Jornal dos Desportos

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Fora de Campo

Cérebros doados

19 de Março, 2015

Steve Weatherford disse que colegas enfrentaram depressão depois da carreira

Fotografia: AFP

Duas estrelas do futebol americano prometeram doar os seus cérebros, para pesquisas médicas depois de morrerem. Steve Weatherford, do New York Giants, e Sidney Rice, que jogava pelo Seattle Seahawks, tomaram a decisão para apoiar as pesquisas sobre lesões no cérebro. Muitos ex-jogadores de futebol americano sofrem com problemas e doenças causadas por lesões desse tipo.

“Existem questões relacionadas com lesões no cérebro e não apenas com atletas profissionais. Isso afecta todo o mundo”, disse Weatherford.
Sidney Rice venceu o Super Bowl, o campeonato da NFL (liga profissional de futebol americano), em 2014, e em seguida decidiu aposentar-se aos 27 anos, porque teme o futuro da sua saúde. O jogador já levou muitos golpes na cabeça.

Rice e Weatherford esperam que a doação estimule outras pessoas a participar de pesquisas sobre as lesões cerebrais. Cerca de 4,5 mil ex-jogadores estão a processar a NFL devido a lesões na cabeça sofridas durante as carreiras. Um acordo de cerca de mil milhões de dólares pode ser fechado em breve. “Muitos dos meus colegas de equipa e amigos próximos já enfrentaram concussões e a depressão que vem com isso”, afirmou Weatherford.Rice estima ter sofrido entre 15 e 20 traumatismos cranianos durante a sua carreira no futebol americano.

Começou a jogar aos oito anos de idade. “Diverti-me muito na NFL. Infelizmente, não recebi a educação necessária (para saber) o que as concussões podem causar. Os estudos do cérebro feitos pelos médicos vão ser muito importantes para ajudar, talvez, até prevenir (problemas)”, afirmou Rice.

CHRIS  BORLAND
Medo de lesão aposenta atleta

O jovem linebacker, Chris Borland, aposentou-se da NFL por medo de sofrer concussões, consequentemente, ser prejudicado por lesões cerebrais. O grande detalhe é que o jogador de 24 anos do San Francisco 49ers tinha-se estreado na competição no ano passado. A aposentação foi divulgada pelo próprio Chris Borland e não repercutiu negativamente na própria equipa. Na sua época como calouro, foi um dos principais nomes defensivos dos 49ers e acumulou, além de um sack e duas interceptações, excelentes 108 tackles – maior número da equipa em 2014. As lesões cerebrais são o maior terror para qualquer jogador profissional de futebol americano.