Jornal dos Desportos

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Fora de Campo

Ben Johnson relembra doping

27 de Julho, 2015

Jamaicano naturalizado canadiano Ben Johnson foi considerado o mais rápido do mundo mas foi apanhado nas malhas do doping

Fotografia: DR

O jamaicano naturalizado canadense, Ben Johnson, chegou a ser considerado o homem mais rápido do mundo, no final da década de 80. E teve nas mãos a medalha de ouro mais rápida da história do desporto, em Seul, 1988: em 48 horas, foi apanhado no doping, desclassificado, humilhado. Anos depois, de volta às corridas, foi banido para sempre do atletismo, em novo flagrante.
“Eu sou a pessoa que mudou o mundo do atletismo”, ele dizia.

“Não uso nada há 28, 29 anos. Limpei o meu corpo das ervas, estou em outro padrão de vida. Descobri uma água de aquífero anti -envelhecimento. Ela ajuda na circulação, no corpo, pele, cabelo, renova células no corpo. Estou a promover esse produto que conheci na Itália”.

Aos 53 anos, Johnson afirma, que ainda corre 100 metros em apenas 10,2 seg. Diz que o que fez foi errado e que é preciso andar para a frente na vida. Mas não assume completamente a culpa por aquela tragédia canadense. “Chamo sabotagem. Empresas fabricantes de ténis para quem eu estava a trabalhar. Não era vantajosa a minha vitória. Acredite”.

E foi além. “Eu ainda me comunico com as pessoas que fizeram aquilo comigo, que dizem que um dia vão esclarecer isso, mas nunca fizeram nada à respeito. Eles sabem o que fizeram. Fui melhor que Carl Lewis, ele mesmo sabe disso, e tenho a certeza, nunca se vão esquecer daquela corrida”.
Para o ex-corredor, somos humanos, comentemos pecados, este é o sistema. É a maneira como o mundo formulou esse tipo de coisas.

E não há justiça neste campo. “Tyson Gay continua a correr, mesmo flagrado no doping. Os jamaicanos estão a correr mais, e os americanos sabem disso. Não vão deixar barato”, insinuou. Em outro excelente momento da entrevista, Johnson, desabafou: “Eu deveria ter morrido envenenado. Meu corpo estava adaptado e eu me recuperava rapidamente. Mas o meu fígado estava completamente comprometido. As drogas que eles dizem que usei são besteiras. Eu queria contar ao mundo o quão pesadas eram. Mas hoje, só quero mesmo é fazer o bem para encontrar a minha mãe quando eu me for”.