Jornal dos Desportos

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Reportagens

Wilson no D Agosto s pensametos nos ttulo

Manuel Neto - 05 de Março, 2010

Wilson quer ganhar o ttulo de campeo do Girabola2010

Fotografia: Jornal dos Desportos

Que avaliação faz do futebol angolano?
É positiva, porque noto uma grande evolução em relação à época anterior, sobretudo, na qualidade de reforços adquiridos este ano por muitas equipas. Isso demonstra que cada vez mais há tendências de melhoria que torna o Girabola mais competitivo.

O que lhe ocorreu na alma, quando foi convidado para ingressar na equipa do 1º de Agosto?
O 1º de Agosto é para mim a melhor equipa do país, pois que sempre lutou pelo título e pelas melhoes classificações a nível de África. E como persigo certos objectivos, que passam pela conquista do título, senti-me satisfeito com o convite formulado. Aliás, nessa equipa, os atletas só pensam no título, quando entram em campo. É uma questão interessante e aliciante para qualquer atleta que pensa atingir altos patamares.

O contrato assinado por uma época é seguro?
Penso que sim, porquanto não sei o dia de amanhã. Achei por bem ser mais cauteloso na escolha da melhor equipa e para mim foi o 1º de Agosto; é a que apresentou, a meu ver, as melhores condições de trabalho e objectivos. As pessoas, que lá funcionam, são as melhores.

O que quer dizer "melhores condições de trabalho"?
Devo dizer que as condições de trabalho são as mais aceitáveis possíveis e só me resta trabalhar arduamente no sentido de ajudar a equipa a melhorar cada vez mais, rumo ao objectivo enumerado. Tenho a vantagem de as pessoas tratarem-me muito bem

Duas vitórias e um empate constituem o saldo do 1º de Agosto sobre o Petro de Luanda, no início da época. Esses resultados são moralizadores para os objectivos preconizados pelo grupo militar?
Começámos bem ao darmos um passo importante com a conquista da Super-Taça. E para nós, que chegámos a esse grande clube pela primeira vez, as vitórias têm um sabor especial. E com a terceira, ainda é melhor. Isso significa que estamos a produzir um bom futebol, demonstramos ser uma equipa madura e com bons jogadores. No entanto, estamos moralizados para os objectivos que perseguimos e a senda vitoriosa manter-se-á até ao final do campeonato.

Que perspectiva faz do Girabola’2010?
Quem está no 1º de agosto deve sonhar com o título. Apesar de estarmos consciente de que não será fácil, tendo em conta os requisitos de outros plantéis, perspectivo um campeonato difícil. Vamos continuar a trabalhar com humildade e fazer com que o Girabola seja competitivo e conquistado por nós.

Em quatro jogos, sofreu dois golos. Que se lhe oferece comentar?
É o trabalho e o entrosamento de toda a equipa. Aliado à vontade de ganhar os jogos, leva-me a desbobinar em campo tudo quanto tenho suado nos treinos. Aliás, temos muito campeonato à frente e só o tempo dirá tudo.

O 1º de Agosto tem bons guarda-redes. A concorrência mexe contigo?
Estou ciente disso. Temos bons guarda-redes como Tony e Rúbia. É uma concorrência profissional muito forte. Nesse momento, estou em grande forma desportiva, mas daqui a algum tempo poderá ser outro. No entanto, vou continuar a trabalhar para me manter em boa forma desportiva. É verdade que não se deve dormir à sombra da bananeira.

No mes de Janeiro, a direcção do Recreativo da Caála dizia que a sua tranferência para o 1º de Agosto era ilegal. Que se lhe oferece dizer?
Houve comentários a respeito, porque algumas pessoas não estavam informadas sobre o meu contrato. Foi de um ano. As pessoas, que não tinham conhecimento, fizeram comentários desnecessários sobre a minha saída, mas as duas direcções sentaram-se e tudo ficou resolvido, apesar do equívoco.

