Jornal dos Desportos

Director: Matias Adriano
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Entrevistas

" Sempre jogmos para ganhar"

Matias Adriano - 18 de Agosto, 2016

Presidente do Recreativo do Libolo sobre o Girabola

Fotografia: Jos Soares

Em véspera de um jogo decisivo, o presidente do Recreativo do Libolo,Rui Campos, concedeu uma entrevista ao Jornal dos Desportos, em que fala das intenções do clube que dirige na presente edição do Girabola, bem como de outros projectos em carteira. Optimista como sempre, quanto ao Girabola foi peremptório ao considerar que o Libolo sempre que entra para uma competição fa-lo para ganhar. Diz também que no domingo, contra o 1º de Agosto,  espera por um jogo competitivo, em que prevaleça apenas futebol e se houver golos, que estes sejam marcados com pés ou com cabeça. Siga o teor da conversa.

Depois de uma primeira volta não muito ao seu geito, temos no segundo turno do Girabola um Recreativo do Libolo com mais atitude. Isto faz parte da estratégia gizada pela direcção, pela equipa técnica ou ocorre naturalmente?
Ao longo dos anos o Libolo tem feito segundas voltas melhores que a primeira metade da competição. Por várias razões como a participação nas Afrotaças, que coincide com a primeira volta; com ajustes cirúrgicos de plantel na janela de Junho; e claro pelo planeamento e gestão da preparação técnica do conjunto, que de uma forma competente a nossa equipa técnica leva a cabo com grande eficiência.

Podemos admitir que a participação da equipa na Taça dos Clubes Campeões Africanos influenciou de alguma forma a má prestação da primeira volta?
Não podemos admitir que tenha sido uma má prestação da nossa equipa, mas apenas um pouco abaixo do que é costume em termos de pontuação. Pode ser que a Afrotaça possa ter influenciado, mas não unicamente nem de forma decisiva.

Mas a revalidação do título continua a constituir a meta traçada pela direcção do clube?
 O Libolo entra nas competições sempre para ganhar. Quanto a isso não temos opção, após o percurso de sucesso desportivo que fizemos ao longo destes 8 anos de presença no Girabola. Mas estamos conscientes da realidade. Não somos nem de longe nem de perto o clube do Girabola com o maior orçamento. Existem mesmo cinco clubes com orçamentos de futebol superiores ao nosso. Daí a nossa busca constante por maior eficiência e eficácia.

Durante a inconstância verificada na primeira volta com o 1º de Agosto muito adiantado na classificação continuou a acreditou na recuperação da equipa ou chegou a recear o fracasso?
De modo algum. Repare que, o que nos diferenciou foi a quantidade anormal de empates que o Libolo alcançou na primeira volta. Contudo, nunca desmorecemos, pois salta à vista de todos a diferença na qualidade do futebol praticado pelo Libolo e pelos adversários mais directos. Houve além disso algumas situações anormais que distorceram a verdade da competição.

Que situações foram estas. Podemos saber?
Prefiro não entrar em detalhes. Não quero falar de arbitragens, mas vitórias com golos validados marcados com mão e outras situações bizarras, é manifestamente demais. E não abona à credibilidade da competição. Devo dizer também que não consideramos que seja um fracasso ficarmos em segundo ou terceiro na classificação. Claro que as pessoas se habituaram a ver-nos a ganhar. Nos últimos cinco anos ganhamos quatro edições e os adeptos pedem sempre a vitória. Só que ninguém consegue ganhar sempre. O que para nós é inegociável é que tentaremos sempre ganhar, o que é uma coisa diferente.

A equipa está em segundo lugar na classificação, tendo as atenções voltadas para o líder da prova, mas tem o Petro ao seu encalço. Como reage a este sufoco? 
Quem vai à frente é considerado favorito. Mas tem de haver inteligência e competência para permanecer líder. Aliás, é muito mais difícil manter-se na frente do que chegar à frente. Continuar em primeiro com sustentação é resultado da gestão de uma série de factores, técnicos, tácticos e psicológicos. Isso sabemos bem como é. Quando o Libolo tem 9 pontos de avanço, já não perde. Mesmo com factores extra-futebol, como aconteceu no ano passado. Aí tem de gerir com inteligência e não basta ser esperto. Mas voltando à sua pergunta, temos sim de estar atentos a todos os nossos adversários.

A próxima jornada pode ser decisiva quanto à assumpção da liderança. O que espera do jogo do próximo sábado contra o 1º de Agosto?
Esperamos por um jogo competitivo, como são todos, contra um adversário forte como são vários. Mas esperamos que prevaleça apenas o futebol. Sobretudo que os golos sejam marcados com os pés ou cabeça.

Um bom desempenho da equipa requer necessariamente a salvaguarda de um conjunto de condições. Os ordenados com os atletas estão em dia ou existem pendentes?
Dentro das contingências e dificuldades que o país atravessa, que afectam a actividade económica dos nossos sponsors, temos gerido da melhor maneira possível os factores financeiros do projecto Libolo. Dificuldades todos têm. Mas quem faz contratos tem de os respeitar e cumprir, de parte a parte, dentro do espírito de entreajuda e parceria entre as partes. E os nossos atletas, técnicos e staff sabem que isto é assim.

