Jornal dos Desportos

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Fora de Campo

Brasil chora surfista

22 de Janeiro, 2015

Ricardo dos Santos foi baleado no trax por um agente da Polcia Militar brasileira

Fotografia: AFP

O ano de 2015 está violento para os desportistas da América do Sul. Depois da morte do ginasta mexicano a tiro, chegou a vez de Ricardo dos Santos, surfista brasileiro. Antes registou-se mortes de desportistas na Argentina e no Uruguai.

Internado desde a manhã da última segunda-feira, o surfista Ricardo dos Santos morreu na última terça-feira. O desportista lutava pela vida após sofrer três tiros durante uma discussão na porta de casa, mas não resistiu aos ferimentos. O principal suspeito é um agente da Polícia Militar brasileira, que estava de folga. A informação da morte foi confirmada pela assessoria pessoal do atleta. Ricardinho, como era conhecido, sofreu o ataque por volta das 8h30 locais, na praia de Guarda do Embaú, no Estado de Santa Catarina. A polícia investiga o que teria motivado a discussão, enquanto o agente da Polícia Militar está detido num quartel de Florianópolis. O surfista foi socorrido de helicóptero e encaminhado ao Hospital São José, que considerava o caso "gravíssimo".

Após dar entrada no hospital, Ricardo dos Santos passou por quatro cirurgias. Os médicos sofreram para conter hemorragias na região do tórax, provocadas pelas ferimentos à bala. Ainda na última segunda-feira, o staff do atleta pediu doações de sangue, devido à grande quantidade do líquido perdido pelo surfista.  De 24 anos, Ricardo dos Santos fazia parte do cenário profissional do surfe brasileiro. Amigo de Gabriel Medina, o novo campeão mundial, o atleta já disputou etapas do WCT. Numa delas, chegou a superar a lenda Kelly Slater e só parou em Mick Fanning na meia-final.

Preso junto ao irmão, o agente da Polícia Militar acusado de atirar três vezes contra o surfista vai sofrer sindicância interna, além de investigação civil e militar. O oficial passou na última segunda por exame toxicológico, visto que uma das linhas da investigação é que a vítima teria abordado o oficial para reprimir o uso de cocaína em frente à sua casa.