Jornal dos Desportos

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Entrevistas

"É uma honra estar ao lado da FAF"

Marcelino Cam?es ** Jornalista da ANGOP - 10 de Fevereiro, 2017

Operadora Zap fez grandes investimentos no ano passado e a aposta vai continuar apesar das condicionantes económicas

Fotografia: José Soares

Após a primeira experiência em 2016, em que se assumiu como maior patrocinador do campeonato nacional de futebol da primeira divisão, passando o evento a designar-se Girabola ZAP, novas perspectivas se abrem para a edição de 2017 com início hoje, às 15h00 no Estádio 4 de Janeiro, no Uíge, com o desafio Santa Rita de Cássia FC - Recreativo do Libolo.

A envolvência de maior número de clubes e províncias é dos principais desafios da operadora de televisão por satélite, que se estabeleceu no mercado angolano, em Abril de 2010.

Embora a cobertura de uma época completa ocorresse apenas em 2016, altura em que pela primeira vez o campeonato teve nova designação (Girabola ZAP), a relação entre a operadora de televisão por satélite e o futebol nacional começou em 2015, com a transmissão de alguns jogos ainda sem “naming”.

O director geral da Zap, Nuno Aguiar, detalhou o que foi o primeiro ano de parceria com a Federação Angolana de Futebol (FAF), e o que gostava de ver no plano competitivo dos clubes.

Afirmou que o ideal seria que se tivesse uma competição equilibrada que trouxesse emoção, de preferência com os Estádios cheios como o registado no confronto da última jornada do Girabola ZAP 2016, entre 1º de Agosto e Petro de Luanda, no Estádio 11 de Novembro.

No ano passado, de acordo com a fonte, houve uma audiência média 500 mil pessoas por jogo, nas cerca de 100 partidas transmitidas.

Chegar os meios técnicos a algumas províncias para a transmissão do maior número de jogos possível, num evento onde pode entrar em cena o Uíge e o Moxico, figuram igualmente entre as apostas da operadora.

Quanto aos custos do passado e projecção do presente Girabola ZAP, o entrevistado escusou-se a revelar, por envolver terceiros, referiu apenas que foi 2016 um ano de grandes investimentos e que a aposta vai continuar, apesar das condicionantes económicas actuais.

“Tentar fazer mais com menos é o nosso desafio para 2017”, declara Nuno Aguiar, na entrevista concedida à Angop, para um balanço do primeiro ano, e perspectiva da nova época futebolística.

- Director geral da ZAP, Nuno Aguiar, o que pretendiam alcançar com a parceria com a Federação Angolana de Futebol? Quais os resultados obtidos no primeiro ano?
- Para a ZAP é uma honra estar ao lado da FAF, poder contribuir dentro das nossas possibilidades para o engrandecimento da visibilidade do campeonato de futebol. O aumento do impacto do futebol é bom para todos - FAF, Clubes, Patrocinadores e ZAP, claro.

- Até que ponto a parceria com a FAF atraiu assinantes? Qual foi a renda global da ZAP com esta parceria? É possível quantificar? Quais os critérios para a realização de contratos com os clubes?
- Não é possível quantificar. Mas a ZAP sabe que o futebol angolano é importante para os seus clientes, e que este vai ser mais um motivo de aproximação. Para além disso, este tipo de investimentos não tem resultados imediatos. Tentamos envolver o máximo de clubes possível, tendo em conta que temos uma limitação na quantidade de jogos a transmitir e em deslocar meios técnicos para algumas províncias.



AUDIÊNCIA
Petro -1º de Agosto foi o jogo mais visto


 – O que pensam corrigir, alterar, ou implementar, para o campeonato que inicia no dia 10 de Fevereiro (hoje)?
- Penso que este ano deve ser um ano de consolidação, de continuar o caminho que iniciámos em 2015. Em 2017, gostávamos de ter mais pessoas a assistir os jogos nos Estádios,  achamos que todas as entidades (FAF, Clubes, ZAP, Patrocinadores e até Comunicação Social) podem dar um contributo nesse sentido.

– Quanto foi que a ZAP investiu para este compromisso do futebol nacional?

