Jornal dos Desportos

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Fora de Campo

Altruísta da Super Bowl

14 de Fevereiro, 2015

Astro do New England Patriots oferece Chevrolet Colorado ao cornerback Malcolm Butler o herói da vitória dos tetra-campeões

Fotografia: AFP

O quarterback Tom Brady, eleito o MVP do Super Bowl (liga profissional de futebol americano), ganhou da Chevrolet um automóvel Colorado avaliado em 35 mil dólares norte-americanos. No entanto, num gesto altruísta, o maior astro do New England Patriots abriu mão do veículo e entregou de presente ao cornerback Malcolm Butler, de 24 anos, responsável pela interceptação que definiu a vitória por 28 - 24 sobre o Seattle Seahawks.

Alguns aspectos fazem com que a atitude não tenha sido tão boazinha. Para Butler, o principal problema é que o carro vai ser submetido à legislação tributária dos Estados Unidos da América. Prémios como esse pagam uma taxa de 39,6 por cento, de acordo com o código federal de receita. Para um automóvel de 35 mil dólares, isso é, o equivalente a 13,8 mil dólares. Portanto, o cornerback vai gastar esse valor para “ganhar” o carro, uma economia de 21,2 mil dólares em relação ao preço original.

Butler esteve numa concessionária da Chevrolet na última quarta-feira e recebeu as chaves do novo carro. “Estou a aproveitar o momento e tem sido óptimo”, disse o jogador em vídeo publicado no site oficial do New England Patriots.

O valor pago pelo cornerback não é o único aspecto que diminui o altruísmo do gesto de Brady. O carro que deu a Butler também é o mais modesto que a Chevrolet distribuiu nos últimos anos a um MVP de Super Bowl. O próprio Brady tinha recebido um Escalade em 2004, quando também ficou com o prémio.

Para efeito de comparação, há três anos, apenas Eli Manning ganhou um Corvette Grand Sport. Joe Flaco ficou com um Novo Corvette por ter sido MVP do Super Bowl, na época seguinte. Em 2014, Malcolm Smith recebeu uma Silverado.

E mesmo se o carro não fosse um modelo mais modesto do que o de anos anteriores, ou fosse livre de impostos, Brady tinha um enorme motivo para não ficar com o prémio. O quarterback é patrocinado pela Dodge, parte do grupo Chrysler, pertencente à Fiat.

Dono de quatro vitórias no Super Bowl (e dono de três prémios de MVP do jogo), Tom Brady é um dos maiores nomes da história recente da NFL. Facturou 14 milhões de dólares em salários e sete milhões de dólares em patrocínios em 2014, conformde a revista Forbes.

A realidade de Butler é diferente. O cornerback foi ignorado no draft e estava desempregado antes do início da última época da NFL. Conseguiu uma oportunidade no New England Patriots e acertou um contrato até 2017. O calouro recebe 420 mil dólares por época, salário mínimo para atletas que não passaram pelo processo de selecção.


ALEMANHÃ
Ladrão infiltrado no balneário do Bayern de Munique

A polícia alemã deteve esta semana um homem, que entrou no balneário de uma equipa de sub-23 do Bayern de Munique com o objectivo de furtar pertences dos atletas. O ladrão começou por iludir os agentes de segurança ao entrar nas instalações vestido como se fosse futebolista, com um equipamento do clube. Um funcionário do Bayern, no entanto, desconfiou por não conhecer a cara e alertou depois a polícia, que deteve o homem.

FUTEBOL AMERICANO
Mãe cobra devido a suicídio


Uma discussão ganha cada vez mais força nos Estados Unidos da América: os efeitos dos choques nos jogadores de futebol americano. Uma mãe decidiu levar o tema ao tribunal. Debra Pyka abriu um processo para pedir indemnização pela morte do filho de 25 anos. Ela alega que o rapaz se suicidou em consequência das lesões causadas pelo desporto. Debra pede o equivalente a sete milhões de dólares. O alvo do  processo é o Pop Warner (organização que promove o futebol americano entre jovens de 5 a 15 anos) e a seguradora do projecto.

O seu filho Joseph Chernach jogou futebol americano na instituição dos 11 aos 15 anos. Nesse período, de acordo com  a acção, desenvolveu doenças no cérebro e sofreu lesões que só foram identificadas anos depois. Joseph cometeu o suicídio aos 25 anos, em 2012. Anos depois, a necropsia apontou os problemas alegados pela mãe: síndrome pós-concussão e encefalopatia traumática crónica. Debra argumenta que o filho tornou-se uma pessoa deprimida e paranóica, desconfiava dos amigos próximos e da família, no segundo ano da faculdade.