Por que havia ingressado no Recreativo da Caála?
Ingressei no Recreativo da Caála para tentar uma nova experiência, porque fazia muito tempo que não vinha a Angola. Aproveitei a oportunidade de jogar na província dos meus avôs e dos meus pais e senti-me bem enquanto representei o Caála e guardo-o na memória por ser a equipa que me lançou ao mercado angolano, na Selecção Nacional e no 1º de Agosto.

"Sou fã do Sporting"

As amizades cravadas nas terras lusas fazem do Wilson um sonhador vestido com as cores de leão de Portugal. Admirador confesso de Sporting de Portugal, Wilson quer defender as balizas do clube português.Como surge a paixão pelo futebol?
Ainda garoto, gostava de correr atrás de uma bola e algum tempo depois, incentivado pelos amigos, inscrevi-me no escalão de iniciados do Quarteirense de Portugal, depois transferi-me para o Boavista, clube que representei durante sete anos e conquistei vários títulos na fase de formação. Posteriormente, transferi-me para o Olvarense, da Segunda Divisão, onde comecei a vida profissional no escalão sénior, passando pelo Imortal e mais tarde na equipa do Desportivo dos Chaves, clube que me lançou para o futebol angolano.
Abandona o Chaves numa altura em que a equipa ascende à Divisão de honras...Sim, foi nesta fase, mas são coisa do futebol. Prometo voltar um dia, porque deixei muitos amigos.

Está a dizer que o sonho de jogar na Europa ainda não terminou?
Sim. Sou jovem e gosto de desafios difíceis. Apesar de jogar em Angola, sempre sonhei um dia voltar a jogar na Europa ou num outro continente, em competições importantes com particular realce para o futebol português, concretamente, no Sporting de Portugal, no qual sou fã.

Camada de formação 
merece prioridade 

Como caracterizas as camadas de formação no país?
Sou uma pessoa suspeita para falar sobre isso por conhecer pouco da realidade dessa camada. Falo do 1º de Agosto, equipa que tem uma boa organização nesse sector e apelo às pessoas de direito no sentido de prestarem mais atenção nessa faixa de futebol, porque é imprescindível para o desenvolvimento de qualquer equipa. Aliás, o talento vem dos jovens, por isso, devemos saber aproveitá-los, dar-lhes melhores condições de trabalho para que colhamos bons frutos.

Um olhar sobre as infra-estruras desportivas...
Não pude ver todas, mas com a realização da Taça Africana das Nações Orange-Angola’2010 foram construídas infra-estruturas de grande valia que vieram preencher o vazio que ainda existia nessa área. Hoje, qualquer atleta que as visite, sente-se comovido e incentivado para a prática desportiva. Visitei vários países europeus, mas nunca tinha visto coisa igual. No entanto, devemos agradecer os organizadores e tudo faremos no sentido de as preservar.

Acha que o futebol africano está no bom caminho?
Antes de vir jogar em Angola, assistia muito ao futebol africano, sobretudo, o sul-africano e o angolano. Não se falava muito desse futebol, mas nos últimos tempos noto evolução. Fruto disso, quer nos jornais quer na internet fala-se muito e hoje a Europa está atenta. Deve-se continuar com essa força para que em pouco tempo possa estar na alta roda do futebol mundial.

Sente-se bem alojado?
Sinto-me normal, apesar de estar a residir no Hotel Tivoli. Mas não é o mesmo que ter uma residência própria, uma vez que tenho família a residir no exterior e a qualquer momento pode juntar-se a mim. Não obstante a tudo isso, terei uma residência brevemente para o meu bem e da equipa que represento.

Sabemos que pertence a uma família de jogadores...
Apesar de serem novos no mercado, devo dizer que o primeiro joga no escalão de Júnior do Loletano de Portugal e o outro joga no Internacional, um clube em que o meu pai foi treinador por muitos anos. Aliás, a prática desportiva foi sempre nossa sina.