Jornal dos Desportos

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Fora de Campo

Sonho do pódio continua

21 de Março, 2015

Ébola matou a família e Jimmy foi morar na rua

Fotografia: AFP


Aos 20 anos, Jimmy Thoronka, virou um caso de imigração, comoção popular e polémica em Londres. O velocista da Serra Leoa não regressou para o seu país ao fim dos Jogos da Commonwealth, disputados em Glasgow, em Agosto de 2014. Motivo: descobriu que a família morreu vítima do ébola. Jimmy, então, foi para Londres e  tornou-se morador de rua. O seu futuro está indefinido, mas o sonho de ganhar medalhas permanece.

Foi preso no início desse mês por estar com o visto expirado. Jimmy foi encontrado numa rua londrina a mendigar. Mas antes de virar caso de polícia, o velocista apareceu numa matéria do The Guardian. Os leitores decidiram ajudá-lo. Uma campanha já arrecadou quase 30 mil libras.
A comoção justifica-se pela história de Jimmy. Durante os Jogos, da Commonwealth, ele descobriu que o  tio tinha morrido vítima do ébola. Competiu na prova de estafeta 4x100 m rasos e não chegou a final. O  passo seguinte  foi passar uns dias em Londres, quando alega ter tido dinheiro e passaporte roubados na estação de trem.

Na capital inglesa, um conhecido  deu-lhe abrigo por uns dias, mas teve de deixar a casa. Nesse meio tempo, veio a pior notícia possível: a mãe adoptiva, as três irmãs e um irmão  morreram de ébola. Jimmy diz que não quis voltar para casa, por não ter mais parentes. Detalhe: a família biológica já tinha morrido no início dos anos 90 durante guerra civil. Nos curtos 20 anos de vida, ele perdeu duas famílias.Mas os dias em Londres também não foram fáceis. O  objectivo diário era comprar um passe de autocarro noturno, para ter onde dormir durante o último inverno. De dia, as refeições dependiam de esmolas e nem sempre ele as conseguia.
“Às vezes penso que não vou sobreviver e que estou a  matar-me aos poucos. O meu sonho  é tornar-me um dos melhores velocistas do mundo, mas não sei mais, como alcançar isso”, contou ele ao The Guardian.
“Não posso voltar para  a Serra Leoa, pois toda minha família foi exterminada. O ébola destruiu muita coisa lá. Mas sobreviver aqui também está difícil.”