No campeonato passado a equipa decidiu o título na última jornada. Como gostaria que fossem as coisas na presente edição?
A ser campeão, todos querem sê-lo na primeira jornada. Mas isso é impossível. Claro que a procura de tranquilidade também nesse aspecto é aspiração de quem quer ganhar. Mas uma coisa é o querer e outra é o possível. Mas tem o mesmo valor, e ganhar é ganhar.

METAS
Construção de infra-estruturas
é uma grande aposta do clube


O Libolo passou a investir fortemente nos escalões de formação, tendo na presente época lançado dois jovens para a equipa principal. Como vai o trabalho a este nível? Quem são os professores?
Temos feito o melhor que podemos, temos know how, pois a nossa equipa técnica está formatada para atender a este aspecto importantíssimo da sustentação de um clube. Mas continuamos a ter constrangimentos, ao nível das infra-estruturas, pois não temos ainda os meios necessários para ter o nosso centro de treinamento em Calulo. Com o dinheiro dos nossos sponsors, temos de estabelecer prioridades, não chega para lançarmo-nos na construção das infra-estruturas. Mas continuamos empenhados em que um dia isso seja uma realidade e que consigamos também aí fazer um bom trabalho. Outro aspecto que nos afecta, é a falta de campeonatos competitivos na nossa província. Nesse aspecto, os clubes de Luanda têm uma vantagem enorme no desenvolvimento dos seus talentos da formação.

Falando em infra-estruturas é público que o clube tem perspectiva de construção de um novo estádio de futebol. Em que pé está o projecto? Em quanto poderá orçar e qual é o horizonte temporal da sua conclusão?
- Neste momento esse projecto está pelas razões já apontadas, à espera de dias melhores, tal como a construção do centro de treinamento. São projectos integrados e que esperamos sejam uma realidade um dia. O Libolo é o único clube campeão, que está situado num município e não numa capital provincial. Isso afecta de forma decisiva a atenção que pode ser dada ao desenvolvimento das infra-estruturas desportivas. Mas apesar de tudo mantemos a nossa atitude positiva, e não é por acaso que somos várias vezes campeões nacionais de futebol e de basquetebol, e somos também já campeões africanos de basquetebol.

A PROPÓSITO DOS TÍTULOS
\"O nosso sucesso resulta da organização\"


A equipa ascendeu em 2008 ao Girabola, e neste intervalo de oito anos já soma quatro títulos do Girabola e duas presenças em fases de grupos da Liga dos Campeões. Qual é o segredo deste sucesso?
Geralmente as pessoas fazem essa pergunta em termos de \"qual o segredo\". Não existem segredos em gestão. Há várias organizações em competição, cada uma com a sua forma de gerir e com as suas prioridades. Nós no Libolo sabemos que temos de colocar no terreno uma boa organização, eficiente, focada, com as pessoas certas nos lugares certos, com muito trabalho constante, sustentado, planeado, para estarmos sempre em equilíbrio. Não há muito segredo nisto. Talvez a grande vantagem do Libolo seja ter a organização que menos improvisa no Girabola. Quem tem de improvisar todos os dias, não pode ter grande desempenho a médio e longo prazo.

NA PRIMEIRA PESSOA
\"É  uma honra integrar o Comité
de Governance da Fifa\"



Doutor Rui Campos foi eleito em Maio passado, no Congresso Mundial daquele órgão, na cidade do México membro da Comissão de Governance  da Federação Internacional de Futebol Associado (FIFA). Quisemos saber o pouco mais das incumbências deste órgão.
O que é exactamente o Comité de Governance da Federação Internacional do Futebol Associado e quais são as suas atribuições?

O Comité de Governance da FIFA, é de grande importância na estrutura do organismo que superintende o desporto-rei no mundo e à excepção da comissão, é o único eleito em congresso.

Quais foram os critérios de indicação para este órgão, sendo verdade que no nosso desporto joga-se muito pouco nos bastidores?
O que posso dizer é que passei antes por um processo de certificação e fui considerado elegível. Eleição essa que teve lugar em Maio, durante o congresso mundial que decorreu na cidade do México

Que ganhos pode ter o país desta integração numa das estruturas do órgão máximo do futebol internacional ?

Tento representar o país com a maior competência possível, contribuindo para uma melhor imagem do futebol de Angola no mundo. Estou sempre disponível para ajudar no que for possível. O futebol é uma actividade muito importante, quer do ponto de vista social, quer do ponto de vista económico, o que por si só justifica o seu estímulo por parte de todos, organizações privadas e poderes públicos.

Podemos assim considerar que se tratou de um passo que apesar de pecar por tardio sempre valeu apenas?
Sem dúvida. O país ter um membro nas estruturas da FIFA, resulta numa excelente imagem, pois num tempo em que o mundo passa por períodos conturbados a nível da transparência das instituições, Angola só sai a ganhar com um membro no Comité de Governance da instituição mais mediática do mundo.

Como tem sabido gerir este compromisso conjugado com outros a ver com o seu clube e com outras responsabilidades profissionais?

A assumpção de qualquer compromisso exige naturalmente de nossa parte alguma capacidade de gestão de agenda, de modo que possamos dispor de tempo para responder às obrigações do mesmo. Tenho consegudor estar presente nas actividades calendarizadas, esperando com o meu contributo, ajudar o futebol a tornar-se num desporto mais transparente e que Angola possa sair beneficiada com o meu trabalho.