- Relativamente aos custos associados, a ZAP não divulga, porque envolve terceiros. Mas foi um ano de grandes investimentos. A aposta da ZAP continua mesmo com as condicionantes económicas actuais, mas temos de optimizar o projecto de forma a ser interessante para todos, mas sustentável. 

– Quanto é que a ZAP oferece de prémio ao vencedor, 1º de Agosto? E, para quando a entrega? Também há prémio para o “artilheiro”, guarda-redes menos batido, e melhor árbitro?
- O prémio do campeão do Girabola ZAP 2016 vai ser entregue agora, no arranque do campeonato. No ano passado, estávamos focados no prémio do campeão, mas outras categorias devem ser incluídas quando houver oportunidade. 

 – Qual o valor global em prémios oferecido aos adeptos, através dos concursos do Girabola em 2016? É para a presente temporada?

- Para além dos passatempos que dinamizámos nas redes sociais, no canal ZAP VIVA, e das activações que fizemos no campo, tivemos o jogo Totogolo, onde entregámos mais de 50 prémios, de entre os quais um carro. Este jogo online foi uma boa experiência, mas em 2017 vamos testar outras dinâmicas de envolvimento dos adeptos. 

- Qual foi o top de audiência durante o Girabola Zap? Quantas pessoas viram o campeonato em Angola? E, noutros países?
- Calculamos que o jogo mais visto durante o campeonato foi o jogo Petro - 1º de Agosto, da última jornada do campeonato. Se considerarmos os cerca de 100 jogos que transmitimos, estimamos que tivemos em média uma audiência de 500 mil pessoas por jogo. Claro que há jogos muito mais vistos que outros.


REPERCUsSÕES NO GIRABOLA
“Uma desistência nunca seria boa”


 - A competitividade deste ano justifica o aumento da renda dos clubes para 2017?
- Devido ao contexto económico que o país atravessa, ao qual a ZAP não é imune, o investimento feito em 2016 não pode ser aumentado. Tendo consciência que o retorno dos valores investidos no campeonato angolano não vem no imediato, a ZAP sente-se responsável pela continuidade da aposta no desporto nacional, e na manutenção dos níveis de qualidade a que os angolanos se habituaram no decorrer deste ano, não pondo por isso em causa a sua permanência neste projecto. Tentar fazer mais com menos é o nosso desafio para 2017.

- Qual foi o "feedback" que teve da comunidade angolana no exterior?
- Recebemos, sobretudo, através das redes sociais, alguns comentários sobre o campeonato de angolanos a viver fora, que estavam a acompanhar o Girabola ZAP. 

- Também estão em Moçambique. Como é que foi recebida lá, a transmissão do campeonato angolano?
- A influência foi positiva, de tal forma que neste ano de 2017, a ZAP vai passar a transmitir o Moçambola.

 - Neste primeiro ano, estiveram em várias províncias. Quais as principais dificuldades encontradas, e como vai ser com a entrada do Uíge e do Moxico?
- A ZAP tenta sempre envolver o maior número de clubes e províncias nas suas transmissões. O desafio é conseguir chegar os meios técnicos a algumas províncias. Esperamos em 2017 transmitir jogos no máximo possível de províncias.

- Que resposta deve ser dada aos frequentes anúncios de desistência por razões financeiras?
- Não cabe à ZAP dar opiniões, sobre questões dentro do âmbito de gestão interna ou desempenho desportivo dos clubes ou da Federação. Essas questões têm de ser colocadas às respectivas entidades.

- Que impacto pode ter no projecto ZAP uma desistência? Qual a saída para se evitar esta situação?
- Uma desistência nunca seria boa para o Girabola, mas como já referi , não cabe à ZAP dar opiniões sobre questões dentro do âmbito da gestão interna, desempenho desportivo dos clubes, ou da Federação.

- O que gostavam de ver mudar no plano competitivo nos clubes?
- O ideal é que tivéssemos uma competição equilibrada, que trouxesse muita emoção ao campeonato, de preferência com os Estádios cheios de adeptos a vibrar com o Girabola ZAP.