selecção que é vista com algum respeito e vamos esperar que haja da parte das autoridades o maior apoio, de formas a treinarmos e jogar como uma selecção que todos esperamos. Em função disso quando atingirmos estes objectivos e tivermos atletas disponíveis, vamos saber de factos até onde podemos chegar. Desde o início, o nosso objectivo é chegar e fazer o melhor.

"O nosso objectivo é sempre melhorar"

A selecção de andebol habituou-nos a muitas glórias, e tudo indica que não vai fugir à regra. Quer comentar?
Temos plena consciência de que assumimos uma grande responsabilidade, pois ninguém quer piorar a classificação, ou deixar de ganhar aquilo que ganhou antes. Assim sendo, teoricamente o objectivo é sempre melhorar. E como disse, queremos estar bem assentes de formas a ter as condições objectivas para de facto lutarmos sobre aquilo que pretendemos e colocar as atletas no seu máximo.

Encontrou alguma dificuldade no grupo que mereça intervenção imediata?
Penso que sim, pois as próprias atletas devem valorizar mais a Selecção Nacional, acredito que a maior parte delas vai trabalhar e dar o seu máximo, mas já de algum tempo a esta parte, muitas atletas têm desistido em níveis altíssimos. Estão a encontrar algumas dificuldades em equilibrar os seus interesses profissionais com os desportivos. Penso que as entidades de direito devem procurar ver se dão a elas possibilidades de ficarem no desporto como a selecção exige sem ficarem prejudicadas profissionalmente. Esta situação, não só acontece com as atletas, mas também com as equipas técnicas.

"A sociedade deve valorizar
 o trabalho do desportista"

A sociedade precisa de valorizar o trabalho do desportista. Quer citar algum exemplo?
Eu próprio passei algumas vicissitudes, sendo que tive de solicitar por escrito à empresa onde vinha trabalhando há muitos anos, neste caso às Edições Novembro E.P. uma dispensa sem remuneração para poder trabalhar com a Selecção Nacional, e não foi fácil concederem-me esta dispensa. Penso que algumas entidades desta sociedade ainda não estão sensibilizadas para a importância do nosso trabalho, embora toda a gente goste de ver Angola a ganhar, esquecem-se que a vitória é um edifício que se constrói durante muito tempo, começando da base. Neste caso, temos que ter tranquilidade de que quando quisermos voltar seremos recebidos sem problemas. Caso assim não aconteça, não conseguimos trabalhar bem, e é isso que acontece com a maior parte das atletas. Pois, quando se trata da Selecção Nacional, a disponibilidade é total.   

Para quanto tempo assinou?
Assinei em princípio para um ano e mais um por opção.

É técnico do Petro de Luanda, hoje também da Selecção Nacional. Como vai conciliar as duas missões?
Eu só anuí a esta situação, após um entendimento entre o Petro de Luanda e da Federação Angolana de Andebol. E quero lembrar que esta situação não é nova no nosso país, pois o treinador de basquetebol do 1º de Agosto é o mesmo da Selecção Nacional e o da Selecção de andebol masculino é o mesmo do 1º de Agosto. Já muitas vezes aconteceu e de qualquer maneira por aquilo que penso, este trabalho duplo é apenas para curto período, razão por que não acho que possa prejudicar uma das partes. Assim sendo, e para não prejudicar nenhuma das partes, tive que optar inicialmente por um período curto.    

O que lhe levou a aceitar esta grande responsabilidade?
Penso que é um desafio que está à minha medida, modéstia à parte, também sinto-me mais motivado para desafios mais difíceis e depois de ter trabalhado mais de oito anos a nível das selecções mais jovens, tive uma experiência negativa com a Selecção principal e penso que se calhar escrever a minha história como treinador é uma oportunidade para corrigir isso, e é bem vindo, pois hoje cá estou com mais maturidade.

Considera que a Federação teve atitude de coragem?
Como reagiu ao receber o convite para treinar a Selecção Nacional?

Quero salientar que termos sido convidados para assumir a selecção, foi uma altitude de coragem e louvo a direcção da Federação pelo facto de ter apostado num treinador nacional, sobretudo num treinador que já lá esteve e sem muito êxito por vários motivos.

Que apoio de encorajamento tem recebido?
Temos vindo a receber muitos apoios da parte de muitos colegas de profissão, realçando por exemplo o apoio particular de Jerónimo Neto que foi o treinador que melhor serviço prestou até ao momento na Selecção Nacional. Foi aquele que não hesitou em sentar comigo e conversar, dando-me assim muitos conselhos valiosos para aquilo que deve ser o nosso trabalho, disponibilizando-se totalmente em nos apoiar, pois vamos sempre precisar deste apoio e pensamos que o treinador é uma peça de engrenagem, não é ele que faz tudo.

Ele de facto tem um trabalho muito importante, mas que precisa de apoios necessários para desempenhar cabalmente as tarefas a si acometidas e que todos vistamos a camisola da Selecção Nacional que não é só minha, mas do país, onde estarei disponível integralmente. E se assim trabalharmos e se tivermos tempo para realmente aproveitarmos o melhor que foi feito pela equipa técnica que nos antecedeu, que muita coisa boa fez, se tivermos tempo de avaliar o máximo de cada atleta o que pode dar, podemos de facto fazer aquilo que a Selecção merece e esperamos que Deus venha a nos ajudar nesta nossa árdua responsabilidade.

POR DENTRO

Nome – Vivaldo Francisco Eduardo
Data de Nascimento – 11.9.1966
Naturalidade – Rangel/Luanda
Nacionalidade – Angolana
Estado civil – Divorciado (vive maritalmente)
Filhos – Quatro
Altura – 1,79 m
Peso – 78 kg
Desporto ideal: Andebol
Tabaco – Contra
Bebida – Água
Número de calçado – 43
Princesa encantada – Quatro mulheres, dentre elas esposa e três filhas
Música – Suave (embora não saber dançar)
Prato preferido – Funge com carne seca
Religião – Protestante
Calor ou cacimbo? Calor 
Esplanada ou discoteca? Nunca fui à discoteca  
Boleia ou volante – Volante
Droga – Um flagelo social que deve ser banido
Poligamia – Respeito, mas não alinho
País – Angola
Província – Luanda

Formação profissional
Diz ter o privilégio de ser formado em jornalismo por alguns jornalistas que considera os melhores deste país, nomeadamente Telmo Augusto e Osvaldo Gonçalves na altura no Jornal de Angola, embora antes exercer, já gostava da profissão com início de feitura de jornais morais.
-Tem formação superior em língua portuguesa.
- Formações necessárias como treinador de nível um, a nível quatro em Portugal.
-Participou em mais de dez acções formativas e todos os anos participa em cursos de refrescamento.  

Formação académica
-Curso linguística do ISCED e curso de Educação Física do (INEF)
-Curso de Mister Cotch como assistente, pois é reservado apenas para treinadores europeus.