Jornal dos Desportos

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Fora de Campo

Schumi "vendia" no Brasil

10 de Novembro, 2014

Dificuldades da economia do Brasil so apontadas como uma das causas da queda na venda de produtos

Fotografia: AFP

Na era Schumacher, os comerciantes dos arredores do autódromo de Interlagos viveram momentos de fartura. As receitas eram elevadas. Nos restaurantes havia filas no lado de fora, porque não cabia mais ninguém. As portas eram fechadas. Funcionários do turno da noite eram convocados para trabalhar de dia. Bons tempos.
Mas no último fim de semana o reforço na mão-de-obra não se justificou. A Fórmula Um já não é a mesma para os comerciantes.

Os clientes compraram sem atropelo a qualquer momento do dia. Nem mesmo na hora em que o movimento dos adeptos se juntou ao de estudantes que fizeram testes de admissão à Universidade num prédio perto do autódromo houve aglomeração. Um membro da família proprietária de um restaurante na rua da entrada do autódromo resumiu a mudança: “Antes acabava tudo. Precisava de sair a correr, porque não havia mais pão, presunto, queijo para vender.”

A prova de ontem levou a Interlagos um número considerável de pessoas. Nem o terceiro lugar de Felipe Massa na grelha de partida foi suficiente para levar clientes aos restaurantes. As vendas ficaram por metade do previsto. Havia lugares em que dois funcionários se limitavam a olhar o público. Os itens mais vendidos, água, refrigerantes e protector solares, permaneciam intocados.

O cenário é o mesmo nos mercados, lanchonetas e até entre os vendedores ambulantes. A queda do movimento gerou uma série de teorias: dificuldades da economia do Brasil, famílias que deixaram de ver a corrida e perda de interesse pela Fórmula Um devido à falta de bons resultados de pilotos brasileiros.