Jornal dos Desportos

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Fora de Campo

Sonho olímpico frustrado

12 de Março, 2015

Vastine ficou fora do pódio eliminado nos quartos-de-final por Shelestiuk

Fotografia: AFP

As lágrimas nos Jogos Olímpicos, de Pequim-2008 e de Londres-2012, emocionaram a França. Na segunda-feira, Alexis Vastine fez o país chorar novamente quando morreu aos 28 anos, num acidente de helicóptero, na Argentina.“Sua última meta era ser campeão olímpico e ele  preparava-se  para os Jogos do Rio-2016”, declarou à AFP Brahim Asloum, único pugilista francês que conquistou o ouro olímpico (em Sydney-2000) e o título mundial.

“Depois da derrota de 2012, em Londres, Alexis viveu um período de depressão e sofreu repetidas lesões. Em muitos momentos, ele cogitou encerrar a carreira”, acrescentou Asloum, hoje dirigente da federação francesa de boxe.Em Londres, Vastine ficou fora do pódio  por ter sido eliminado nos quartos-de-final da categoria até 69 kg pelo ucraniano Taras Shelestiuk, com decisão controversa dos juízes.Quatro anos antes, em Pequim, Alexis conquistou o bronze, mas a medalha veio com sabor amargo, depois de mais uma decisão polémica nas semifinais.

“Não pensava que isso fosse acontecer uma segunda vez. É uma grande injustiça, estou de saco cheio”, desabafou o pugilista na zona mista depois da desilusão de Londres.Inconformado com a decisão dos árbitros, Vastine tinha dado um grande soco num canto do ringue, sob aplausos do público britânico, para o qual o francês era o justo vencedor.

“A decisão inicial foi confirmada. Pesadelo”, publicou o francês no Facebook, depois do seu recurso oficial ser rejeitado. “Estou com nojo, é como um K.O. duas vezes seguidas, de forma flagrante”, lamentou.Três meses antes da morte de Alexis, os seus pais perderam a irmã mais nova, Célie, num acidente de carro, com apenas 21 anos de idade.Numa homenagem realizada na cidade natal de Pont-Audemer, no noroeste da França, o pai não conseguiu falar uma palavra sequer. Seu irmão Adriani, também pugilista, estava paralisado pela emoção.

O seu técnico, Thierry Gautier, confirmou à AFP que Alexis ainda sonhava com o ouro olímpico. “Ele voltou a treinar para estar bem fisicamente para o programa, mas também tinha na mira os Jogos militares. Ele estava  preparar-se  discretamente para o grande regresso em 2016, no Rio de Janeiro”.